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Jornalistas de hoje e amanhã escrevem juntas

Veterana Helena, com 37 anos de casa, e a foca Caroline dividem o exercício do jornalismo

Créditos: Fernanda Mallmann, Gigliola Casagrande
Helena Baségio, repórter há 33 anos - Lidiane Mallmann

Lajeado - Uma empresa que completa 49 anos não chegaria nem ao primeiro ano de vida se não tivesse uma série de aspectos importantes que a fizessem deslanchar e conquistar o seu espaço. Mas uma delas era fundamental em 1970 e continua sendo em 2019: as pessoas. Sendo assim, a redação do jornal O Informativo do Vale é lugar onde a experiência e as novas ideias sobre fazer jornalismo se encontram. 

A experiência atende por Helena Baségio (57), jornalista por vocação. Ela começou a trabalhar em O Informativo há 37 anos, em 1982, no setor de assinaturas. Mas não ficou lá por muito tempo. O gosto pela leitura - herdado dos pais, pequenos agricultores em Canudos do Vale -, a facilidade na escrita desde quando frequentava os anos iniciais e a paixão pelo futebol determinaram o seu futuro, mas não sem uma ajudinha. "Eu vim morar aqui e eu ia ao futebol, ao estádio. Um dia o colega que fazia esporte não pôde fazer a cobertura de um jogo e me pediu se eu não poderia fazer. Eu fiz e escrevi uma página inteira, acho que era sobre o Grêmio e Lajeadense, um jogo em Estrela. O seu Oswaldo descobriu aquilo e, no mesmo dia, colocou outra pessoa nas assinaturas e eu fui para a redação. O seu Oswaldo sempre teve isso de descobrir as pessoas", recorda.

A trajetória foi e continua sendo um regozijo. E, além disso, uma atividade pioneira. "Para mim começar a fazer Esporte, em 1986, foi algo muito natural. Algumas pessoas me perguntavam: 'O que tu estás fazendo aqui?' E eu respondia: 'Estou trabalhando'. Me parece que só uma moça, na Zero Hora, escreveu no Esporte antes de mim. Então, só depois fui ver como eu estava fazendo uma coisa abrangente, pioneira aqui no jornal", destaca. Se houve preconceito, Helena acredita que não. "Claro que devem ter me xingado em alguns momentos, devem ter dito; 'vai cozinhar', mas nunca falaram isso diretamente para mim. Sempre houve um respeito. Acho que essa manifestações contra as mulheres ocorrem hoje pela rivalidade de grandes clubes, de grandes públicos", acredita.

O passar do tempo...

Dos 33 anos na redação, Helena viu muita coisa acontecer. Por outro lado, tantas outras não mudaram. "Eu nunca tive, praticamente, problema com fontes na minha trajetória. Sempre contei com parceiros muito legais. Mas houve uma evolução maluca: antes o pessoal trazia matéria para mim divulgar com tudo anotado a mão. Depois vinha tudo batido a máquina, o que era muito chique. Depois veio o telex, o fax... E agora mandam por whatsapp", surpreende-se.

Sem tantas ferramentas, às vezes ocorria um que outro imprevisto. Helena lembra de ir fazer cobertura de jogos à noite, fotografar lances das partidas, e, depois de revelar, nenhuma foto sair realmente boa. "No outro dia, eram publicados aqueles 'fantasmas' no jornal", brinca, referindo-se às fotos feitas em máquinas analógicas, que precisavam ter o filme revelado para saber o resultado da imagem. 

Se os tempos eram mais difíceis, também havia, para Helena, um romantismo maior ao se fazer jornal. "Naquela época, muita gente só iria saber do resultado do jogo no dia seguinte. Esperavam o jornal para saber como tinha sido o resultado. Agora, está tudo muito simples. Basta dar um clique e se tem o minuto a minuto. Essa evolução me assusta um pouco, mas é uma realidade. Ao mesmo tempo não se pode abrir mão de ter informações nas outras ferramentas, precisamos nos adaptar", diz Helena, pioneira e conhecedora da evolução da comunicação como poucos.

Boas notícias

Tantos anos de empresa e de jornalismo, credenciam Helena, a repórter mais antiga de O Informativo, a falar sobre o veículo: "Nós somos um nome muito forte, temos uma tradição que ninguém nos tira. Somos a memória, contamos a história do Vale do Taquari há quase 50 anos. Sempre com um jornalismo sério, sem sensacionalismo, e, acima de tudo, com um caráter comunitário. Tudo isso por causa do seu Oswaldo. O seu Oswaldo é o jornal", resume a jornalista.

Sobre o futuro, Helena espera participar de muitos aniversários ainda. Já nas páginas, ela quer boas notícias: "Queria noticiar que todas as modalidades de esporte aqui da região alcançassem voos mais altos", diz. Tomara.

O futuro do jornal

Se a redação de O Informativo do Vale tem Helena Baségio há 33 anos, também tem Caroline da Silva (22), há pouco mais de um mês trabalhando no jornal. A estudante do 8º semestre de Jornalismo da Unisc é estagiária e concentra suas atividades especialmente em alimentar o site.

Depois de uma experiência de estágio em tevê, ela está descobrindo o jornalismo impresso. "Eu queria ter essa experiência em impresso, em on-line. Hoje se fala muito na convergência entre esses dois meios, mas aqui em O Informativo eu vejo que o impresso é muito forte. Isso me dá a certeza que ele não vai terminar", enfatiza.
Sobre estar num veículo com uma tradição de quase meio século, Caroline, que é santa-cruzense, acredita que há muito trabalho por trás. "Um jornal não chega aos 49 anos à toa. Eu tenho muito orgulho de estar aqui e espero estar contribuindo. Gosto dessa preocupação com a comunidade que o jornal tem."

Para Caroline, que representa o futuro do profissão, o on-line continuará ganhando espaço nos próximos anos, mas o lugar do jornal e do jornalista estarão assegurados pela seriedade do trabalho. "O on-line não tira o brilho do impresso, de as pessoas folhearem o seu jornal, de o terem nas mãos. Em tempos de fake news, o jornalismo de credibilidade - e credibilidade só se adquire com o tempo - sempre terá espaço", acredita Caroline, futura jornalista que faz de O Informativo seu trabalho e sua escola.

 

Caroline Silva, repórter há pouco mais de um mês (foto Lidiane Mallmann)

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