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Cubanos devem voltar para casa até o Natal

Profissionais do Mais Médicos que atuam em Lajeado comunicam decisão do governo a secretário da Saúde

Créditos: Julian Kober
UBS Universidade pode absorver demanda com desligamento de profissionais do Mais Médicos - divulgação

Lajeado - O secretário municipal de Saúde, Tovar Musskopf, reuniu-se ontem com três cubanos que atuam no programa Mais Médicos. Os profissionais revelaram que, por ordem de seu governo, devem retornar a Cuba entre 25 de novembro e 25 de dezembro. Trata-se de uma reação de Havana após anúncio do presidente eleito, Jair Bolsonaro, de expulsão pelo Revalida. "Ainda não sabemos a data específica para que eles retornem. Esta informação deve ser anunciada nos próximos dias", afirma Musskopf.

São nove médicos daquele país em atuação nos postos de saúde de Lajeado - São Bento, Campestre, Jardim do Cedro, Moinhos, Montanha 1, Morro 25, Santo Antônio, São José e São Cristóvão - em 11 vagas do programa. Uma está em aberto, devido à saída de um cubano, e outra foi preenchida por um brasileiro.

Para substituir os cubanos, o município analisa a possibilidade de contratar profissionais brasileiros. Entretanto, geraria uma despesa superior a R$ 2,4 milhões por ano. "Atualmente, o município paga cerca R$ de 3.256,32 por mês aos profissionais do Mais Médicos, utilizados para moradia, comida e transporte. Com a eventual saída dos cubanos, a contratação de um substituto sairia mais de R$ 20 mil por mês aos cofres públicos", explica o secretário. Outra alternativa seria o remanejo de profissionais de outros postos, o que vai influenciar no atendimento.

UBS Universidade
Uma nova Unidade Básica de Saúde (UBS) será criada, por meio de parceria entre a prefeitura e a Universidade do Vale do Taquari. A UBS Universidade ficará no Centro Clínico da Univates e vai contar com a atuação de professores e alunos do Curso de Medicina. Em contrapartida, o município vai contratar profissionais de enfermagem, técnicos de enfermagem e administração. Conforme o secretário Tovar Musskopf, a previsão é de que ela comece a funcionar a partir de janeiro, das 14h às 22h. "É um novo serviço com um novo local de atendimento", afirma. Ressalta que a parceria com a universidade já havia sido feita antes do anúncio da saída dos cubanos. "Vai ajudar a amenizar a situação."

Saiba mais
O presidente eleito, Jair Bolsonaro, reiterou na sexta-feira que a decisão de impor novas exigências aos profissionais cubanos, vinculados ao Programa Mais Médicos, tem razões humanitárias para protegê-los do que considera "trabalho escravo" e preservar os serviços prestados à população brasileira. Ele garante que o programa não será suspenso.

Entre as medidas, estão fazer o Revalida - prova que verifica conhecimentos específicos na área médica, receber integralmente o salário e poder trazer a família para o Brasil. Cuba decidiu deixar o programa após as declarações de Bolsonaro. O Ministério da Saúde informou na sexta-feira que a seleção dos brasileiros em substituição aos cubanos ocorrerá ainda este mês.

O rompimento do acordo com o governo cubano foi anunciado há três dias, quando o Ministério de Saúde Pública de Cuba informou que não atenderia às exigências do governo eleito. Para Bolsonaro, é fundamental que os profissionais cubanos passem pelo Revalida. "Será que nós devemos destinar (esse atendimento) aos mais pobres sem qualquer garantia que eles sejam razoáveis, no mínimo? Isso é injusto e desumano."

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