Geral

Marcas do abandono em cemitério de Marques de Souza

No interior, duas sepulturas sinalizam o que restou de um cemitério que já abrigou 50 corpos

Créditos: Alício de Assunção
- Alício de Assunção

Marques de Souza - Às margens do Rio Fão, em Linha Doze de Outubro, próximo ao distrito de Bela Vista do Fão, resistem ao tempo somente duas sepulturas de um cemitério que já abrigou meia centena de corpos. Nas lápides corroídas é possível identificar os nomes e o ano de sepultamento - 1935. Situado na propriedade dos agricultores José Arnildo e Maria Sueli Muniz, o espaço com cerca de 200 metros quadrados, delimitado por uma cerca de pedra, tem maior parte tomada pela vegetação e plantações. O cantar dos pássaros e o som de uma corredeira do manancial quebram o silêncio.

O último sepultamento no local foi de um rapaz, em 2003, recorda seu Muniz, que lembra também ter ouvido relatos de seus pais e avós de que no cemitério era enterrado quem não tinha condições financeiras de ser sócio de alguma igreja. "Nem os padres vinham aqui. Quem fazia os sepultamentos eram Albino e Eugênio Bottega, vizinhos que moravam em Vasco Bandeira, aqui perto. Comenta-se que aqui pelas redondezas existam uns 20 cemitérios desse tipo. Nesse aqui, estão muitas crianças."
Segundo os agricultores, o problema não é apenas o abandono ou o passar do tempo. Na enchente de 4 de janeiro de 2010, as águas do Rio Fão subiram de repente atingindo o cemitério, que fica a mais de 200 metros do manancial. Sobraram apenas duas lápides em pé. O resto foi levado pelas águas.

 

Raras visitas

As visitas ao cemitério são escassas. Segundo os Muniz, há meio ano, uma família residente em São Leopoldo esteve por lá. "Procuravam a sepultura do avô e encontraram aqui. Por sorte, era uma das que ainda restam", conta seu José Arnildo. Com a proximidade do Dia de Finados, os Muniz fazem uma limpeza no que restou do espaço, mesmo sabendo que dificilmente alguém irá visitar e depositar flores nos dois túmulos restantes. "Aqui estão sepultadas pessoas que, com muito suor e trabalho, ajudaram a construir a história de nossas comunidades. Independentemente de religião ou condição social, merecem nosso respeito. Enquanto tivermos saúde vamos preservar o que restou", afirma José Arnildo, sob o sol escaldante e o vento norte da terça-feira dessa semana, prenunciando mais um dia de homenagem aos mortos.

Comentários

VEJA TAMBÉM...