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Famílias indígenas espalham sua arte pelas ruas centrais de Lajeado

Peças são feitas de forma artesanal com técnicas que passam de geração para geração

Créditos: Kassieli dos Santos, Rita de Cássia
ÍNDIOS: tradição familiar no comércio de artesanato - Kassieli dos Santos

Lajeado - Quem passa pelo Centro da cidade nesta época do ano logo percebe um colorido diferente e um aroma de chá pelo ar. Em quase todas as esquinas famílias indígenas apresentam e comercializam sua arte. São cestinhas para ninhos de Páscoa, maço de macela e outros artigos. Embora todos os anos vários integrantes da Reserva Indígena Guarita venham ao município nesta época, esta é a primeira vez que Janete Kagfej Sales Decker (46) e outros familiares da aldeia caigangue acompanham a excursão. Os valores dos produtos variam entre R$ 5 e R$ 40. São peças feitas de forma artesanal com técnicas que passam de geração em geração. E são as datas comemorativas que incentivam o comércio. "As vendas estão boas. Aqui as pessoas estão comprando e valorizando o nosso trabalho", comenta Janete. Ela e a família ficam até sábado à noite, quando o ônibus financiado pela prefeitura de Tenente Portela leva os grupos de artesanato de volta para a aldeia.

Durante o período em que permanecerem no município, parte dos indígenas acabam passando a noite na rodoviária onde montam acampamentos improvisados. Janete teve mais sorte. Ela e a família são acolhidos na Paróquia São Cristóvão que oferece hospedagem e nos primeiros dias forneceu auxílio na alimentação. Conforme o Frei Flávio Guerra, o contato para acolhimento foi realizado pelo Padre Guido Taffarel, da paróquia de Tenente Portela. "A igreja abriu as portas para essa família. Muitas pessoas têm preconceito, uma visão discriminatória dos indígenas. Com essa ação podemos repensar a solidariedade", explica. Frei Flávio também destaca que fornecer abrigo aos necessitados é uma ação concreta da Campanha da Fraternidade, que tem como tema neste ano, estimular a participação em Políticas Públicas.

Em outro ponto do Centro da cidade, outra família caigangue vinda de Nonoai espera fazer boas vendas. Solange Floriano (34) e o esposo já frequentam Lajeado há pelo menos sete anos. O casal, dois filhos e o irmão de Solange, também vieram com uma excursão e devem ficar até o fim de semana. "Sempre vendemos bem aqui, por isso voltamos todos os anos", afirma Solange. Na parte da noite o descanso é feito na aldeia indígena localizada no Bairro Jardim do Cedro.


Apoio

A Secretaria de Trabalho, Habitação e Assistência Social (Sthas), por meio do Centro de Referência de Assistência Social (Cras), acompanha os índios que vendem produtos artesanais na cidade. São cerca de 20 pessoas que costumam vir para a região nesta época e são acolhidas por comunidades do Vale. Em caso de necessidade de alimento ou roupas, o Cras oferece suporte às famílias neste período, mas em geral isso não é necessário pois eles já vêm preparados para este período de comércio e retornam ao final da Páscoa. Ainda segundo a Sthas, os índios têm o direito de vender produtos artesanais em determinadas áreas da cidade e a venda é permitida em razão de legislação federal.

 

 

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