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Encontro de gerações alegra o Bairro Moinhos

Primeiro Chá de Banco do Projeto Vida Moinhos reúne crianças e idosos

Créditos: Jean Peixoto
Isabelly, Maria e Maria Eduarda estreiam no coral

Lajeado - Os passos lentos, conduzidos com o apoio de um andador, levam Navir Milhar da Silva até o centro do Ginásio de Esportes do Bairro Moinhos. Mas a dificuldade de locomoção não é um empecilho. Do contrário, é a motivação de quem tem gosto pela vida. Os olhos, marejados de alegria e recordações, liquefazem os bons momentos de outrora ao ouvir a versão de Aquarela do Brasil, interpretada por Fabiano Martins, durante o primeiro Chá de Banco, do Projeto Vida Moinhos, no mês passado. "Tenho tanto a lembrar, isso mexe com o coração", exalta dona Navir, como é conhecida. Na plenitude de seus 84 anos, ela fez questão de comparecer ao evento. A casa dos filhos foi substituída pelo Residencial Geriátrico Aliança há pouco menos de um ano, mas a alegria já se tornou uma constante nos seus dias. "Hoje, eu estou muito mais feliz. Tenho muitos amigos lá", relata.

Diretora do Projeto Viva Moinhos há um ano e oito meses, Luciana Lucian Pedó enaltece o caráter de integração da atividade. "Reunir pessoas de tantas idades é muito bom." Além da equipe do Projeto Vida Moinhos, o chá é promovido pela Estratégia de Saúde da Família (ESF) do bairro, agentes comunitárias de saúde e estagiários do Curso de Fisioterapia da Univates.
Orgulhosa pela formatura em Enfermagem há cerca de um ano, a agente comunitária e integrante da organização do evento, Vania Virti (65), destaca sua alegria em realizar o encontro. "Nós queremos promover a socialização entre as crianças e os idosos." Vania aproveita e revela um desejo. "Eu trabalho, hoje, pensando no futuro, pois também quero ser institucionalizada quando chegar o momento." O evento contou ainda com a apresentação do coral infantil Sociedade Lajeadense de Atendimento à Criança e ao Adolescente (Slan) e encerrou-se com o coral de idosos do Projeto Conviver.

 

Repertório atemporal

Da Aquarela, de Toquinho, à Maria, Maria, de Milton Nascimento, os músicos Solon Chaves e Andreia Marchini coloriram o ginásio com MPB. "Escolhemos duas canções que pudessem traçar esse paralelo entre infância e terceira idade, já que hoje temos uma plateia de idosos e crianças", comentam. Moradores do Moinhos, eles relatam que ainda não tinham participado de atividades do projeto. "Até tínhamos um compromisso agora, mas cancelamos porque está muito bonito", diz Solon.

 

Um sorriso de muleta 

Quem vê o sorriso largo estampado em seu rosto não imagina a dor que castiga os joelhos da faxineira aposentada Araci Marques (70). Há cinco anos, cansada de perder a luta contra as cheias do Rio Taquari, Araci se mudou com o esposo para o Moinhos. Hoje, sua batalha diária é contra a dor nas articulações, que a obriga a andar de braços dados com uma muleta. "As meninas da fisioterapia da Univates vão à minha casa umas duas vezes por semana. Foram elas que me trouxeram aqui", conta. Entretanto, o problema adquirido ao longo de anos de pesadas faxinas não impediu a aposentada de se divertir. Esposa de músico, Araci se encanta com as apresentações. "É tudo muito lindo. Estou adorando."

Duas Marias, uma estreia 

A tiara de pelúcia cor de rosa modela os cachos negros da pequena Maria Braga Delazzeri (7). Ao seu lado, Maria Eduarda Matte (6) exibe um sorriso contagiante contornado pelos longos cabelos louros. Apesar dos olhares curiosos e da verborragia típica da idade, ambas se definem como tímidas. As duas Marias fazem parte do coral de pequenos do Projeto Vida Moinhos, que se apresentou durante o evento. Segundo a professora Ilete Sehn há, ainda, uma terceira Maria, que não pôde comparecer para completar a sua constelação. Entusiasmada com a estreia, Isabely Antônia Trevisan (6) também quer aparecer na foto e aproveita para revelar quem é a sua cantora favorita. "A profe Ilete."

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