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Estudante de Marques é ouro na Olimpíada Nacional de Matemática

Evento de premiação ocorreu no início da semana em Salvador, na Bahia

Créditos: Mônica da Cruz
- Lidiane Mallmann

MARQUES DE SOUZA | Aluna do 9º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Carlos Gomes, Franciele Carlos Willing (14) recebeu medalha de ouro na Olimpíada Nacional de Matemática. O evento de premiação ocorreu segunda-feira, em Salvador, na Bahia.

A premiação, referente às provas de 2018, é oferecida pela Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) e envolve estudantes de todo o país. Neste ano, apenas 5% dos estudantes obtiveram as maiores pontuações, e Franciele conquistou as melhores notas a nível nacional - 575 estudantes de escolas públicas e privadas de todo o Brasil ganharam medalhas.

A cerimônia de premiação ocorreu no Fiesta Bahia Hotel, em Salvador. A estudante foi acompanhada pelo prefeito de Marques de Souza, Edmilson Dörr, e pelo coordenador de Educação, Paulo Messias da Silva.

Franciele conta que sempre se interessou por matemática e jogos de lógica. Quando criança, ela gostava de montar quebra-cabeça e resolver problemas que envolvessem raciocínio. "Então, a matemática foi algo que sempre gostei e fui me interessando mais durante o tempo."

Contando com apoio dos pais e professores, a estudante sempre recorreu a eles para tirar dúvidas. Conforme Franciele, seus pais sempre lhe incentivaram e deram todo o apoio necessário para que ela seguisse estudando. Com várias professoras de matemática ao longo de sua vida estudantil, a moradora de Marques de Souza garante que todas foram fundamentais para que ela chegasse até a medalha de ouro.

A primeira vez que a aluna participou da Olimpíada de Matemática foi em 2016, quando conquistou o bronze. "Fiquei muito feliz, mas não esperava algo assim, o máximo uma menção honrosa", salienta. Em 2017, a conquista da prata e agora em 2019, com resultados referentes ao ano de 2018, a tão sonhada medalha de ouro.

Franciele revela que fica nervosa até chegar no local da prova, depois relaxa e, momentos antes de iniciar, o nervosismo aparece mais uma vez. "Mas daí eu começo a ver as questões e tudo passa. Me concentro e tento aproveitar ao máximo o tempo, porque ele é curto", frisa a estudante.

Para ela, a OBMEP abre diversas portas, uma vez que para os medalhistas há a possibilidade de integrar o Programa de Iniciação Científica (PIC). Através desta oportunidade, os alunos entram em maior contato com a matemática, o que, segundo a estudante, é algo incrível, especialmente para quem ama a disciplina.

Sobre o resultado da Olimpíada, Franciele conta que já sabia o dia da divulgação, por isso, assim que chegou da escola, correu para acessar o site. "Tentei pelo meu celular, pelo celular do meu pai, pelo da minha mãe, pelo computador e em nenhum lugar carregava. Tentei várias vezes e quando consegui, e vi meu nome lá, fiquei muito feliz, chorei de alegria e saí gritando 'consegui'", relembra.
Neste ano, Franciele está participando mais uma vez da Olimpíada de Matemática e já está, inclusive, classificada para a segunda fase, que ocorre no dia 28 de setembro.

Rotina

Franciele relata que não tem dias nem horários fixos para estudar. Tudo depende de como vai ser a sua semana, se haverá provas ou trabalhos. No entanto, às quartas-feiras pela manhã são dedicadas ao Programa de Iniciação Científica à distância. Mesmo sem uma rotina fixa, Franciele conta que sempre está em contato com a matemática. "De certa forma, os estudos estão na minha rotina, nem que seja na forma de lazer", destaca.

Nas semanas em que precisa estudar mais, a aluna tenta dar prioridade aos assuntos mais importantes. Entretanto, salienta que tenta intercalar momentos de maior concentração com de descanso. Para a prova da OBMEP, especificamente, ela estuda conteúdos que ainda não foram vistos em sala de aula, por meio do PIC.

Vida além da matemática

Não é só de matemática que Franciele vive. Ela também gosta muito de português, se dedica ainda mais ao inglês e tenta, sempre que possível, estudar o idioma. No tempo livre, a adolescente gosta de ficar com a família, assistir séries, ler livros ou ficar na internet. Na playlist de Franciele não faltam músicas internacionais e algumas nacionais, como, por exemplo, MPB.

Na literatura, a preferência é pela saga 'A Seleção', da escritora americana Kiera Cass. Porém, Franciele diz ler de tudo: terror, aventura, drama e romance. Quanto aos filmes, ela gosta muito de ficção científica, terror e romance. Suas séries favoritas também são exemplo de variedade: Grey's Anatomy, Friends e The 100.

Orgulho para a escola

Professora de matemática, Eveline Venter, diz que a conquista de Franciele é algo importante e especial não só para ela, como professora e também, para toda a escola. Para ela, isso é fruto de um trabalho conjunto, realizado por professores, comissão diretiva e funcionários da instituição. A profissional destaca que tenta sempre conhecer bem os alunos, para, dessa forma, incentivá-los e fazer com que eles gostem de matemática desde pequenos.

Para a professora, a medalha de Franciele mostrou o quanto os alunos, independentemente da área, são capazes de alcançar metas e objetivos. "Assim como a Franciele, a gente tem muitos alunos na Escola Carlos Gomes que se destacam, que vão se destacar ao longo dos anos, e é nisso que a gente aposta", salienta.

Eveline relata que apesar de ainda haver um grande tabu com a matemática, ela tenta mostrar aos alunos que gostar da disciplina, não é como gostar de um objeto. É preciso, em primeiro lugar, compreendê-la. "Eu tenho, na minha concepção, que gostar de matemática é entendê-la. No momento que eu entendo, eu gosto. E para entender a matemática, eu preciso de treinamento e bastante paciência", pondera.

Franciele com a professora Eveline, conquista compartilhada com toda a Escola (LIDIANE MALLMANN)

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