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Após discussão, Câmara elege as comissões permanentes

Chapa 1 venceu por unanimidade, mas vereadores da oposição pretendem recorrer na Justiça

Créditos: Jean Peixoto
DISCUSSÃO: vereadores pediram impugnação, mas eleição das comissões foi finalizada com vitória da chapa 1 por unanimidade - Lidiane Mallmann

Lajeado - As comissões permanentes da Câmara Municipal de Lajeado foram eleitas na manhã de ontem, em sessão extraordinária convocada pela presidência da Casa. Com tensão e sob acusações no plenário, a chapa 1 - composta por Ederson Fernando Spohr (MDB), Carlos Eduardo Ranzi (MDB), Sérgio Miguel Rambo (PT), Antônio Marcos Schefer (MDB), Paulo Adriano da Silva (PPL), Waldir Blau (MDB) e Sergio Luiz Kniphoff (PT) - foi eleita por unanimidade. Vereadores inscritos na chapa 2 discordaram do resultado e pretendem recorrer judicialmente.

A presidente da Casa, Neca Dalmoro (PDT), deu início à sessão com uma desabafo. "Sempre fui conciliadora. A mágoa é um sentimento ruim. Hoje, estou nutrindo este sentimento por alguns colegas. Vou sempre respeitar, mas também vou exigir respeito. Como presidente, vou seguir desempenhando meu trabalho, meu compromisso assumido. Vou seguir o regimento interno, a Lei Orgânica, mas sem gritos. Vou encerrar a sessão, tantas vezes quantas forem necessárias", frisa. Neca salienta que a última sessão foi encerrada devido à falta de respeito e que, na sua gestão, não pretende gritar mais alto que os colegas.

Divergências

Os questionamentos tiveram início durante a apresentação dos nomes inscritos nas chapas. O vereador Paulo Tóri, que ocuparia os cargos de presidente da comissão de Obras e Serviços Públicos e secretário de Educação, Saúde, Meio Ambiente e Ação Social, na Chapa 2, solicitou a retirada do seu nome. Após breve discussão entre a presidente e os vereadores Ildo Paulo Salvi e Mariela Portz, foi decidido pela procedência da candidatura da chapa 2, com apenas dois membros nas comissões deixadas por Paulo Tóri.

Impugnação

Ildo Salvi pediu a impugnação do pleito sob o argumento de que, enquanto líder de bancada da Rede, teria tanto direito de questionar a legitimidade da eleição quanto Éderson Spohr, que pediu a impugnação da chapa adversária na votação anterior. Neca explicou que o ocorrido na terça-feira foi um fato inédito e que, qualquer vereador poderia pedir a impugnação. Na sequência, Mariela Portz também pediu a impugnação devido ao prazo de apresentação da chapa 1 que, segundo a vereadora, não estaria de acordo com o previsto no regimento interno. "A chapa 1 não foi apresentada em tempo hábil. Ela deveria ter sido apresentada no início da sessão do primeiro biênio, que foi na terça-feira. Hoje é uma continuação", aponta. Segundo Mariela, a sessão anterior teria sido encerrada para que houvesse tempo hábil de organizar a mudança de um voto (de Paulo Tóri), portanto, a votação não seria válida. Mariela afirma que a votação ocorreu de forma ilegal. Neca Dalmoro explica que o regimento interno silencia nessa situação e não acata o pedido.

Questão de ordem

Pelo menos 14 projetos já aguardam pela avaliação das comissões. No entanto, Neca Dalmoro explica que a anulação da sessão anterior não provocou atraso na votação das propostas, pois tinha como único objetivo eleger as comissões. Adi Cerutti discorda. "Eu não aceito que a senhora diga que não teve responsabilidade quanto à não votação da semana passada", afirma. Segundo ele, o parecer jurídico solicitado pela presidente poderia ter sido obtido durante um intervalo. Aos gritos, Cerutti afirmou que a presidente atua a mando do presidente de um partido. A nomenclatura das chapas foi questionada pelos vereadores Salvi e Mariela, que retomaram os pedidos de impugnação. Sérgio Luiz Kniphoff explicou que as chapas não têm numeração. Sob protestos de membros da chapa 2, Neca Dalmoro pediu questão de ordem e a votação prosseguiu. "Quem vota na chapa 1, permaneça como está. Quem vota na chapa 2, se manifeste", convoca a presidente. Todos permanecem em seus lugares. "Aprovado por unanimidade", sentencia Neca. 

Descontentamento

Mariela Portz afirma que entrará na Justiça para questionar o resultado. "Nós pedimos a impugnação da chapa, e a presidente não acatou. Lamentável isso", afirma. Adi Cerutti afirma que presidente atua a mando de um líder do PMDB em Lajeado. "Ele comandou a votação da mesa diretora e agora conseguiu uma brecha para cancelar a votação anterior. Quem venceu foi a nossa chapa. A presidente nem sabe o que está fazendo", diz. Waldir Gish também discorda da atuação da presidente e diz que, se for decidido pela ação judicial, apoiará. Neca Dalmoro se defende e afirma que a votação transcorreu conforme o previsto legalmente. "Seguimos todos os trâmites legais. Não vejo porque. O acesso ao Judiciário é livre. Vivemos em uma democracia. Tudo ocorreu dentro da legalidade", ressalta.

Chapa 1 (eleita)

Justiça e Redação
Presidente: Ederson Fernando Spohr (MDB)
Relator: Carlos Eduardo Ranzi (MDB)
Secretário: Sérgio Miguel Rambo (PT)

Obras e Serviços Públicos
Presidente: Antônio Marcos Schefer (MDB)
Relator: Sérgio Miguel Rambo (PT)
Secretário: Paulo Tóri (PPL)

Finanças e Orçamento
Presidente: Carlos Eduardo Ranzi (MDB)
Relator: Waldir Blau (MDB)
Secretário: Sérgio Luiz Kniphoff (PT)

Educação, Saúde, Meio Ambiente e Ação Social
Presidente: Paulo Adriano da Silva (PPL)
Relator: Ederson Fernando Spohr (MDB)
Secretário: Sérgio Luiz Kniphoff (PT)

Chapa 2 (derrotada)

Justiça e Redação
Presidente: Ernani Teixeira da Silva (PTB)
Relator: Ildo Paulo Salvi (REDE)
Secretário: Mozart Pereira Lopes (PP)

Obras e Serviços Públicos
Presidente: Paulo Tóri (PPL)
Relator: Adi Cerutti (PSD)
Secretário: Mariela Portz (PSDB)

Finanças e Orçamento
Presidente: Waldir Sérgio Gish (PP)
Relator: Mozart Pereira Lopes (PP)
Secretário: Mariela Portz (PSDB)

Educação, Saúde, Meio Ambiente e Ação Social
Presidente: Ildo Paulo Salvi (REDE)
Relator: Antônio Nilson José Do Arte (PT)
Secretário: Paulo Tóri (PPL)

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