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Fim da taxa sobre importação de leite europeu deve impactar o Vale

Medida foi anunciada pelo Ministério da Economia no Diário Oficial da União

Créditos: Jean Peixoto
PREOCUPAÇÃO: na propriedade da família Fröhlich, Bairro Arroio Grande, em Arroio do Meio, a nova medida trouxe insegurança - Lidiane Mallmann

Vale do Taquari - A suspensão da tarifa sobre importação de leite europeu e da Nova Zelândia anunciada na quarta-feira pelo Ministério da Economia deve impactar os produtores da região. A medida prevê o fim da cobrança antidumping, que era aplicada desde 2001, sobre o leite em pó, integral e desnatado. A alíquota era de 14,8% para o produto vindo da União Europeia e de 3,9% para o item da Nova Zelândia. Para Cíntia Agostini, presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), a medida deve prejudicar principalmente os pequenos produtores. "O grande produtor até consegue competir. Mas o pequeno e o médio não têm condições de concorrer com esse volume de importação. Nosso custo de produção é muito mais elevado que o da Europa", explica.
Cíntia relata que, além dos elevados custos de produção, a falta de incentivos e subsídios ao produtor também pode ocasionar uma disputa desleal. "A Europa subsidia seus produtores, algo que nós não temos aqui no Brasil. Não é à toa que estamos muito preocupados. A cadeia leiteira vem sofrendo muito nos últimos tempos e há algumas instruções normativas que estão sendo implementadas que vão, novamente, bater na cadeia produtiva do leite. Continuamos com o problema uruguaio e agora essa mudança nas importações da União Europeia", comenta.
O presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat), Alexandre Guerra, aponta que a retirada da tarifa sem uma melhoria na competitividade do produto nacional pode gerar um impacto negativo para os produtores. "Nós temos que primeiro investir em programas que recuperem a competitividade do nosso produto. Por exemplo, temos o Programa Mais Leite Saudável, do Ministério da Agricultura, que precisa ser aprimorado." Guerra comenta que, mesmo sem a taxa, ainda há a incidência de outros impostos sobre a importação, portanto, não teria como estimar a dimensão desse impacto.

Produtores em alerta

Em sua propriedade, de 14 hectares, localizada no Bairro Arroio Grande, em Arroio do Meio, Daniel Fröhlich (37) produz diariamente uma média de 650 litros de leite. Ao lado da esposa Ana Paula Ames (35) e do filho Emanoel Fröhlich (13), Fröhlich dedica os seus dias ao cuidado das vacas. Ao todo, são 41 cabeças, mas em lactação, atualmente, 31. Enquanto Fröhlich organiza o espaço, Emanoel conduz as vacas para o pasto. O trabalho é totalmente feito em família. A notícia da mudança na taxação das importações já chegou à propriedade e preocupa o produtor, que também é presidente do Conselho Municipal de Agropecuária (Conar). "Eu fiquei sabendo disso ontem, pelas redes sociais, e me preocupa. Uma das promessas do presidente Jair Bolsonaro era ajudar os produtores. Agora não sei como vai ser", comenta. Ele conta que, de uma família de cinco irmãos, ele foi o único que decidiu permanecer com a produção do leite, e não sabe se o filho vai continuar. "Do jeito que as coisas andam, não sei ele vai seguir. Só com o tempo para saber."

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