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IBGE inicia revisão dos dados, após término da apuração do Censo Agro

Esta é a 11ª edição do levantamento nacional de informações sobre realidade do setor no país

Créditos: Redação
- Lidiane Mallmann/arquivo O Informativo do Vale

Brasília - De outubro de 2017 a fevereiro de 2018, foi intenso o trabalho de recenseadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por todo o país. Atuando em mais de 5,5 mil municípios, cerca de 26 mil profissionais contratados temporariamente tinham como objetivo visitar uma média de três estabelecimentos agropecuários por dia para completar o Censo Agropecuário de 2017. A fase de coleta foi iniciada em 1º de outubro e terminou em 28 de fevereiro. Ao final, já soma 4,9 milhões de estabelecimentos visitados.

Durante cinco meses, a pé, carro, ônibus ou em bicicleta, um exército de recenseadores cruzou o país para fornecer ao IBGE o retrato o mais completo possível da realidade rural brasileira. Assim, também foi como aconteceu na região. O trabalho terminou? Ainda não. Durante todo o processo de coleta, profissionais analistas supervisionaram os dados registrados pelos recenseadores que estiveram in loco alimentando o Sistema de Indicadores Gerenciais de Coleta (SIGC) - ferramenta do IBGE que armazena os dados. Agora, uma última etapa de análise e crítica dos dados deve ser finalizada, já desempenhada durante a fase de levantamento. Além dela, a tabulação das informações coletadas em todo o Brasil vai ser realizada. A divulgação oficial das informações deve ser feita pelo IBGE em julho.

Esta edição

O Censo de 2017 foi realizado com corte de 50% do orçamento. Reduzida para menos de um terço do inicialmente previsto - cerca de 82 mil colaboradores -, os profissionais contratados para o desempenho das funções tiveram, ao contrário dos 90 dias (três meses) de praxe, 150 dias.

Números

O pico de coleta, no Brasil, foi quando cerca de 50 mil questionários foram realizados em um único dia. Na região de Lajeado, o ápice representou 130 questionários na mesma data. "No RS chegamos a uns 4 mil em um dia", revela Gustavo Reginatto, chefe do IBGE Lajeado. Até o dia 28 de fevereiro foram coletadas informações de 4.918.593 estabelecimentos agropecuários dos 5.252.354 inicialmente estimados pelo Instituto, em todo o país. Além da própria cidade, Estrela, Forquetinha, Canudos do Vale, Teutônia, Cruzeiro do Sul, Poço das Antas, Westfália, Santa Clara do Sul, Colinas, Imigrante, Sério e Lajeado compõem a subárea de Lajeado. Capitão, Coqueiro Baixo, Doutor Ricardo, Encantado, Marques de Souza, Muçum, Nova Bréscia, Progresso, Roca Sales. Travesseiro e Vespasiano Corrêa fazem parte da área de Arroio do Meio. Nos 24 municípios, foram apurados 13.491 estabelecimentos. O número novo, em comparação ao dado tido como o mais atual - o do Censo de 2006, que era 15,8 mil estabelecimentos -, confirma uma tendência de redução já prevista para a região.

O trabalho do recenseador

Munidos de um Dispositivo Móvel de Coleta (DMC), e com as áreas de cobertura integradas a um sistema de acompanhamento que permite a supervisão remota de quem estava no escritório, os recenseadores partiram pela primeira vez no início de outubro. E assim sucessivamente, cumprindo um cronograma regrado e enviando dados que, conforme chegavam à base, eram analisados pelos responsáveis por cada área dentre àquelas sob responsabilidade da agência do IBGE de Lajeado, que compreende 24 municípios. A cobertura da agência foi dividida em duas subáreas, a de Lajeado e a de Arroio do Meio, cada uma com 12 cidades.

Conforme explica o chefe do IBGE Lajeado, e coordenador da subárea da cidade, Gustavo Reginatto, a divisão foi feita com o objetivo de facilitar o trabalho, tanto do recenseador, quanto do analista, em razão da grande área de abrangência e do número de estabelecimentos. O grupo da agência de Lajeado teve, no momento de maior fluxo de coleta, dezenas de pessoas trabalhando. "O trabalho é ir de estabelecimento em estabelecimento. Não importa se é urbano ou se é rural. O objetivo do Censo é mapear tudo. Você vai ter um perfil da agropecuária do país", diz.

