Geral

Lajeado fecha março com saldo negativo de empregos

Dados do Caged apontam decréscimo de 0,10% no volume de postos de trabalho no município

Créditos: Jean Peixoto
CONSTRUÇÃO CIVIL: no Vale do Taquari, o setor deu um salto de 92% (82 vagas) na comparação com o mesmo período em 2018 (6 vagas) - Lidiane Mallmann

Lajeado - Seguindo o ritmo do país, Lajeado também fechou março com saldo negativo na geração de empregos. Conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem pelo Ministério da Economia, o Brasil encerrou o mês com 43.196 vagas a menos. No mesmo período, Lajeado fechou 1.228 postos de trabalho, ou seja, 33 acima do volume de contratações (1.195). O resultado nacional representou o pior índice de março desde 2017, quando o saldo negativo foi de 63.624 posições.

Entre janeiro e março de 2019, o resultado da geração de empregos nos 38 municípios do Vale do Taquari também acompanhou o movimento nacional, crescendo 26% no período, totalizando 1.884 novas vagas. O setor da construção civil deu um salto de 92% (82 vagas) na comparação com o mesmo período em 2018 (6 vagas). Já a indústria da transformação apresentou um crescimento de 22% e o setor de serviços aumentou 27%. O comércio manteve o índice negativo do ano passado, porém, com um déficit levemente inferior, variando de 89 vagas fechadas no primeiro trimestre de 2018 para 67, em 2019. No país, foram criados 164,2 mil postos de janeiro a março. Embora o saldo do trimestre seja positivo, ele é 15,9% mais baixo que o registrado no mesmo período de 2018 (195,2 mil).


Índice de confiança

Para a economista e presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), Cíntia Agostini, a oscilação positiva na região durante o primeiro trimestre está relacionada ao elevado índice de confiabilidade do mercado, que foi potencializado pelo resultado das eleições do ano passado. Apesar do crescimento frente a 2018, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice de Confiança Empresarial (ICE) caiu 2,7 pontos em março com relação a fevereiro, o menor nível desde outubro de 2018.

Cíntia Agostini destaca a importância do ICE. "Com o resultado da eleição, houve uma expectativa positiva de um PIB com crescimento de 3% para 2019. À medida que o ano começa a andar, aquilo que se esperava que acontecesse rapidamente, não ocorre. A previsão do PIB no primeiro trimestre é de um leve decréscimo. Isso reflete nessa queda da empregabilidade. Esse saldo negativo tem a ver com a não confirmação da expectativa que se tinha. O índice de confiança dos empresários é maior que o do ano passado, mas ele diminuiu de fevereiro para março. É esse índice que faz o empresário investir", salienta.


Vale do Taquari

Conforme Cíntia Agostini, a diversidade e dinamicidade da cadeia produtiva da região propiciou resultados positivos nos primeiros meses de 2019, o que, não necessariamente, signifique que os dados apontem para um ano próspero. "O comércio está na ponta. Ele é o último a receber e, por conta disso, também é o último a sofrer as consequências. As pessoas precisam estar empregadas para poder comprar no comércio. Então, se elas ficam desempregadas, demora um certo tempo para que elas parem de comprar e o setor sinta esse impacto. Em Lajeado, por exemplo, o comércio representa 30% da cadeira produtiva, mas há outros em que o que pesa é o agronegócio e a indústria.", explica.


Construção Civil

O crescimento expressivo da construção civil é explicado pela economista como um movimento conduzido pelo investimento do capital que teria ficado retido nos últimos 12 meses. "O setor de construção civil está confiante. Nós temos uma região que ainda tem dinheiro circulando com a perspectiva de uma retomada econômica para o setor. Claro que não é no patamar que vivemos a uma década atrás. Isso, provavelmente não vai se repetir, mas há uma expectativa. Muita gente que esperou no ano passado para ver o que aconteceria, agora está investindo", ressalta. A presidente do Codevat comenta que, em São Paulo, por exemplo, os dados já apresentam resultados negativos, mas até os indicadores econômicos nacionais alcançarem o Vale do Taquari leva algum tempo.

 
Setor público

Outro campo do Vale do Taquari em que houve redução no índice de contratações entre janeiro e março foi a Administração Pública. No primeiro trimestre de 2018 foram abertas 22 vagas. No mesmo período de 2019, não foram abertos novos postos e foram fechados cinco. "Isso mostra que os gastos dos governos estão diminuindo porque a Administração Pública está enxugando, devido ao limite de gastos imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal", afirma Cíntia Agostini.


Trabalho intermitente

Outro aumento relacionado pelo Caged, foi na modalidade de trabalho intermitente, em que foram gerados 6.041 empregos, em 2.216 estabelecimentos e 1.720 empresas contratantes. O índice representa um aumento de 2.842 mil empregos (88%) na comparação com março de 2018, quando o saldo foi de 3.199 mil empregos intermitentes. Cíntia Agostini destaca que a modificação é fruto das mudanças propiciadas pela Reforma Trabalhista. "Há, agora, novas possibilidades como o trabalho em casa ou em horários alternativos e outras modalidades, mas há também algumas mudanças nas relações de trabalho." Ela reitera que o trabalho intermitente aumenta porque essas vagas já existiam antes, mas eram relacionadas de outro modo antes da Reforma Trabalhista.

 

 

 

Comments

SEE ALSO ...