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Comunidade se despede de irmã Helenita

Helenita Machado, das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, faleceu na noite de quinta-feira

Créditos: Julian Kober
�ltimas homenagens da congregação e do Colégio Madre Bárbara - Julian Kober

Lajeado - Irmã Helenita Machado (92), da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, faleceu na noite de quinta-feira. Mais de cem pessoas próximas e familiares renderam as últimas homenagens à religiosa, que atuou mais de 35 anos em Lajeado. Elenita morreu vítima de infarto, na moradia das irmãs, no Bairro Hidráulica. Horas antes, manteve a rotina de visitar as famílias vizinhas, sempre com preparos caseiros. Faltou à missa de Ação de Graças por um motivo especial, cuidar da irmã Dorildes Piovesan, que se recupera de uma cirurgia de catarata.

A diretora do Colégio Madre Bárbara, Maria Elena Jacques, prestou uma homenagem a Helenita em nome da instituição, mantida pela congregação. Ressaltou a dedicação e o apoio nos eventos da escola. "Ela estava presente e sempre foi muito prestativa. Participou de todas as nossas festas juninas. Nos jantares, não era incomum encontrá-la na cozinha lavando louça com as aspirantes E sempre com um sorriso brando, de pureza e de paz."

Maria Elena não conteve as lágrimas ao recordar da dedicação da irmã Helenita e sua bondade ao próximo, que sempre tinha uma mensagem de conforto e carinho para compartilhar. E, mesmo aos 92 anos, não mediu esforços e dedicou sua vida à fé, sendo um exemplo de superação e amor a Deus. "Foi uma pessoa que só semeou e praticou o bem. Cada pessoa na sua vida tem um espaço, que cada um ocupa naquilo que achar que melhor se identifique e que espelha a sua vida. E a irmã Helenita teve o maior testemunho de amor, de fé, de servir e de estar para o outro", disse, pedindo para que a religiosa siga, lá do céu, a conduzir o colégio. "Ela foi uma grande heroína na terra."

Para a vice-diretora do Madre Bárbara, irmã Anita Dalpiva, Helenita foi uma figura muito importante para a congregação, sendo exemplo para todas, e muito atuante na comunidade. "A gente olhava para ela e sabia o que era ser irmã. É como aquela estrela lá na frente, apontando o caminho. Seu jeito querido materno foi muito importante." Natural de Frederico Westphalen, Elvira Machado, seu nome de batismo, era de uma família de 12 irmãos. Desde nova, tinha um apreço muito grande à vida da congregação e muito fé em Cristo. Assim, após os 20 anos, decidiu tornar-se irmã, adotando o nome Helenita.

 

Vida dedicada à fé
A sobrinha de Helenita, Clair Silva de Souza (44) veio de Caiçara, noroeste do Estado, com outros familiares, para se despedir e homenageá-la. Conheceu a "tia Téia" aos 6 anos, e apesar da distância, aproveitou cada momento ao seu lado. "Ela sempre foi um exemplo de amor e de uma vida dedicada à fé." Apesar da rotina da congregação, Helenita não deixava de visitar a sobrinha e seus irmãos em datas comemorativas, que ficarão guardadas para sempre na memória de Clair. "Viajamos de avião para o Mato Grosso. Ela achava que não ia mais conseguir. Fomos em sete. Foi lindo."

Para Clair, um dos principais ensinamentos da religiosa é a importância da caridade. "É uma herança muito mais importante que qualquer bem material. Queremos ensinar para os nossos filhos a importância de ajudar o próximo."

 

Vovó dos pobres
Helenita também foi uma presença marcante na Comunidade Nazaré, a casa das irmãs no Bairro Hidráulica. A irmã Teolide Secretti, que morou com ela em Gravataí, Taquari e Lajeado, conta que a religiosa era muito dedicada nas suas visitas aos doentes. "Todas as sextas-feiras, ela ia na casa dos enfermos para ajudar. Não existe pessoa igual." A irmã também ficou conhecida como a vovó dos pobres, pelo seu carinho e esforço para ajudar os desprovidos. "Eles batiam na porta da casa e pediam pela vovó. Então, a irmã Helenita surgia na porta e pedia para a pessoa esperar enquanto ela ia preparar uma viandinha para entregar." A irmã Janice Hoefle conheceu Helenita ao entrar na congregação e ficou encantada com o acolhimento que recebeu da religiosa. Recentemente, teve a oportunidade de morar com ela. "Percebi o quão grande era o carinho dela com as meninas que entravam para seguir a vida religiosa. Confiava e apostava em todas, na esperança de que a vocação poderia desabrochar."

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