Auxílio da tecnologia

A divisão das áreas que foram visitadas foi realizada via satélite. "É muito prático", qualifica o chefe do IBGE Lajeado. Em relação ao SICG, ele comemora o fato de que o trabalho é rápido e certeiro, muito em razão das possibilidades que o sistema oferece. O fluxo do trabalho, e a tecnologia, garantem a eficiência e a fidelidade da informação: o recenseador coleta o dado in loco, e a seguir alimenta do DMC. O analista-revisor, na base, o recebe, avalia e registra definitivamente no SIGC.

"É possível acompanhar todo o trabalho", comenta Reginatto. Em relação ao serviço dos analistas, no escritório, é uma relação de confiança que se estabelece. "Temos esse cuidado com as informações reais, que é de muita responsabilidade. A informação é um serviço à população. Dependemos do produtor, que tem que falar a verdade. Além da conscientização do recenseador, que tem que fazer um trabalho minucioso", garante.

O agente censitário municipal Maurício Bobrowski Rodrigues explica como funciona parte do trabalho, esclarecendo a finalidade de pontos coloridos em uma imagem de satélite. "Todas as propriedades mapeadas são pontos brancos, quando o trabalho inicia", revela. Conforme o recenseador executa as visitas, o surgimento de pontos vermelhos são as propriedades nas quais ele identifica que não há mais atividade. Os azuis e verdes são os que foram confirmados e os amarelos, os que incluiu. "Por incrível que pareça, eu sou do tempo antigo, e pensava? Ah, tem que estar lá", diz Reginatto, referindo-se ao acompanhamento do trabalho recenseador. "Hoje é muito mais importante os supervisores estarem aqui, do que lá, querendo acompanhar."

Olhar questionador

A crítica das informações prestadas pelo agricultor e registradas pelo recenseador é fundamental. Esta é a fase que inicia-se agora, com a finalização da etapa de coleta. Ao longo dos próximos dias, os últimos estabelecimentos devem ser visitados - aqueles casos nos quais a abordagem não pôde ser realizada em tempo. A crítica é um procedimento estatístico e que permite avaliar a coerência dos dados e que, eventualmente, culmina com uma nova visita ao estabelecimento para a confirmação das informações gravada no SIGC.

"A função dos supervisores é importante", evidencia Reginatto, "ele identifica problemas, como situações estranhas ou questionários pobres, com respostas parciais", revela. O dado-base do novo censo é proveniente dos censos anteriores realizados pelo órgão, e o trabalho do IBGE é sensível às alterações que possam ter acontecido desde a última visita - que aconteceu, para o Censo Agro, em 2006. "Mudanças na configuração física do estabelecimento, relação de posse e propriedade, tudo é registrado", ressalta. E depois, essa informação é avaliada e entendida como oficial, ao ser gravada no sistema do IBGE. Mesmo que muitas vezes não seja fácil para o trabalhador do campo lembrar dos detalhes de seu estabelecimento - como dados de produção, por exemplo -, para Reginatto, o produtor reconhece a importância de prestar a informação. "Representamos o governo", fala. "O dado gerado orienta o país".

O censo anterior sugere uma tendência, que é ou não confirmada, a partir da proximidade do fim da avaliação. "É o relato mais fiel possível da realidade da região e de como as pessoas se relacionam com o ambiente. Ele orienta políticas públicas", diz Reginatto. "Pensamos que talvez não cheguemos ao número do censo anterior. Lajeado é um exemplo disso. Houve um avanço urbano. Avanço dos loteamentos sobre áreas que eram agrícolas." O trabalho de revisão é, em grande parte, comparar a estimativa e a nova informação, para identificar possíveis gargalos e corrigi-los. "Ver se a realidade se relaciona com o levantamento anterior. É aí que reside nossa responsabilidade", ressalta.

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