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Mercado traz boas expectativas para exportações de frangos

No Rio Grande do Sul foi registrado o crescimento de 184,8%, em relação ao mês de junho do ano passado, com a retomada nos valores históricos. Aumento foi de 64% no país


- Lidiane Mallmann

As exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e especializados) totalizaram 386,2 mil toneladas em junho, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número é 64% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando foram embarcadas 235,4 mil toneladas.

Em receita, houve elevação de 76,6%, com saldo total de US$ 639,6 milhões de toneladas no sexto mês deste ano, contra US$ 362,2 milhões realizados em junho de 2018. No semestre, o desempenho setorial das exportações alcançou alta de 11,4%, com 2,045 milhões de toneladas exportadas em 2019, contra 1,836 milhão de toneladas efetivadas no ano passado.

A valores, os primeiros seis meses apontaram alta de 14,9%. Foram realizados US$ 3,406 bilhões em vendas, contra US$ 2,964 bilhões em 2018. "Houve elevação nas compras de quase todos os grandes importadores, o que gerou uma corrente positiva de exportações. O contexto internacional de alta demanda por proteína é sentido nos mais diversos mercados", analisa Francisco Turra, presidente da ABPA.

A China, principal destino das exportações brasileiras, incrementou suas compras em 22,6% entre janeiro e junho deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado, totalizando 257,9 mil toneladas. A União Europeia elevou suas compras em 21%, chegando a 129,9 mil toneladas no primeiro semestre. Os Emirados Árabes Unidos elevaram suas compras em 35,7%, chegando a 192 mil toneladas no mesmo período.

Cautela

O diretor da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, avalia com cautela o crescimento nos números de exportação no Rio Grande do Sul. "Houve um crescimento de 184,8% em volume de exportação e 239,8% em faturamento, em relação ao mês de junho do ano passado, o que mostra a retomada nos valores históricos que já se vinha exportando", afirma. Contudo, Santos explica que há a diminuição nos volumes exportados no Estado, desde 2018, em decorrência de problemas nos cenários internacional e nacional, bem como, a instabilidade econômica e política do país. "Tivemos um ano complicado em 2018 no Rio Grande do Sul, com uma queda de 25% em volume de exportação e estamos em etapa de recuperação, ainda não recuperamos os volumes", destaca. Conforme Santos, comparado ao mesmo período, de janeiro a junho, no ano passado há déficit de 13% na exportação", avalia.

O diretor da Asgav tem expectativas quanto à recuperação do setor, "Estamos tendo uma demanda considerável do produto avícola ao recuperar mercado, principalmente em continente asiático em função da peste suína africana. O próprio acordo da União Europeia com o Mercosul, mesmo não efetivo, oportuniza o produto avícola brasileiro, como essencial para o mercado europeu. Precisamos ver como se comporta o mercado externo e a estabilidade econômica e política do país, que são fatores que aquecem o consumo e aumentam a demanda do produto brasileiro", ressalta.

Conforme o presidente da Cooperativa Languiru, Dirceu Bayer, as exportações e o mercado interno apresentam ascensão em relação ao ano anterior, devido à redução dos custos e melhora dos preços finais. "A expectativa é boa para esse ano em relação ao ano passado pois o custo de produção era alto e os preços de venda da indústria não eram muito satisfatórios, os custos são mais razoáveis e está havendo reação nos preços finais. Em exportação, atuamos nos Emirados Árabes, nossa exportação representa, apenas, 20% do que produzimos e o resto para mercado interno. O mercado interno está reagindo bem", avalia.

Uma produção segura

Atuando no ramo da produção de frango há 17 anos, no interior de Estrela, o produtor de frango Darci Winter (48) define a produção como segura. "De janeiro a janeiro é uma boa produção", afirma. Após o incubatório as aves são levadas com apenas um dia para a criação. Durante 28 dias as aves ficam no galpão para o manejo do produtor. Após o intervalo de duas semanas o trabalho é recomeçado com um novo lote. "É uma dedicação de quase 24h, cada produtor faz o seu resultado", comenta.

O produtor aderiu o sistema americano de criação de aves Dark House (casa escura, em inglês), a tecnologia permite ganhos como melhor conversão alimentar dos animais, menor taxa de mortalidade e redução no tempo de alojamento. Conforme ele, os sistemas de regulagem de temperatura e de luz permitem trabalhar com maior número de aves por metro quadrado. Com a tecnologia o produtor consegue conduzir oito lotes de 65 mil aves. "É um bom negócio mas sofrido, há uma rigidez nos horários, tem um sistema de alarme e quando soa, você precisa atender", relata.

Morador da linha Capoeirinha, no interior de Relvado, o produtor de frango, Flávio Antonio Villa, atua no ramo há 26 anos. Iniciou a produção após construir o aviário por conta própria e com mão de obra familiar deu andamento ao trabalho, produzindo para uma indústria de alimento. "O setor de frango é o que dá mais certo, não tem grandes instabilidades, pois é uma carne aceita no mundo todo, não tem restrições como a carne de suíno. O frango é aceito em todo lugar", comenta. Conforme Flávio, a produção é feita com o sistema convencional. O tempo de manejo do produtor com a ave difere de acordo com cada empresa para a qual os produtores fornecem. Flávio faz a criação durante 42 dias com lotes de 26 mil aves. "A empresa dá toda a assistência técnica e uma série de orientações", explica. Conforme o produtor existem metas no manejo relacionadas ao peso e qualidade.

 

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