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Em 2018, uma Lajeado modelo 3D: distante, dispersa e desconectada

Diagnóstico apresenta cenário e aponta os desafios do município. Meta do Plano Diretor é encaminhar a cidade para um modelo 3C: compacto, conectado e coordenado

Créditos: Luísa Schardong
PLANO: cenário atual aponta para pouco aproveitamento das áreas urbanas - Lidiane Mallmann/arquivo O Informativo do Vale

Lajeado - Com cerca de 80 mil habitantes, a maior cidade do Vale do Taquari viveu, na última década, um boom imobiliário e econômico, expandindo seu perímetro urbano para áreas mais distantes do Centro. Em seu último Plano Diretor (PD), Lajeado adotou um modelo de ocupação territorial chamado 3D: distante, disperso e desconectado. É assim que a Secretaria de Planejamento e Urbanismo (Seplan) classifica o crescimento desordenado dos últimos anos, endossando um conceito do WRI Brasil Ross Centro, uma organização internacional sem fins lucrativos.

Um diagnóstico, fruto da revisão do PD, explica que o espraiamento de Lajeado é resultado da setorização das funções urbanas e de um desenvolvimento que incentiva viagens motorizadas. Professor de Arquitetura e Urbanismo da Univates, Alexandre Pereira Santos participou desse levantamento. "Na década de 1990, aquele PD queria aumentar a construção civil e alavancar a economia - e conseguiu. Mas, para isso, permitiu-se edificar quase em qualquer lugar da cidade", diz. "A maioria optou por áreas centrais ou muito distantes, e isso causou buracos no mapa: embora a densidade total de Lajeado seja considerada baixa, de um lado temos uma concentração exagerada de gente e de outro quase ninguém."

De acordo com a prefeitura, a maior parcela populacional fica no Centro, além dos bairros Santo André, Florestal e Americano, onde são contados entre 71 a 120 habitantes por hectare. Depois, vêm o Centenário, Montanha, São Cristóvão, Moinhos, Conservas, Santo Antônio e Morro 25, com 44 a 70 habitantes por hectare.

Já os bairros Jardim do Cedro, das Nações, Hidráulica, Alto do Parque, Universitário, Campestre e Olarias contam entre 44 a 70 habitante por hectare. Os menos habitados (e mais distantes do Centro) são os bairros Planalto, Imigrante, Igrejinha, Conventos, Bom Pastor, Moinhos D'Água, São Bento e Floresta, com no máximo oito habitantes por hectare.

Consequências
O professor Alexandre Pereira Santos frisa que esse distanciamento da área comercial da cidade causa impactos sociais que atingem, principalmente, populações de rendas mais baixas. "Elas se concentram para a periferia por causa da dinâmica de valorização do solo, e isso exige grandes deslocamentos diários em direção aos centros, que convergem os pontos de trabalho, gerando congestionamentos, prejudicando a qualidade de vida. Já vemos isso claramente nos limites de Lajeado."

Para ele, questões de mobilidade, de densidade urbana e de infraestrutura viária compõem os desafios que o PD tem pela frente. "Paralelo a isso, a questão do saneamento também preocupa, pois o padrão atual não trata e não coleta adequadamente. Temos uma caminhada aí."

O que fazer?
À frente da Secretaria de Planejamento e Urbanismo (Seplan), Rafael Zanatta aponta que o ciclo 3D é improdutivo. O Plano Diretor vem para corrigir essas disparidades e mudar o modelo de desenvolvimento vigente. "Lajeado precisa ser 3C: compacta, conectada e coordenada", diz.

Mais do que mudar o modo de deslocamento, a ideia principal da revisão do PD é incentivar a geração de mais centralidades além das que existem hoje. "Identificamos oito potenciais dentro do município para virar um mini-centro. Entre eles, Conventos, São Bento, Olarias, São Cristóvão e Santo André. Elas estão começando a surgir e buscamos formas de melhorá-las, para não exigir que as pessoas se desloquem sempre para o Centro", explica. "Às vezes, elas dizem que não se importam de pegar o carro e vir ao Centro. Tudo bem, mas e quem precisa de ônibus que tem pouca oferta de horário? Não queremos que as pessoas sejam obrigadas a sair - elas podem querer, mas não podem ser obrigadas porque seu bairro não oferece uma opção pra elas." E completa: "o PD vem com alternativas para melhorar esse cenário. É com ele que vamos traçar esse caminho".

Modelo de cidade 3C
Crescimento compacto: controlar a dispersão urbana com medidas que promovam o adensamento populacional e construtivo em áreas providas de infraestrutura.
Infraestrutura conectada: reduz a necessidade de deslocamentos, promovendo a conexão entre diferentes centralidades, usos mistos e adensamentos adequados, incentivando o transporte ativo e coletivo.
Gestão coordenada: trata-se da gestão social da valorização da terra, com o objetivo de fazer com que parte da valorização imobiliária gerada pela implantação de infraestruturas e pelo aumento da densidade, do potencial construtivo e das atividades da área seja revertido em melhorias à coletividade.
Fonte: WRI Brasil Ross Centro

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