Geral

Na idade da pedra

Moradores da Linha São Luiz, no interior de Estrela, passam cerca de 80 horas sem energia elétrica

Créditos: Guilherme Rossini
Trabalho manual: sem eletricidade, família Schneider tem que alimentar os animais manualmente - Lidiane Mallmann

Estrela - No verão, um banho frio sempre é uma boa opção para amenizar o calor, principalmente nas últimas semanas no Vale do Taquari. No entanto, imagine passar quatro dias, não só tendo que se banhar com a água em temperatura ambiente, como também sem qualquer tipo de serviço que dependa de energia elétrica. Foi o que aconteceu com a família de Fábio Caye, morador da Linha São Luiz, em Estrela. No entanto, o problema principal, nas cerca de 80 horas que eles passaram sem energia elétrica, não foi a higiene pessoal, mas sim o mantimento de serviços básicos dentro de casa, como a temperatura da geladeira e freezer, o que ocasionou grandes perdas.

Como são moradores do interior, é muito comum o armazenamento de grande quantidade de carne, proveniente de animais de criação própria. Com isso, os cerca de 20 quilos de alimento nos equipamentos de frio acabaram apodrecendo devido a ausência no fornecimento de eletricidade. Além disso, 50 litros de leite acabaram estragando também, por não ter sido possível manter a temperatura necessária para que ele se mantivesse em estado de ser consumido. "Ligamos por três dias para a companhia elétrica, mas sempre diziam que iam vir logo, mas nunca vinham. Quando chegaram, nem sabiam que havia um poste caído, aí demoraram ainda mais para efetuar o serviço", explica Caye. Segundo a sua mãe, Elsa Caye, sem energia elétrica, as coisas viraram um caos dentro de casa. "Como a geladeira descongelou, começou a escorrer a água, cheia de sangue da carne pela cozinha. Foi horrível", diz.

 

Mais problemas

Na propriedade vizinha, dos produtores e criadores de porcos José Eri e Iria Schneider, o local teve o mesmo período com problemas de eletricidade. No entanto, como eles têm o fornecimento trifásico, a casa não ficou sem energia, somente os chiqueiros, com 990 porcos, ficaram sem luz, não alimentando automaticamente os animais. Com isso, a família teve que servo-los manualmente, ou morreriam. "Eram mais de três horas por dia só para dar comida para os porcos, senão eles iam morrer. Tivemos que fazer tudo no braço", enfatiza Schneider.

Iria Schneider até tentou ligar para a fornecedora de energia, a Rio Grande Energia (RGE), mas conta que passou momentos de nervosismo durante as ligações. "Eu liguei para o 0800, mas fiquei uma hora e meia no telefone, com uma gravação que dizia para eu acessar a reclamação no on-line, no www. Eu lá quero saber de on-line, minha intenção era resolver o problema, mas nesse tempo, poderiam ter atendido umas 50 pessoas, mas nem o meu problema resolveram. Ao começar o conserto para reestabelecimento do serviço, a companhia elétrica deixou a família por 36 horas sem o serviço. "Eles vêm aqui, não avisam nada e demoram todo esse tempo para trocar um poste. A minha vontade era pegar os cinco quilos de carne que estragaram e jogar lá na RGE", conta Iria.

A RGE foi contatada e até o fechamento desta edição, não se manifestou a respeito.

Comentários

VEJA TAMBÉM...