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Homenagem a Jacir Potrich reúne centenas de pessoas

Amigos e familiares participaram de ato que teve a intenção de realizar uma despedida e pedir pela punição dos responsáveis

Créditos: Caroline Garske
- Caroline Garske

Anta Gorda | Neste domingo, o dia amanheceu cinzento e com tom de luto. A neblina deu espaço à caminhada de amigos, colegas e familiares que descrevem Jacir Potrich como uma pessoa boa, humilde e querida por todos.

A missa em homenagem ao sétimo mês de falecimento do gerente da agência do Sicredi de Anta Gorda foi seguida por uma caminhada da Paróquia de São Carlos até a entrada do condomínio onde Potrich vivia com a família e onde, supostamente, foi assassinado pelo seu vizinho.
Embora o caso ainda não tenha sido resolvido e o mistério sobre onde o corpo do bancário foi deixado ainda não tenha sido desvendado, o evento da manhã de ontem carregou o tom de despedida.

Com rosas brancas nas mãos e faixas pedindo para que justiça seja feita e os culpados sejam punidos, a grande família de Potrich e centenas de amigos lembraram e despediram-se daquele que ainda não teve direito a um velório. "A missa foi toda pensada e preparada no sentido de homenagear Jacir, mas também para fazermos uma despedida, mesmo que não tenha o sepultamento, essa é nossa forma de nos despedir dele", afirma a esposa Adriane Balestreri Potrich.

Homem de fé

Ao final da missa, o coral do Cursilho da Cristandade de Anta Gorda cantou a música "Amigos para sempre". Com uniforme azul, os cantores se posicionaram no altar da igreja onde tantas vezes Jacir Potrich esteve com a família. Católico, assíduo nas missas de domingo, Potrich também participava do cursilho. "Era uma pessoa muito boa. Essas camisetas azuis foi ele que doou e uniformizou todos", lembra a vizinha Adriane Marchet.

A esposa Adriane Potrich recorda dos domingos ao lado do marido. "Muitas e muitas vezes no domingo de manhã eu queria dormir e ele dizia para virmos na missa." Casados durante 26 anos, Adriane cita que ele foi um filho exemplar, um irmão companheiro, colega comprometido e um pai presente. "Os mais chegados sabem que foi o esposo que eu pedi a Deus. Todos esses anos eu aprendi, cresci e amadureci com o Jacir. Aprendi sobre humildade, comprometimento, caridade, doação, fé e oração", destaca.

Colega exemplar

Os colegas e amigos que conviveram com Jacir Potrich no Sicredi de Anta Gorda prestaram uma homenagem entregando à família uma placa parabenizando pelos 25 anos dedicados à cooperativa e duas camisetas dos times do coração de Potrich - o Grêmio e o São José, de Anta Gorda. O presidente do Sicredi dos Vales, Ricardo Cé, destacou a simplicidade do amigo. "Jacir me ajudou a construir laços fraternos e eternos.

Ele deixou uma coisas muito boas que foram a simplicidade e a humildade. Lembro quando recebi uma foto dele varrendo a calçada do nosso Sicredi às 7h30min." Com a voz embargada, Cé recordou: "Quando íamos pescar, a preocupação dele era com que todos nós ficássemos bem. E o Jacir vai ficar bem. Muito obrigado, Jacir, por ter te conhecido."

Patrão e amigo

Uma das pessoas mais emocionadas durante o ato deste domingo era Valério Pandolfi. Hoje, 10 de junho, o jardineiro, que trabalhou para Potrich, completaria 12 anos de serviços prestados ao patrão. "Era um bom patrão. Era tudo de bom, melhor que meu pai. Ele era uma pessoa legal, procurava sempre fazer o bem e ajudar a todos. Nem tenho palavras para falar", declara.

Pandolfi foi uma das últimas pessoas a ver Potrich no dia em que ele desapareceu, em 13 de novembro de 2018. "De manhã cedo, cheguei, por volta das 6h30min. A gente tomava café e conversava. Antes do meio-dia, ele me ligou, fui no banco e a última ligação dele foi às 15h30min quando me perguntou se estava tudo certo e foi pescar. Aí não tive mais contato com ele."

O caso

Jacir Potrich (55) desapareceu no dia 13 de novembro de 2018, quando limpava peixes no quiosque do condomínio onde residia após uma pescaria. Na época, Brigada Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Instituto-Geral de Perícias realizaram diversas buscas no local e chegaram até a esvaziar o açude do condomínio.

Em janeiro deste ano, após mais de dois meses de investigações, a Polícia Civil, em coletiva de imprensa, revelou que o principal suspeito da suposta morte e ocultação de cadáver era o vizinho, que alimentava uma animosidade devido a uma desavença financeira. Câmeras de segurança mostram que C.A.W.P. esteve no quiosque com Potrich por pouco mais de um minuto.

Após, o homem usa uma vassoura para levantar duas das câmeras, a fim de, supostamente, carregar o corpo sem o registro de filmagem. O suspeito foi preso duas vezes, mas em ambas foi solto após pedido de habeas corpus. O Ministério Público já ofereceu denúncia, que foi acolhida pelo Poder Judiciário.

 

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