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Casa de Passagem atende 25 mulheres

Números são deste ano. Espaço acolhe e orienta vítimas de violência doméstica

Créditos: Carolina Schmidt
- Carolina Schmidt

Vale do Taquari - A Casa de Passagem do Vale acolhe mulheres vítimas de violência doméstica. Este ano, o espaço que, por razões de segurança não tem a localização divulgada, já recebeu 25 mulheres e 12 crianças. A coordenação é da advogada Silvia Cristina Feldens Wiehe, que se divide entre as tarefas do escritório e da instituição. Ela explica que elas contam com uma equipe multidisciplinar, com assistentes sociais, psicólogos e assistência jurídica. Oficinas também fazem parte das atividades. "Nosso trabalho é muito válido. Queremos que a mulher reflita e saia mais fortalecida do atendimento para não voltar a viver com o agressor ou, se voltar, que a relação seja saudável e que ela diga que é preciso mudar."

Para receber ajuda, a vítima precisa fazer um boletim de ocorrência na delegacia, ser encaminhada pelo policial e residir nos municípios que possuem convênio com a casa, como Lajeado, Cruzeiro do Sul, Estrela, Arroio do Meio, Teutônia, Capitão, Marques de Souza, Santa Clara do Sul e Forquetinha. "Qualquer mulher que seja agredida fisicamente e verbalmente e se enquadre na Maria da Penha será atendida. Quando ela sair, o objetivo é que saia com segurança, por isso, verificamos como está a situação lá fora, se o agressor está na casa ou próximo dela." Elas também recebem medidas protetivas para evitar que o agressor se aproxime até o dia da audiência.

Acolhimento
Uma zeladora permanece na casa 24 horas, para receber as mulheres que buscam ajuda. De acordo com Silvia Cristina Feldens Wiehe, como o maior número chega à instituição à noite, existe o acolhimento sem interrupção. "Muitas saem de casa quando o agressor está dormindo. Elas vêm com os filhos e, a partir daí, têm contato com os técnicos da equipe." Depois da triagem, são acompanhadas e recebem alimentação, local para dormir e acompanhamento."

Conforme Silvia, não há tempo limite para que as vítimas fiquem na casa, mas o estatuto prevê que podem ser encaminhadas até três vezes. "Temos essa regra para não ficar cômodo para elas. Acionamos toda a rede de atendimento que inclui Polícia Civil, Poder Judiciário, Cras, Creas e, muitas vezes, elas voltam a viver com o agressor."

Com 18 anos de experiência na Casa, Silvia diz que as ameaças são o que mais preocupam as vítimas. "Elas relatam que isso as deixa psicologicamente abaladas. É muito difícil para elas."

Para a advogada, atuar por mais de uma década no serviço traz a reflexão de valorização da vida. "As mulheres precisam ser muito bem trabalhadas. Muitas nem sabem que estão dentro do ciclo da violência, não têm o conhecimento. Nesses casos, o histórico vem de família e acham normal." Silvia também reforça que é preciso falar sobre a prevenção, pois ainda se vive em uma sociedade machista. "Acredito que já mudamos muita coisa, mas é preciso avançar. Com os mecanismos que já existem, elas estão vindo buscar ajuda. Mas, sabemos que muitas delas ainda estão escondidas e são mortas por tentarem lutar pelos seus direitos. Hoje não há mais perfil de agressor, a única característica é o machismo. Qualquer mulher pode ser agredida independente da classe social."

Serviço

Contatos para a Casa de Passagem do Vale podem ser feitos pelo telefone (51) 99145-4003 ou 3748-6912.

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