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Demandas no INSS triplicam na região

Segundo órgão público, pedidos de aposentadoria aumentaram em 200% desde o início dos trâmites da Reforma da Previdência em Brasília durante o governo do ex-presidente Michel Temer

Créditos: Cristiano Duarte
TRANSFERIDA: sem atendimento de perícia no INSS em Estrela, a atendente Márcia Dutra foi encaminhada para Lajeado - Cristiano Duarte

Lajeado - Há 6 anos que o pedreiro Mário de Matos (53) luta contra o quadro de leucemia. Durante certo período, com a vitória sobre as sessões de quimioterapia, ele recebeu alta e voltou às atividades. Porém, a doença voltou a lhe impedir de trabalhar. Faz mais de dois anos que ele trava uma busca incessante pela volta do benefício de auxílio-doença no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). "Até voltei a trabalhar na minha área. Mas, infelizmente, não consigo mais executar meu ofício como antes", conta.

A demora para a conquista do benefício também assola Edegar Rodrigues, que trabalha no setor gráfico. Vítima de um acidente, ele precisou passar por uma cirurgia. Há mais de 30 dias enfrenta a fila de espera no saguão de atendimento do INSS.

"Hoje passarei por mais uma sessão de espera. Ainda estou sem receber o benefício. Isso tem complicado bastante meu orçamento", comenta.

Segundo o órgão público, o aumento na demanda de serviço no INSS triplicou desde 2016, após o impeachment de Dilma Rousseff (PT) pela suspeita de pedaladas fiscais durante seu governo.

No governo do ex-presidente Michel Temer, preso no dia 21 de março suspeito de liderar uma organização criminosa de desvio de verba pública durante 40 anos, a Reforma da Previdência tomou força em Brasília, milhares de pessoas têm recorrido ao INSS na tentativa de aposentar-se antes de o projeto ser aprovado.

É o caso da serviços gerais estrelense Rosani Terezinha (54). Com 22 anos de contribuição, o período de 25 anos passará para 30 com a Reforma. Sofrendo de fibromialgia, osteoporose e artrose degenerativa, ela tenta aposentar-se por invalidez. Em sua profissão, nas últimas oportunidades que teve, acabou sendo demitida por não conseguir cumprir todas as funções.

"Sinto muita dor no corpo. No meu último emprego, tinha que subir escadas, limpar depósito e fazer limpeza em vidros. Sentia muita dor. Não tinha como trabalhar. Já fiz perícia e os médicos negaram o meu benefício. Eles estão fazendo isso com todo mundo. Ninguém mais consegue se aposentar por doença em Estrela. Por isso eles estão recebendo tantos processos jurídicos", desabafa.

Também de Estrela, a atendente comercial Márcia Dutra (52) tentou a prorrogação do benefício de auxílio-doença, porém, o município não conta mais com o serviço de perícia e ela acabou sendo encaminhada para Lajeado.

"Isso piorou muito nossa rotina em Estrela. Estávamos acostumados com o atendimento aqui. Agora temos que nos deslocar para outra cidade para termos alguns serviços".

No INSS de Estrela, dos mais de dez funcionários que trabalhavam, a maioria se aposentou e outros foram transferidos para outras cidades. O órgão público nega que fechará as portas em Estrela e afirma que qualquer informação a este respeito é falsa. Também diz que não há previsão de efetivação de novos servidores na unidade.


Segundo a advogada especialista em direito previdenciário, Marilu Scharz, atualmente, são mais de 3 milhões de processos de aposentadorias parados no país.


"As pessoas estão aflitas com a Reforma da Previdência e temem demorar muito tempo para a conquista da aposentadoria. Com a falta de servidores, o INSS não tem dado conta de atender os três quesitos básicos de seus serviços: auxílio-doença, pensões por morte e salário maternidade. Tenho uma cliente que é mãe de gêmeos e está há três meses esperando pelo benefício", relata a jurista.

 

 

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