Geral

Galpão de reciclagem para papeleiros está em construção

Para recicladores, obra da prefeitura não segue o acordo firmado com o poder público

Créditos: Julian Kober
TRABALHO: obra deverá ser concluída até a próxima semana - Guilherme van Leeuwen

Lajeado - A prefeitura iniciou nesta semana a construção do pavilhão de armazenagem de material reciclável para os papeleiros. Com 150 metros quadrados, o galpão ficará próximo das casas da nove famílias que moram no loteamento, localizado na divisa entre o Bairro Santo Antônio e Jardim do Cedro.

Previsto para ser entregue até a próxima terça-feira, o prédio está sendo erguido com madeira de um aterro sanitário e com folhas de zinco que sobraram da reforma do Ginásio Nelson Francisco Brancher (Claudião). "Estamos reaproveitando bastante material. Vai ficar um galpão propício para os trabalhadores", afirma o coordenador do Departamento de Agricultura da Secretaria do Desenvolvimento Econômico, Turismo e Agricultura, Carlos Kayser.

Os recicladores, no entanto, não estão satisfeitos com a maneira que a prefeitura está construindo o pavilhão e defendem que a estrutura não atende às suas necessidades. "Não estão respeitando o que foi combinado entre as famílias, prefeitura e Ministério Público. Do modo como vai ficar, vai ser pior do que o que tínhamos na rodovia (ERS-130)", afirma o representante dos trabalhadores, Adriano Rodrigues.

Além de acharem o material inadequado, consideram o espaço pequeno. "Não vai dar para colocar nem 40 sacos de material reciclável lá dentro, tão pouco uma esteira, que era o combinado."
Outra preocupação é quanto ao terreno no qual o galpão está sendo construído. Rodrigues alerta que há rachaduras no solo, o que pode provocar acidentes em um dia de muita chuva. "Quem vai garantir nossa integridade física? Antes as pessoas morriam na faixa, agora vai ser no galpão? É um absurdo", desabafa.

Kayser ressalta que a prefeitura está seguindo o termo assinado com os papeleiros e o poder judiciário. "Queremos garantir a eles uma infraestrutura adequada."


Conforto

Há dois meses no loteamento, as nove famílias estão satisfeitas com as novas casas. "Estamos muito felizes. Há alguns problemas, mas nada que não pode ser resolvido", ressalta Elivelton Luís Rosa da Silva (18), que morou por dois anos em um barraco com lona na ERS-130. No novo lar, eles têm acesso à energia elétrica e encanamento. "Temos muito mais conforto, podemos tomar banho quente e não precisamos ir até o posto buscar água", afirma. A única queixa é quanto ao galpão, especialmente ao material utilizado para a construção. Para ele, a base deveria ser de concreto, e não de madeira. "Não dou um ano para estar caindo. Parece que não vão construir nem piso. Aí vamos ter que trabalhar no meio da lama."

 

 

Comments

SEE ALSO ...