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Militares do Vale participam de missão do Exército na Venezuela

Naturais da região, seis militares participarão nos próximos dias da Operação Acolhida, em Pacaraima, fronteira com Venezuela, para receber imigrantes no Brasil

Créditos: Cristiano Duarte
- Divulgação

Por vontade própria, o lajeadense Guilherme Fogaça (26) decidiu ingressar no Exército Brasileiro, em 2012. O orgulho da nação e a vontade de estar no fronte das mudanças que buscava pelo país foram seus norteadores. Hoje, já no cargo de cabo, o militar está prestes a participar de uma de suas principais missões na carreira: a Operação Acolhida.

Além dele, outros cinco militares naturais do Vale do Taquari participam da ação que ocorre na cidade de Pacaraima, Roraima, na fronteira com a Venezuela. A operação tem como objetivo acolher imigrantes daquele país, que buscam o Brasil como refúgio da crise econômica e política. Segundo as Forças Armadas, são mais de mil refugiados que passam pela fronteira diariamente em busca de uma outra oportunidade de vida no território brasileiro.
"Muitos chegam sem ter o que vestir ou comer. Tão pouco têm dinheiro para sobreviver. Estaremos auxiliando estes refugiados a chegarem no Brasil para darem continuidade a suas vidas com mais oportunidades para suas famílias", conta orgulhoso Fogaça.

Sem armas, a missão não é de conflito e tem viés humanitário. De acordo com o sargento Felipe Daniel Simionatto, do 9º Regimento de Cavalaria Blindado de São Gabriel, a operação consiste numa força-tarefa logística para cooperar com o governo nas medidas de assistência emergencial para a acolhida de imigrantes que fogem da crise venezuelana.
Ao longo de quatro meses, os cinco militares do Vale do Taquari estarão com outros colegas do Exército apoiando a operação em Boa Vista, Roraima.

A operação

A força-tarefa logística humanitária da Operação Acolhida, em Roraima, foi criada em março deste ano. A missão é cooperar com os governos Federal, Estadual e Municipal com as medidas de assistência emergencial para acolhimento de imigrantes em situação de vulnerabilidade decorrente do fluxo migratório. No fim deste mês de julho, o 6º Contingente "Encouraçado", sob a responsabilidade da 3ª Divisão de Exército, assumirá a missão pelo período de quatro meses.

Participam também da operação a Organização das Nações Unidas (ONU), Receita Federal e Polícia Federal. A formatura dos militares do 6º Contingente ocorre na terça-feira, 16, às 10h30min, no 9º Regimento de Cavalaria Blindado, em São Gabriel.

A Venezuela

A atual crise na Venezuela é socioeconômica e política, vivida pelo país desde o final do governo de Hugo Chávez, com ápice na atual gestão de Nicolás Maduro. A queda do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e per capita entre 2015 e 2018 é a pior da história do país vizinho.

Durante o ano de 2016, por exemplo, a inflação foi de 800% e a economia contraiu-se em 18,6%. Uma pesquisa indicou que cerca de 75% da população tinha perdido uma média de pelo menos 11 quilos devido à falta de alimentação adequada. A taxa de homicídios em 2015 foi de 90 por 100 mil habitantes, segundo o Observatório Venezuelano de Violência.
A crise foi o resultado de políticas populistas que se iniciaram como parte da "Revolução Bolivariana", do governo de Hugo Chávez. A crise se intensificou no governo de Maduro pela queda dos preços do petróleo no começo de 2015.

A corrupção, a escassez de produtos básicos, o fechamento de empresas e a deterioração da produtividade e da competitividade são algumas das consequências da crise. De acordo com um estudo publicado em 2018 por três universidades venezuelanas, quase 90% dos venezuelanos agora vivem na pobreza.
Na eleição presidencial de maio de 2018, Maduro foi reeleito, mas o processo eleitoral foi posto em xeque, tendo sido cogitadas várias irregularidades, que poderiam invalida-lo. Desde então, políticos de dento e fora da

Venezuela trataram da legitimidade da eleição, posse e exercício da presidência por Maduro. Ele tomou posse em 10 de janeiro de 2019.
Aos que se opuseram ao governo, a resposta aos protestos foi dura. Em janeiro de 2019, uma nova onda de manifestações contra o chavista resultou na detenção de, ao menos, 77 menores, um fato que chocou o mundo. Segundo a ONU, mais de 850 pessoas foram colocadas em prisões pelo país no que seria o maior número de detenções em décadas. A organização também informou que o número de mortos nas repressões ocorridas na ocasião chegou a 40.

Os militares do Vale na Acolhida

1 - Guilherme Strate Fogaça (26), de Lajeado, Bairro Moinhos.
2 - Gabriel Bettio Bonacina (20), de Arroio do Meio, Bairro Centro.
3 - Gustavo Lovato Dewes (21), de Lajeado, Bairro Florestal
4 - Clécio José Weiss (24), de Lajeado, Bairro Igrejinha.
5 - Bruno Batista Dill (22), de Lajeado, Bairro Jardim do Cedro
6 - Vagner Rosenbach (20), de Arroio do Meio, Bairro Arroio Grande Central.

 

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