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Casal comemora Bodas de Vinho no Dia dos Namorados

Leonida e Carlos Grunewald casaram-se em 12 de junho de 1948, no dia em que se criou, no Brasil, a data dos apaixonados

Créditos: Alício de Assunção
Companheirismo: Leonida (86) e Carlos Grunewald (94) dividem a vida e bons hábitos, como um saudável copo de vinho - Alício de Assunção

Forquetinha - Embora passados 70 anos, o 12 de junho de 1948 permanece vivo na lembrança de Leonida (86) e Carlos Grunewald (94), residentes à margem da rodovia que liga a sede do município com Sério. Agricultores aposentados, eles recordam que, nesse dia, foram até Lajeado para celebrar o casamento. Mal sabiam eles que selavam um compromisso, que dura até hoje, justamente no dia em que era criada, por um publicitário paulista, a comemoração dos namorados no Brasil. "Ficamos sabendo isso mais tarde, e aí parece que ainda ficou mais forte nossa união", conta Leonida. "Recordo até da escrivã que nos casou, chamava-se Dolores Ruschel Reckziegel. Voltamos para Forquetinha e então casamos na Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). Estamos juntos até agora", comenta seu Grunewald, que embora com dificuldades para se locomover, se emociona ao se dirigir a esposa. "Não foi nada fácil esse tempo todo, mas graças ao companheirismo dela chegamos até aqui. Houve uma época em que resolvemos nos mudar para Santa Catarina, tentar uma vida melhor. Éramos novos. O resultado é que saímos daqui com uma mudança num caminhão e voltamos 11 meses depois, de ônibus e somente com uma mala. Mas Leonida sempre esteve junto, e recomeçamos tudo de novo." Opinião semelhante a esposa tem sobre ele. "Sempre foi um bom companheiro, trabalhador, caseiro, não era de sair para as bodegas ou se divertir sozinho. Tudo isso nos ajudou a superar as dificuldades."

O chimarrão e o vinho
Entre tantas coisas em comum, o casal faz questão de manter o hábito do chimarrão de manhã cedo, ao redor do fogão a lenha, e de um copo de vinho, dividido entre os dois durante o almoço. "O médico disse que só posso tomar dois goles diariamente", afirma Carlos Grunewald, resignado. Já Leonida ainda mantém o hábito de dar uma capinada no pátio todos os dias. Criadores de gado de corte, com o filho Paulo Erno e a esposa, que residem próximos, da união do casal formou-se uma prole composta ainda pelas filhas Nair e Silvana, nove netos e dez bisnetos. No próximo sábado, todos vão comemorar a data.

Passado
Carlos Grunewald faz também um comparativo sobre as épocas vividas. "O melhor período foi no tempo do governador Leonel Brizola. Plantávamos e criávamos de tudo, e os preços eram justos com o que produzíamos. Hoje, a agricultura não é valorizada tanto assim." A casa em que residem também faz parte da história da família Grunewald. Foi construída pelo pai de Carlos, Érico, em 1914. Na vizinhança, Carlos é conhecido também como o "senhor das valetas", pois, por muitos anos, por conta própria, limpava os buracos formados à beira da rodovia que passa em frente a sua casa. A receita para chegar aos 70 anos de casamento? O casal é unânime: "Companheirismo, ouvir o outro e dividir problemas e alegrias".

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