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Moradores do Santo Antônio recebem alimento e agasalho

Comunidade atende apelo dos moradores que enfrentam dificuldades para suprir necessidades básicas


- Lidiane Mallmann

Lajeado | Moradores do Bairro Santo Antônio receberam, na tarde de sexta-feira, uma "bênção" como se refere a presidente da Associação Simon Bolívar, Terezinha Ferreira (60), conhecida como Tia Sandra. Com um sorriso no rosto, a líder comunitária recebeu as roupas e cobertas, bem como alimentos, arrecadados na recepção do jornal O Informativo do Vale e por meio de pessoas que contataram o diário.

As refeições preparadas na casa de Tia Sandra alimentam famílias de catadores de materiais recicláveis e vizinhos, que convivem com a fome e a pobreza. Os alimentos atendem cerca de 26 pessoas que têm no local as únicas refeições. Uma cesta básica também foi preparada para a moradora Terezinha Fátima dos Santos (72), que junto de familiares tem enfrentado dificuldades.
As pessoas interessadas em ajudar a comunidade carente com doações, podem entrar em contato com a Tia Sandra pelo telefone 98119-1389.

Compartilhar com quem tem fome

A aula do dia 12 de julho foi marcada pela solidariedade para um grupo de estudantes da área técnica de alimentos, que se uniu para fazer doação para a comunidade carente. A engenheira de alimentos e diretora de inovação da Escola Tacta Food School, Cristina Leonhardt (40), não conseguiu ficar indiferente à situação dos moradores do Bairro Santo Antônio e estimulou os alunos no apoio à causa.

Inspirada em um projeto trabalhado em Porto Alegre, que entrega alimento para moradores de rua, compartilhou com os alunos do curso de Formação em Gestão de P&D a matéria veiculada n'O Informativo do Vale retratando a situação da comunidade. "Não me entra na cabeça que a região tem um PIB de 80% que vem da área de alimentos e tem gente passando fome. Está faltando responsabilidade social", afirma.

A professora lembra que Lajeado ficou em 6º lugar em qualidade de vida no país, no índice da Firjan. "Não faz sentido estarmos nesse patamar de desenvolvimento social e econômico e ao mesmo tempo ter pessoas passando fome", destaca. Cristina ressalta a necessidade de lançar um desafio à indústria de alimentos para engajamento na causa. "A fome é desumanizadora", comenta.

O engenheiro de alimentos, Frederico Boff Hofstatter (26), lembra sobre o desperdício de alimentos em muitas empresas. "Dados confirmam que um terço de todo alimento do Brasil vai para o descarte. Em muitos casos, a indústria só pensa no seu lucro, vê o alimento como produto. É uma questão de conscientização", explica.

A nutricionista e mestre em Biotecnologia e Gestão Vitivinícola, Bruna Mara Postingher (29), lamenta o aumento da fome no mundo, que afeta 821 milhões de pessoas, conforme dados disponibilizados pela Organização das Nações Unidas (ONU). "Quando vemos esses dados sobre a fome, pensamos na África", destaca.

 

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