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Bebê de quatro meses passará por série de cirurgias

Menina de Encantado nasceu com lábio leporino, já teve coqueluche e tem problemas sérios de visão

Créditos: Carina Marques
- Carina Marques

Encantado - A heroína francesa Joana D'Arc inspira a história da pequena Joana Bicca. Aos quatro meses, a menina foi batizada com o nome da personagem da história da França. Épocas distintas, histórias diferentes, mas comparações similares de batalha e luta pela vida. Desde que nasceu, no dia 13 de julho deste ano, a pequena Joana demonstra ser uma verdadeira guerreira. Filha de Jairo (38) e Rejane Bicca (31), e irmã de Brayan (7), passa por uma série de procedimentos a fim de combater os empecilhos impostos pelo destino. Hoje, Joana irá se submeter a um procedimento cirúrgico para reconstrução do lábio leporino.

 

A fenda de 1,2 centímetros, que atinge parte da boca e nariz da criança, deverá ser fechada após cem dias do nascimento. Será a primeira de uma série de cirurgias que Joana deverá se submeter para resolver um dos problemas de nascença. Rejane conta que a filha nasceu com 38 semanas de gestação, pesando 2.665 quilos e medindo 47 centímetros. Ainda na gravidez, iniciaram-se os problemas, que exigiram que Rejane tomasse alguns cuidados, administrasseferro na veia. Desta maneira, a alimentação era encaminhada até o bebê ainda no ventre. "No início foi tudo tranquilo, uma gravidez bastante desejada e amada, com pré-natal normal. Queríamos demais ter uma menina, mas aos cinco meses de gestação, em uma ecografia, descobrimos que ela possuía o lábio leporino", conta.

 

Com seis meses de gravidez, os pais descobriram que Joana não ganhava peso. "Aos sete meses ela pesava apenas 900 gramas", relata a mãe. As semanas seguintes se passaram e Joana nasceu. Em virtude do lábio aberto, as dificuldades só aumentaram, principalmente na amamentação. "Como ela não conseguia pegar o peito, precisamos dar leite na seringa, aos poucos, procedimento mantido até hoje."

 

Além disso, a pequena utiliza uma placa entre o lábio e nariz, para auxiliar na alimentação, pois o céu da boca encontra-se aberto. O material também auxilia a manter uma das narinas levantadas, pois, devido à existência de uma cavidade, o órgão ficaria deformado. Assim, os espaços permanecem sincronizados. Segundo Rejane, a próxima cirurgia reparadora deve ocorrer quando Joana atingir seu primeiro ano de vida. Será para fechar o céu da boca; a sequente aos 9 anos, para fazer um enxerto de osso e alterar a gengiva; e, futuramente, outras de reparos na estética.


Hérnia e coqueluche

Como se não bastasse as dificuldades ocasionadas pelo lábio leporino, com um mês de vida, Rejane percebeu que Joana possuía duas hérnias na região da virilha. "Fui dar banho e vi aquele caroço nela. Logo pensei que fosse um tumor e fiquei desesperada", recorda. Para remover as hérnias, a criança deverá passar por um procedimento cirúrgico quando atingir os seis meses de vida.

Com dois meses, mais um susto para os pais. Um surto de tosse levou Joana de volta para o hospital. A desconfiança de que seria apenas um resfriado foi anulada com o diagnóstico médico positivo para coqueluche. A crise levou a menina para a UTI neonatal do Hospital Bruno Born, de Lajeado, onde permaneceu internada por uma semana. Com a retirada do oxigênio, Joana sofreu uma parada cardiorrespiratória, exigindo mais duas semanas de internação no hospital.

A mãe conta que outro problema visto na filha foi em relação aos olhos. Joana não olha fixamente e, a cada instante, vira os olhos. "Procuramos vários especialistas neurologistas, que, primeiramente, atestaram que ela teria hidrocefalia (acumulação de liquido no crânio) e uma variante da síndrome de Dandy Walker, que afetaria a parte motora, mental, visão, coração entre outros órgãos, além de oferecer um alto índice de mortalidade", recorda.

Entretanto, os diagnósticos foram desmentidos por outros dois neurocirurgiões de Porto Alegre, ocasionando um alívio para família. Mas o oftalmologista-pediatra confirmou problemas na visão. "Não sabemos o quanto e nem se ela irá enxergar", informa Rejane. Para resolver o problema, na última semana, Joana deu início a um tratamento no Banco de Olhos da capital. A criança também integra a Fundação para Reabilitação das Deformidades Crânio-faciais (Fundef), que funciona junto ao Hospital Bruno Born, de Lajeado. No local, é disponibilizado atendimento com psicólogo, fonoaudiólogo, nutricionista e pediatra.

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