Geral

Guarani marca golaço com a criançada

Projeto no Bairro Igrejinha dá chance para gurizada mostrar talento com a bola

Créditos: Matheus Aguilar
Ana Laura quer jogar na Seleção/Lidiane Mallmann - Lidiane Mallmann

Lajeado - Proporcionar um futuro melhor por meio do esporte. Este é o objetivo de Diomar Nunes (63), e seu filho Alessandro (33). Junto com Edgar Flores, eles tocam o Esporte Clube Guarani, com sede no Bairro Igrejinha.

O projeto passa dos 15 anos de existência. Surgiu depois que Diomar teve um problema cardíaco e precisou fazer uma ponte de safena. "A gurizada foi rezar na minha casa. Fiquei oito dias na UTI depois da operação", lembra. Recuperado, decidiu retribuir o carinho da gurizada. Conversou com Edgar para dar início ao Guarani e oferecer uma nova forma de lazer no bairro, que conta com uma pequena praça com academia ao ar livre.

Hoje, são aproximadamente cem meninos e meninas, dos 6 aos 15 anos, que treinam futebol de campo e futsal, de segunda a sexta-feira, no próprio bairro e em outros próximos, como Planalto e Olarias. "Tirar eles das ruas é algo muito gratificante. É pelo futuro dessa gurizada que seguimos", destaca Diomar.

Alguns garotos que se destacam são encaminhados para a base do Lajeadense. Outros clubes também buscam talentos no Guarani. "Um dos guris ficou um tempo na Chapecoense", conta.

Valores pessoais acima do esporte
Manter o projeto em funcionamento não é tarefa fácil. Mas o pagamento chega em pequenas atitudes. Conforme Diomar Nunes, de tempos em tempos são realizadas reuniões com os pais para saber o que as crianças estão levando dos treinos para casa. "Certa vez, uma mãe veio comentar que o filho chegou em casa, deu um abraço nela e disse que a amava. Ela chorou, emocionada, e eu também. Só cobramos deles que respeitem os pais, deem um abraço quando cheguem em casa e se comportem na escola", frisa.

A chance que Alessandro não teve
Aos 33 anos, Alessandro Nunes enxerga no Guarani a possibilidade de auxiliar os jovens a terem a oportunidade que não teve quando mais novo. "Meu sonho era ser jogador profissional. Quando era criança, as oportunidades eram menores, não cheguei a procurar equipes para teste", recorda. "Meu pai também teve problemas com alcoolismo, além da ponte de safena que precisou fazer. Com o Guarani, queremos fazer por essas crianças o que não foi possível que fizessem por mim", descreve.
Alessandro cuida mais das categorias femininas do clube. No ano passado, conseguiram montar uma equipe adulta para a disputa do estadual. Em 2018, jogaram na sub-18. No último final de semana, ele levou os times sub-14 e sub-11 para amistosos contra o Inter, em Porto Alegre. "Duas das nossas meninas chamaram atenção lá", conta. "São essas oportunidades que queremos proporcionar", afirma.

Craques do futuro
As meninas que treinam no Guarani dão show de bola. E pensam grande. É o caso de Ana Laura Bocca Gomes dos Santos (11). Ela começou a jogar há dois anos, com o irmão gêmeo. Passou a participar dos treinos nas segundas, quartas e sextas. O futuro já está planejado. "Quero ser jogadora, chegar até a Seleção", revela a habilidosa atacante. No treino em que as meninas jogam com os meninos mais novos, ela se destaca com dribles curtos e chutes firmes em direção ao gol. Questionada sobre quantos já marcou, tem até uma certa "marra" dos grandes goleadores. "Ih, nem sei", declara.

As companheiras de time Katryne Luara Machado (11), Ariele Larissa Kuhn Becker (11) e Rosângela da Silva Borges (11) também querem fazer carreira no esporte. Ariele avisou ao pai que queria treinar. "Tem pouco tempo que comecei os treinos. Antes, só olhava pela tevê", explica. Katryne não gostava, mas se interessou ao acompanhar as partidas pela televisão. "Aí passei a gostar. Agora sempre tem jogo. Faz um ano que estou treinando", revela. Rosângela avisa que quer seguir os passos de um irmão, que chegou a ser chamado para o Grêmio. "Quero ser jogadora e também ter outra profissão", conta.

Diomar e Alessandro Nunes tocam o projeto/Lidiane Mallmann

 

 

Comentários

VEJA TAMBÉM...