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Diagnóstico de HIV aumenta 116% em oito anos na região

Seguindo a tendência do Brasil, sistema de saúde detectou mais casos do vírus


- Lidiane Mallmann

Embora a maior parte dos países tenha conseguido diminuir o número de infectados pelo vírus HIV de 2010 a 2018, o Brasil transita na contramão deste dado e teve um aumento de 21% no índice de casos. Os indicadores são do relatório anual do Unaids, programa das Nações Unidas. O HIV ataca o sistema imunológico e pode causar a Aids. A situação também é sentida no Vale do Taquari.

A região atendida pelo Serviço de Assistência Especializada (SAE) de Lajeado, que inclui municípios da 16ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), segue a mesma tendência do país. Nestes oito anos, o número de pessoas diagnosticadas com o vírus subiu 116%. Conforme levantamento do SAE, em 2010, o sistema identificou 62 infecções por HIV. Já em 2018, foram 134 casos. Os indicadores incluem pessoas de toda a área da 16ª CRS. Só neste ano, até 1º de julho, o SAE já detectou o vírus em 54 pessoas. Destes, 23 são moradores de Lajeado. O número de pessoas infectadas é ainda maior, pois muita gente tem o vírus e não sabe.

Conforme a assistente social e coordenadora do SAE, Waldirene Bedinoto, um dos fatores que justifica o aumento nos índices é a chegada da testagem rápida. Com a facilidade do exame no Sistema Único de Saúde (SUS), mais pessoas conseguiram detectar a presença do vírus e iniciar o tratamento. No entanto, além disso, é necessário ressaltar que o número de casos também aumentou devido a transmissão do vírus.

Além de usar preservativo nas relações sexuais, a assistente social explica que as pessoas devem procurar o SUS e realizar o teste rápido, pois quanto mais cedo o vírus for detectado, menores as chances de ele evoluir para a Aids. "A pessoa não pode deixar de se testar por medo de saber do diagnóstico. Quanto mais cedo se inicia o tratamento, menos infecções oportunistas a pessoa vai ter e também não vai transmitir", destaca. Waldirene ressalta que o sistema de saúde do município é preparado para atender as demandas deste grupo. "Nós temos na rede todo o aparato disponível para fazer o diagnóstico e tratar essas pessoas", acrescenta.

Alguns estudiosos do assunto destacam que os infectados com o vírus, que fazem o tratamento e ficam indetectáveis não têm mais chances de transmitir a doença. Outros alegam que ainda há possibilidade. Todos reforçam, porém, que é necessário sempre usar preservativo nas relações sexuais para evitar o HIV e as demais doenças sexualmente transmissíveis. Uma delas, é a sífilis, que vem aumentando os índices a cada ano. Conforme o SAE, até maio deste ano, 238 casos da doença foram detectados na área da casa de saúde.

Município é bom exemplo em testagem rápida

Além da necessidade do uso de preservativos, é importante realizar, pelo menos, uma vez no ano, a testagem rápida. O SAE de Lajeado trabalha de forma intensa na divulgação deste mecanismo. Só neste ano, até maio, foram realizados 5.043 testes no município. No ano passado, foram 10.838, o que colocou a cidade em primeiro lugar do Rio Grande do Sul no número de testagens.

940 atendidos só de Lajeado

O tratamento da Aids foi municipalizado em 1999. Com isso, surgiu o Serviço de Assistência Especializada (SAE). No caso de Lajeado, o SAE tem cadastrado no sistema desde aquele ano, 1651 pessoas. Dentro do número, há moradores de todos os municípios da 16ª Coordenadoria de Saúde. Destes 1651, 940 dos cadastros são de moradores de Lajeado.

Ainda dos 1651, 332 já fizeram transferência para receber atendimentos em outras unidades de saúde, 927 continuam recebendo acompanhamento, 171 são crianças que foram cadastradas por serem filhos de mãe com HIV, mas que não contraíram a doença e 221 morreram. O número de óbitos traz um alerta, pois 153 foram masculinos e 68 femininos. Conforme Waldirene, os homens são mais resistentes em realizar o teste rápido e acabam demorando mais para procurar o tratamento.

Como identificar o HIV?

Em Lajeado, as pessoas podem procurar o Serviço de Assistência Especializada em DST/AIDS, na Rua Alberto Torres, 560, no Centro ou o posto de saúde do bairro onde moram para fazer um teste rápido. Conforme o médico infectologista e professor do Curso de Medicina da Univates, Guilherme de Campos Domingues, o teste se trata da retirada de uma amostra de sangue do dedo que aponta a presença do HIV, hepatite B e C e sífilis.

O profissional ressalta que o teste leva de 15 a 30 minutos para ficar pronto e pode ser retirado na hora. A recomendação é que todo mundo que tenha vida sexual ativa realize o procedimento anualmente. A verificação das doenças é gratuita e só é necessário apresentar um documento de identificação para o teste.

Quais são os passos após a descoberta do vírus

Conforme o médico, Guilherme de Campos Domingues, que também atua no Serviço de Assistência Especializada (SAE) de Lajeado, após o paciente descobrir o vírus, ele é encaminhado para o SAE. Na casa de saúde, o primeiro passo é uma avaliação com a equipe de enfermagem. Depois, ocorre uma consulta médica com o profissional. Todo o encaminhamento é feito, geralmente, na mesma semana, pois não é preciso participar de fila de espera.

Caso o paciente não tenha nenhuma outra doença causada pela imunidade baixa, ele já começa com o tratamento antirretroviral. O médico destaca que os medicamentos e o acompanhamento são fornecidos de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo Domingues, todas as pessoas que têm o HIV devem fazer o tratamento. A Aids aparece quando o vírus está em um estágio avançado e diminui a capacidade do organismo de combater infecções.

Brasil tem sucesso em tratamento

Ainda que o país tem apresentado aumento no número de infectados com o vírus, o relatório da Unaids apresentou um número positivo sobre o tratamento do HIV no país. Conforme os indicadores, 90% das pessoas com o vírus no Brasil devem estar devidamente diagnosticadas até 2020. Além disso, o país é apontado como único que deve ter 90% do pacientes com carga viral indetectável. O número indica sucesso no modelo de tratamento usado atualmente.

 

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