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Do triássico à via láctea

Irmãos Giongo criam dinossauros, guerreiros vikings e até extraterrestres com jornal

Créditos: Jean Peixoto
Variedade: entre dinossauros, extraterrestres e miniaturas medievais, Paulo Cesar Giongo e Airton Giongo abrem as portas de sua casa - Jean Peixoto

Lajeado - Há aproximadamente 270 milhões de anos, duas bestas pré-históricas disputavam o domínio do Vale de Kohan, onde hoje fica o município de Lajeado. Os arqui-inimigos Vulcano e Cronus lideravam grupos rivais, que protagonizaram a maior batalha de todos os tempos, conhecida como Fúria de Titãs. O confronto épico durou décadas. Os relatos acima podem até não constar nos livros de História, mas no imaginário dos irmãos Paulo Cesar Giongo (53) e Airton Giongo (55) estão mais vivos do que nunca. A dupla de ex-garimpeiros, que construiu um parque temático nos fundos de casa, no Bairro Florestal, se prepara para iniciar uma série de oficinas de artesanato em escolas do município, no próximo ano. A dupla vai passar até uma semana em cada uma de cinco a serem selecionadas.

O Vale dos Dinossauros foi um sonho esculpido pela criatividade dos irmãos lajeadenses e inaugurado em 29 de novembro de 2011. Autodidatas na arte da escultura, seu talento para os trabalhos manuais foi forjado ao longo dos 25 anos em que atuaram nos garimpos de pedras preciosas, como ametista e citrina. Em oito anos de ateliê, os Giongo já produziram mais de seis mil peças com materiais recicláveis como jornal, papelão, caixas de ovo e arame. As miniaturas, com cerca de 30 centímetros de altura, são comercializadas no local. Já os maiores, que podem chegar a dois metros de comprimento por 1,8 metros de altura, ficam expostos na garagem, aberta à visitação diariamente.

 

Aprendendo na prática

O que começou por curiosidade se transformou em profissão de forma despretensiosa. Fã de desenhos animados como Scooby Doo, Tom & Jerry e Bob Esponja, Paulo Cesar conta que a ideia surgiu em um sábado de 2010, enquanto assistia a um quadro do Disney Channel. "Tudo teve início quando eu vi um programa na TV chamado Art Attack. O Daniel (apresentador) ensinou como confeccionar Gremlins - personagens do filme homônimo, lançado em 1984 - com papel e cola."
No entanto, a primeira tentativa não foi bem-sucedida. "Era para sair um dinossauro, mas parecia uma iguana", conta Cesar. De tão insatisfeito, o primeiro dinossauro dos Giongo foi parar na lixeira. "Me arrependo até hoje", lamenta. Mas o segundo, feito no mesmo dia, ainda segue exposto no Vale. Empolgado com o novo aprendizado, Cesar seguiu fazendo as miniaturas. Quando percebeu, já tinha produzido 38 exemplares. Ele conta que um professor do Colégio Evangélico Alberto Torres (Ceat) viu o seu trabalho e o convidou para expor. "Era para ficar lá por uma semana, mas vieram alguns professores do Paraná e pediram para que ficasse por mais um mês", lembra. Logo, Airton também se interessou pelos dinossauros e se juntou ao irmão. "Acredito que só existem duas maneiras de aprender as coisas: estudando ou fazendo. Nós aprendemos fazendo. Há técnicas que usávamos seis anos atrás e hoje são impensáveis", ressalta.

 

Do Florestal ao espaço sideral

Em meio a velociraptors, estegossauros e triceraptops, uma imagem se destaca na área externa da oficina. Com cerca de 1,8 metros de altura e pele verde recoberta com glitter, quem vigia a porta do Vale é o XKR-21, um extraterrestre construído de jornal e arame pelos irmãos. Fruto da mente inquieta de Paulo Cesar, o alienígena é um guerreiro vindo do planeta Kanzakk. Mas não é o único. Com menores estaturas e de cores variadas, outros pequenos alienígenas compõem a pitoresca reconstrução do período triássico, moldada pela imaginação dos lajeadenses. "Algumas das espécies de dinossauros realmente existiram, mas outras, fomos nós quem criamos", conta Airton. Um exemplo dessa diversidade é o porongossauro, a escultura de uma espécie que jamais existiu, construída com porongos e cuias.

 

Humanos

Na parede da sala que antecede o parque, repousa a imagem de John Lennon, que observa silencioso a coleção de figuras humanas confeccionadas pelos irmãos Giongo. "O Airton é fã de Beatles. Estas peças nós fizemos para um evento na Univates", conta Paulo Cesar. Do homem das cavernas ao presidiário, a dupla reconstruiu a linha evolutiva da humanidade sob a sua ótica. Outra novidade são as miniaturas de guerreiros vikings com armaduras, elmos, espadas e escudos.

 

Visitação

O Vale dos Dinossauros fica na Rua José Schmatz, 330, no Bairro Florestal. O parque temático é aberto diariamente para visitação, das 9h às 19h, com entrada no valor de R$ 5. Excursões em grupo podem ser agendadas pelos números (51) 98538-4087 e (51) 991885700, ou pelo e-mail [email protected]

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