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Nível do rio baixa e famílias começam a voltar para casa

Em Lajeado, 88 famílias tiveram suas casas invadidas pela enchente e ficaram desalojadas ou desabrigadas

Créditos: Juliana Benke
- Lidiane Mallmann

Lajeado - Por volta das 14h30min de sexta-feira, a catadora de materiais recicláveis Silvani da Silva Uhtt (47) se preparava para voltar para casa. Depois de dois dias e meio no alojamento para desabrigados pela enchente, no Ginário Mário Lampert, no Bairro São Cristóvão, a moradora do Centro ajudava os filhos, de 26 e 28 anos, a colocar no caminhão de mudança os pertences que a família salvou da água. "Trouxe um fogão, geladeira, cama, três colchões e duas TVs. Já está tudo seco lá, fui lá de manhã e limpei tudo." 


Desta vez, a água subiu até a segunda gaveta do balcão de Silvani, o qual não foi possível levar para o ginásio. "Estragou um pouco, mas teve vez que já perdi tudo, porque não tinha quem ajudasse a tirar as coisas de dentro de casa", conta ela, que já perdeu as contas de quantas cheias enfrentou, e espera ansiosa pela conclusão do condomínio Novo Tempo, para onde se mudará. 


A família de Silvani foi a primeira do abrigo a voltar para casa. O retorno, que deve se intensificar neste fim de semana, foi possível porque o nível do Rio Taquari começou a baixar depois de atingir o ápice na tarde de quinta-feira, com 25,26 metros, no Porto de Estrela. Às 16h de ontem, a medição marcava 18,95 metros, enquanto o normal são 13 metros.

Retorno com segurança
Nas residências mais afetadas, onde a água atingiu mais de um metro de altura, voluntários da Defesa Civil realizam uma vistoria antes de liberar o retorno. "Sabemos da ânsia deles em voltar para casa, mas é preciso que voltem com segurança. Não é possível retornar se ainda estiver molhado", explica o coordenador da Defesa Civil, Gerson Aloisio Barcher. 


Ao todo, 88 famílias e 292 pessoas foram atingidos pela cheia do Taquari - 178 ficaram desabrigados e 114 desalojados, que ficaram em casa de amigos ou familiares. "Dentro da situação, tentamos agir da melhor forma possível. Batemos de porta em porta. Todas as pessoas atingidas foram convidadas a ir para os abrigos. Se alguém ficou para trás foi porque quis", comenta Barcher.

 

Limpeza é fundamental para evitar doenças


A limpeza das residências invadidas pela água é fundamental para garantir a segurança e saúde dos moradores. Conforme a enfermeira Clara Raquel Battisti, a leptospirose - transmitida pela urina de ratos infectados - é uma das doenças cuja transmissão ocorre com facilidade em casos de enchente. O contágio ocorre pela pele e é facilitado se a pessoa tiver algum ferimento ou arranhão. "Deve ser evitado o contato direto com a água ou lama de enchentes ou esgotos. É fundamental utilizar luvas e botas de borracha", orienta. 


Clara também destaca a importância de evitar que as crianças brinquem em poças d'água ou lama. De acordo com a profissional, que atua na unidade de saúde do Centro, quem apresentar sintomas como febre, dor de cabeça e dores no corpo, até 40 dias após o contado com a enchente, deve procurar o posto de saúde do seu bairro. "Também aproveitamos para lembrar as famílias de colocar em dia as vacinas, como a antitetânica, tríplice viral e contra a hepatite B."

Como limpar
De acordo com a enfermeira, ambientes que foram invadidos pela enchente devem ser limpos, primeiramente, com água, para que seja removida a lama do teto, das paredes e do chão. Após a lavagem, a área deve ser desinfetada com a seguinte solução de água com água sanitária. Em cada 20 litros de água devem ser misturadas duas xícaras de chá de água sanitária. Clara ressalta a importância de limpar todas as superfícies que tiveram contato com a água ou lama, inclusive mesas e armários. "As bactérias sobrevivem por um tempo e podem infectar alimentos que forem colocados no local", alerta. Talheres, panelas e demais utensílios de cozinha devem ser lavados, antes de usar. 


Outra dica importante é não misturar outros produtos de limpeza à solução com água sanitária. "Essa mistura pode causar uma reação química corrosiva para a pele. Além disso, outros produtos podem neutralizar a ação bactericida da água sanitária", esclarece a enfermeira.



Serviço
Quem quiser colaborar com os desabrigados pode realizar doações de produtos de limpeza e fraldas geriátricas no tamanho G ou XG. Os donativos podem ser entregues nos abrigos: no Ginásio Mário Lampert, no Bairro São Cristóvão, e no ginásio do Bairro Montanha.



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