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Em 2018, nova sede para a Fundef segue como pauta para instituição

Prefeitura de Lajeado e fundação buscam, conjuntamente, terreno que possa servir para a instalação da sede própria

Créditos: Lucas George Wendt
DEMANDA: grande fluxo motiva a procura por um espaço maior e específico - Lidiane Mallmann

Lajeado - Ao longo de 2017 foi dado início a um novo episódio relacionado à construção da sede própria da Fundação Para Reabilitação das Deformidades Crânio-Faciais (Fundef). A atual gestão da Prefeitura, considerando o mapa de uso de solo do Plano Diretor de Lajeado, tornou pública a informação de que o local, conforme o documento, era considerado impróprio para a instalação da sede da instituição.

A alteração do Plano Diretor da cidade, o que permitiria a construção da sede no Bairro Universitário, havia sido prometida à Fundef pela Administração de 2014.

No momento do comunicado da Prefeitura ressaltando a negativa sobre as mudanças no Plano Diretor que seriam necessárias para contemplar o empreendimento, no último ano, a Fundef já havia comprometido cerca de R$ 200 mil de valor arrecadado por meio de campanha para o trabalho do escritório de arquitetura responsável pela projeção do hospital. A partir disso, a Prefeitura busca oferecer outros locais para a Fundação, e as negociações seguem.

A estrutura atual intencionada pela Fundef tem uma área de 7,3 mil metros quadrados - um empreendimento com espaço para 50 leitos. O presidente da Fundef, médico Alain Viegas Detobel, diz que os trabalhos em prol da sede própria seguem em 2018.

De acordo com o presidente, propor alterações no Plano Diretor vigente para viabilizar as futuras instalações no endereço anterior vai contra a lógica do município, que está trabalhando em novo plano - atualmente um documento que será transformado, em breve, em Projeto de Lei para apreciação na Câmara.

"É uma questão de coerência". Na avaliação do gestor, considerando que o espaço não chegou a ser ocupado, "a não ser o tempo, não existiram perdas". Para ele, é importante a Fundef estar em consonância com o entorno.

"Tivemos que abdicar do terreno anterior, mas seguimos engajados no projeto." Na opinião do presidente, a empresa que executou o projeto arquitetônico tem a intenção de manter a parceria, por isso irá trabalhar com a readaptação do projeto para o novo local assim que ele estiver definido. "Se dependesse dos desejos já estaríamos dentro do prédio", diz.

Nas prioridades da instituição, está garantia de um novo espaço. "Primeiro temos que ter o terreno, depois planejaremos as outras etapas. É precoce divulgar qualquer informação", finaliza.

Diálogo
O secretário de Planejamento e Urbanismo de Lajeado, Rafael Zanatta, explica a decisão da Prefeitura em suspender o uso do terreno no Bairro Universitário. "Quando analisamos o projeto, percebemos que o local não era adequado", diz. A área possui um zoneamento residencial, e instalar ali um hospital não seria benéfico, conforme justifica a gestão municipal, nem para os moradores do entorno, nem para os pacientes da Fundação. Zanatta comenta que as condições geográficas do terreno, a proximidade com cursos de água e o entorno residencial não eram favoráveis. "Era uma região delicada e deslocada do centro da cidade", avalia.

Ele destaca que Lajeado é uma parceira da Fundef, e que diversas conversas estão acontecendo para definir a questão, dada a importância no empreendimento em um nível que vai além do municipal. "O município está buscando áreas que possa oferecer. Além de encontrar um local bom, o entorno precisa ser estudado", conclui.

O coordenador de relações comunitárias e setoriais da prefeitura de Lajeado, Ítalo Reali, diz que, entre áreas que estão sendo analisadas, duas delas já foram sinalizadas positivamente pela Fundef. Uma é entre os Bairros Moinhos D'Água e São Bento, às margens da ERS-413, e a outra é na RS-130, no Bairro Florestal. O município assegura que uma solução será encontrada.
"Estamos cada vez mais perto", diz o coordenador.

Para ele, é essencial que se busque uma região que ofereça fácil possibilidade de acesso, uma vez que os atendimentos são realizados a pacientes vindos de todo o RS. Reali avalia que estas duas áreas são promissoras, porém nada está firmado ainda. Reali diz que sempre serão considerados pelo município o entorno e os aspectos legais de cada espaço.

A história do projeto
Há meia década a Fundação Para Reabilitação das Deformidades Crânio-Faciais (Fundef) segue com a intenção da construção de uma sede própria na cidade. Esse é o tempo que as fases premilinares do processo estão levando para tramitar nas diferentes instâncias. A intenção de funcionar em um espaço próprio é ainda mais antiga: existe, conforme o presidente da entidade, há pelo menos dez anos.

Em 2014, em fevereiro, o objetivo começou a tornar-se palpável. Na época, uma área na Rua Rio Grande do Norte, no Bairro Carneiros, era intencionada para a construção do Hospital da Fundef.
O terreno tinha cerca de 8,9 mil metros quadrados. Pouco mais tarde, em maio daquele ano, a Fundação perdeu uma verba de R$ 2 milhões de uma emenda federal que seria repassada pelo Ministério da Saúde para construção do local.

Em dezembro daquele ano, a Câmara de Vereadores, concordou que a Prefeitura doasse um terreno de seis mil metros quadrados à Fundef, área localizada na Rua Pará, no Bairro Universitário.
Em agosto de 2015 foi lançado um projeto de captação de recursos para pagamento do projeto arquitetônico.

O objetivo era somar, até o final de abril de 2016, cerca de R$ 252 mil reais. Ainda em 2015, em outubro, médico Wilson Dewes, um dos fundadores da Fundef viajou para Brasília para explicar aos parlamentares na capital federal o funcionamento da entidade, que beneficia pessoas de todo o RS.

Após a arrecadação do valor intencionado, foi iniciada a fase de projetos - são quase duas dezenas de projetos complementares entre os que devem ser apreciados pelos bombeiros, Prefeitura e Saúde. Ao mesmo tempo, foi iniciada a segunda etapa do projeto de estruturação da sede, a realização de uma campanha nacional que previu a arrecadação de mais de R$ 15 milhões, destinados à construção do hospital.

Em maio de 2016 o então prefeito de Lajeado, Luís Fernando Schmidt, assinou a escritura pública da área de destinada à Fundef no Bairro Universitário.

O município realizou formalizou a doação do terreno de área de 6,2 mil metros quadrados na Rua Pará. O acordo entre a Prefeitura e a Fundef previu que esta última realizasse, em contrapartida à doação do terreno, a pavimentação dos trechos das ruas Pará e Passarela, entre as quais a área estava inserida, pavimentasse as calçadas de passeio, construísse praça infantil com oito aparelhos, uma academia ao ar livre com 18 aparelhos e uma quadra de esportes sem cobertura, além de cercar as áreas de lazer.

A Fundef
A Fundef atua como referência para 14 das 19 Coordenadorias Regionais de Saúde (CRS) do RS. O cadastro geral da entidade apresenta como 2,8 mil o número de pacientes atendidos com fissura lábiopalatina. Na área da audição, são aproximadamente 8,5 mil pacientes. Os atendidos são direcionados à Fundef oriundos de mais de 300 municípios do RS. A Fundação funciona junto ao Hospital Bruno Born, no Centro.

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