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Caíno se despede da Emater/RS-Ascar

Agrônomo tem quase 40 anos de trabalho na extensão rural

Créditos: Da redação
João Caíno: aposentadoria não impede de prestar assessoria técnica - divulgação

Lajeado - O ano terminou com uma rotina diferente para o engenheiro agrônomo João Francisco Quaresma Caíno. Ele não segue mais o ritual de levantar pela manhã, tomar café com a família e se dirigir para o escritório da Emater/RS-Ascar de Lajeado. Oficialmente, 3 de dezembro foi o primeiro dia da merecida aposentadoria após quase 40 anos de trabalho dedicado à extensão rural. "Na verdade, eu até agora não parei", brinca, ao ser perguntado sobre os primeiros dias do "descanso". "Há convites para outras atividades, assuntos a serem resolvidos, a correria está grande."

Caíno é um sujeito bem relacionado e não surpreende a agenda cheia agora que ele "parou". Seu início na Emater/RS-Ascar se deu em 1º de março de 1979, em Ijuí. Passou por Catuípe e Cruz Alta - neste último, atuando no Centro de Experimentação e Pesquisa da Fundacep - e Passo Fundo, onde foi gerente regional da instituição entre os anos de 1992 e 1995. Estabeleceu-se no Regional de Lajeado a partir de então, atuando como supervisor até o fechamento de seu ciclo na empresa.

 

Atuação reconhecida

Os colegas e amigos de Caíno costumam brincar sobre o fato de haver muito do "dedo dele" na extensão rural de todo o Estado. "Em tempos de pouco acesso à tecnologia, trabalhávamos questões relacionadas ao manejo e à conservação do solo, ao plantio direto e a ações em bovinocultura de leite", lembra. Seu bom trânsito entre as entidades, fez com que fosse o responsável direto por capacitações para lideranças, para conselheiros, para jovens rurais e para novos empregados da Emater/RS-Ascar, além de ter sido responsável pelo sistema de planejamento da entidade. "Houve um amplo trabalho em prol do desenvolvimento sustentável do Estado em todo esse período."

"A verdade é que o Caíno sempre foi um sujeito que pensa no coletivo", atesta o representante do Movimento Sindical do Vale do Taquari, Marcos Hinrichsen. "Ele sempre passou segurança para os agricultores, sendo propositivo, otimista, participativo", elogia. Companheiro de longa data, o sociólogo Renato Zanella destaca a sensibilidade e o conhecimento do agrônomo. "É uma pessoa entusiasmada pela agricultura familiar da região, estando sempre presente para orientar, para conduzir todos os processos, com muita habilidade", avalia, ressaltando a sua liderança.

Mesmo amigos mais recentes, como o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Agricultura (Sedetag) de Lajeado, Douglas Sandri, salienta o apoio de Caíno para a consolidação do trabalho em parceria. "É uma pessoa experiente, articulada, inteligente e que foi fundamental nas tomadas de decisões", observa. "Eu podia ligar para ele em qualquer horário", completa. A opinião do vereador de Estrela, José Alves, que conhece o extensionista há 25 anos, vai ao encontro da dos demais. "É uma pessoal especial, muito profissional."

Alves resume a atuação, o trabalho e a parceria de Caíno em uma frase ouvida em praticamente todas as manifestações. "Ele me ajudou muito." Não parece ser nenhum segredo para o agora aposentado a importância de estender a mão e "colocar tudo aquilo que se é naquilo que se faz", como ele mesmo resume. "Fora todos os outros atributos, ainda é uma pessoa sempre atenta ao social, disposta a atender os públicos em vulnerabilidade", frisa Alves, que tem forte atuação na comunidade como pastor evangélico.

O prefeito de Pouso Novo, Aloísio Brock, concorda com os demais, destacando as contribuições de Caíno para a fundação da Cooperativa Agrícola Mista Alto da Serra (Coagrisserra) e para a implantação do Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (Susaf/RS) no município. "É uma pessoa que contribuiu diretamente para o fortalecimento da agricultura familiar não apenas no nosso município, com o apoio a nossa Administração, mas em toda a região", sublinha.

Casado com Maria de Lurdes, pai de Odilon e de Carlos Eduardo e avô de Davi, Caíno pretende agora dedicar mais tempo para aqueles que ama. "Quero aproveitar a vida, viajar, estar com a família", declara. Ainda assim, não pretende se desligar definitivamente das atividades profissionais, muito provavelmente prestando algumas assessorias técnicas na região. "Quem ganha é o Vale do Taquari, em ter uma pessoa capacitada e sempre disponível", pontua Sandri. O comprometimento certamente será o mesmo dos quase 40 anos de extensão rural.

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