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Lurdes da Silva concilia trabalho voluntário com presidência do bairro

Eleita, no mês passado, ela tem projetos de reformar o ginásio e a capela mortuária

Créditos: Carolina Schmidt
GINÁSIO: espaço precisa de porta de emergência para adequação - Lidiane Mallmann

Lajeado - Aos 56 anos, Lurdes da Silva tem uma missão especial no Morro 25. Desde sexta-feira (6), ela é presidente da comunidade e ficará no cargo até o fim do ano. "Eu não queria concorrer, mas o pessoal veio aqui em casa, conversou e eu acabei aceitando. Agora, vou fazer o possível pelas pessoas que aqui residem. É uma grande responsabilidade e alegria saber que posso ajudar. Não é fácil lidar com as pessoas, mas gosto desse tipo de trabalho."

Logo depois que assumir o cargo, ela irá visitar os moradores para tomar conhecimento das sugestões de melhorias.

Entre os projetos que ela e sua diretoria almejam realizar em 2018 estão a colocação de uma porta de emergência no ginásio da comunidade, a reforma da capela mortuária, uma pracinha para as crianças e o retorno da escolinha de futebol para os meninos. Promoções, almoços e jantares também estão na lista de programação para arrecadar verba e tornar possível a realização das demandas. As crianças também terão programação especial organizada pela diretoria como a festa de São João e de Natal.

"O nosso ginásio precisa urgente da porta de emergência para se adequar as normas. A reforma da capela também é uma demanda antiga e, independente da religião, todas as pessoas vão precisar um dia. O dinheiro usado para manter o local é da igreja, mas a arrecadação não é muito grande. Por isso, precisamos ajudar, pois os espaços serão usados por toda a comunidade. Sabemos que nada cai do céu, por isso, toda a ajuda é bem-vinda." Além do apoio dos moradores para que os projetos se tornem realidade, Lurdes também buscará auxílio da Administração Municipal e da Câmara de Vereadores.

"Quero transformar nosso bairro em um lugar mais limpo e mais alegre. Mesmo se eu ganhasse na loteria, não ia sair daqui, pois é um lugar que gosto muito e farei o possível. Tenho uma equipe muito boa que está disposta a dar o melhor de si.

Terceira Idade e Clube de Mães
O envolvimento de Lurdes com o bairro não é de hoje. Ela coordena, há 14 anos, o Grupo da Terceira Idade. Embora ainda falte alguns anos para ela se enquadrar na faixa etária, acompanha os idosos nas festas, passeios e nos encontros mensais que garantem risadas e bom humor. Como a prefeitura organiza o calendário anual dos bailes da Terceira Idade, cada bairro sedia o evento, pelo menos, uma vez durante o ano. O grupo do Morro 25 conta com 27 idosos que também compartilham as vivências diárias em uma sala específica de atividades que fica no ginásio da comunidade. "Fazemos ginástica, conversamos e passeamos. É muito bom fazer parte do grupo e ainda quero seguir por bastante tempo."

No Clube de Mães, ela também foi presidente, mas teve que deixar o cargo para se dedicar aos cuidados da mãe que estava com problema de saúde. A mãe Lurdes, que tinha 89 anos, faleceu, na última semana. "Tive que deixar a presidência, em função disso, mas sei que a diretoria está nas mãos de pessoas muito competentes. Irei voltar como associada em breve." O clube também conta com uma sala anexa no ginásio onde as mulheres se reúnem para fazer artesanato.

História de vida

Por trás da disposição e bom humor de Lurdes, há lutas. Ela nasceu com a síndrome do pé torto congênito e já passou por 18 cirurgias ao longo da vida. 

Mesmo com a limitação, ela faz o trabalho voluntário no bairro com dedicação, amor e carinho. "Não adianta eu me esconder atrás do problema, sentar, chorar e lamentar. Eu nasci com isso e sabia que iria conviver a vida inteira. As pessoas devem encarar os problemas de frente, assim o mundo seria bem melhor."

Viúva, avó e mãe, ela não se deixa abalar pela deficiência nos pés e acorda cedo, todos os dias, para cuidar dos afazeres domésticos e dos compromissos com o trabalho voluntário.

"Minha família é a base, também tenho um companheiro que me ajuda muito." O tricô, que ela aprendeu com 21 anos, em clube de mães, também faz parte das atividades rotineiras e ajuda na renda extra. "Depois de dois meses que aprendi, já estava fazendo por encomenda e não parei mais. Gosto de ficar sempre ocupada, eu tenho muita dor, mas não adianta reclamar."

Como tem força de vontade, Lurdes também aprendeu a ler e a escrever com ajuda do filho e do primeiro esposo que faleceu em um acidente de trânsito. "Eu não sabia nem assinar meu nome, hoje consigo. Não ia na escola também em função do meu problema, pois tive muitas dificuldades de locomoção."

Ela, que é natural de Progresso, veio com 15 anos para Lajeado e já residiu nos bairros Cantão e Santo Antônio. Em outra oportunidade, já havia residido no Morro 25, mas retornou. No bairro, 'Lurdinha' já é muito conhecida. "Quando coloquei a mudança aqui pensei, daqui só saio para cidade lá de cima." Ao comparar o bairro com anos atrás, diz que havia poucas casas, não existia ginásio e, somente, uma escola. "Mudou tudo para melhor e é um orgulho ver que está crescendo."

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