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Falta de matéria-prima interfere na entrega de remédios

Na Farmácia-Escola, 24 remédios industrializados e manipulados estavam em falta esta semana

Créditos: Camila Pires
- Lidiane Mallmann

Lajeado - O aposentado Lírio Presser (64) enfrentou, novamente em julho, dificuldades para conseguir seus remédios na Farmácia-Escola. Há cerca de três anos, o morador do Bairro Olarias, de Lajeado, vai mensalmente ao local buscar medicamentos para a diabetes e azia. Neste mês, porém, Presser não recebeu a metformina, que está em falta, assim como outras 23 fórmulas.

A situação de Presser é amenizada porque ele consegue retirar os remédios em uma unidade da Farmácia Popular. Mas este não é o caso de todos os usuários. Lajeado compra os medicamentos industrializados por meio do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Vale do Rio Taquari (Consisa VRT). Segundo a farmacêutica e diretora técnica do consórcio, Elisabete Angela Ferronato, um dos principais motivos que afetam as negociações atualmente é o cancelamento de itens por parte dos fornecedores. A justificativa é a falta de matéria-prima nos laboratórios.

Em um dos três pregões que estão em andamento, 44 medicamentos foram suspendidos. Ela também elenca outros fatores que podem ocasionar o atraso no fornecimento de remédios aos municípios. "Depende do recurso financeiro disponível, do planejamento da demanda dos medicamentos para tal período, do período que cada município leva para fazer o empenho em suas secretarias, do processo burocrático das penalidades aos fornecedores, do transporte disponível de cada município, das transportadoras."

Ainda de acordo com Elisabete, este ano, também há a influência da crise que afeta todo o país. "Devido às oscilações de mercado e, como as matérias-primas dos medicamentos dependem da importação e esta estar vinculada às liberações do governo, ressalto que a indústria farmacêutica tem enfrentado problemas na aquisição de matéria-prima. Por diversas vezes, deparam-se com situações que atrasam a chegada dos insumos em seus laboratórios."

Manipulados
A compra de matéria-prima para a produção dos medicamentos manipulados ocorre de forma direta, e é feita pelo município. "Os medicamentos devem estar disponíveis até o fim do mês de agosto, pois a matéria-prima necessita de testes de controle de qualidade antes de ser liberada para a manipulação", informa o farmacêutico da Farmácia-Escola, José Luís Batista.

Saiba mais
A Farmácia-Escola faz parte da rede de saúde do município, tendo somente a especificidade de dispensar os medicamentos controlados pela Portaria 344/98, as insulinas e seus insumos (tiras para teste de glicemia, lancetas e seringas) e os medicamentos manipulados. Existem mais 12 farmácias distribuídas nas unidades de saúde do município.

Atualmente, em torno de 250 pessoas são atendidas diariamente na Farmácia-Escola, onde são dispensadas 590 mil unidades de medicamentos por mês.

Medicamentos industrializados em falta
- Alopurinol 100 mg (ácido úrico)
- Atenolol 50 mg (hipertensão)
- Azitromicina 500 mg (antibiótico)
- Budesonida 32 mcg/dose nasal (rinite)
- Carbamazepina 20 mg/ml xarope (neuroléptico)
- Clorpromazina 25 mg (antipsicótico)
- Espironolactona 25 mg (diurético)
- Ibuprofeno 50mg (anti-inflamatório)
- Metformina 850 mg (para diabéticos)
- Miconazol 2% loção (antimicótico)
- Nortriptilina 75 mg (antidepressivo)
- Salbutamol Spray 100 mcg Spray Oral (asma)
- Sulfametoxazol + Trimetoprima 40 mg + 8 mg/ml (antibiótico)
- Sulfametoxazol + Trimetoprima 400 mg + 80 mg (antibiótico)

Medicamentos manipulados em falta
- Caps. Unha de Gato (ext. Seco) 150 mg (dermatológico)
- Creme com Óxido de Zinco Composto 80 g (dermatológico)
- Creme com Uréia 5% 80 g (dermatológico)
- Creme de Barreira 60 g (dermatológico)
- Creme para Fissura nos Mamilos 60g (dermatológico)
- Gel com Peróxido de Benzoíla 5% 60g
- Gel de Unha de Gato 5% 120 g (dermatológico)
- Suspensão de Hidróxido de Alumínio 250 ml (azia)
- Xampu com LCD 5% (fitoterápico)
- Xarope de guaco 8% (fitoterápico)

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