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O Brasil em 11 frases e um silêncio


Nosso país foi encontrado por navegadores portugueses que, desde muito tempo antes de 1500, desconfiavam da existência de terras no Ocidente. Com a chegada à Bahia das naus de Pedro Alvares Cabral, nasceu também a lenda de um país de riquezas infinitas, graças aos exageros do escriba oficial Pero Vaz de Caminha: "A terra é de tal maneira graciosa e fértil que, em se querendo, dar-se-á nela tudo".
Como os portugueses não eram muito dados ao trabalho braçal, usaram mão de obra escrava, primeiro dos índios e depois dos negros, para explorar a jovem nação. Com isso, foi se formando uma sociedade de brancos no comando e índios, pardos e mulatos fazendo o trabalho duro como bem viu o nosso boca do inferno, Gregório de Matos: "A cada canto um grande conselheiro, que nos quer governar cabana, e vinha, não sabem governar sua cozinha, e podem governar o mundo inteiro. Em cada porta um frequentado olheiro, que a vida do vizinho, e da vizinha pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha, para a levar à Praça, e ao Terreiro".
Os anos passaram e a sociedade local foi crescendo e alimentando desejos de independência. Mas, em 1820, os portugueses rebelados na cidade do Porto exigiram a volta da família real para Portugal, bem como o restabelecimento da exclusividade do Brasil só negociar com Portugal. Dom João VI voltou, mas deixou seu filho Pedro como regente, mesmo assim Lisboa pressionava pela sua volta e decretou o fim da regência. Foi esse fato que desencadeou o dia do fico: "Como é para o bem do povo e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico".
Em 7 de setembro do mesmo ano, o herdeiro de D. João VI proferiu outra famosa frase: "Independência ou Morte!".
Anos mais tarde, afastaríamos o Pedro pai e ficaríamos com Pedro filho, também chamado de Pedro II do Brasil. Ele foi um homem culto e tolerante, mas conviveu até o último momento com o estigma da escravidão negra: "A emancipação dos escravos, consequência necessária da abolição do tráfico negreiro, não é senão uma questão de forma e de oportunidade".
Pedro II se foi e veio meio sem querer a República através do Marechal Deodoro da Fonseca que havia se preparado a vida inteira para a guerra, mas não para a paz. Inábil para a política teve Rui Barbosa como seu ministro da fazenda e este retratou bem esse período:
"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto".
Foi assim que passamos pela República da Espada e depois pela República do café com leite para entrarmos nos anos Vargas, que se tornou presidente após depor Washington Luís. Com mão de ferro, ele governou o Brasil por quase 20 anos até suicidar-se com um tiro no peito, após intensa pressão para renunciar: "Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história".
Mais anos passaram e vieram JK, Jânio, Jango e finalmente os militares que tomaram o poder em 1964. Em seu discurso de posse, Castelo Branco identificou quem considerava a causa dos males do Brasil: "Caminharemos para a frente, com a segurança de que o remédio para os malefícios da extrema esquerda não será o nascimento de uma direita reacionária, mas o das reformas que se fizerem necessárias..."
Vinte longos anos depois, foram embora os militares e retornaram os civis. Tragicamente o presidente eleito Tancredo Neves adoeceu na véspera de tomar posse: "Então, como foi? O Sarney tomou posse? Correu tudo bem?" (Dia 15 de março de 1985, ao sair da anestesia da primeira cirurgia). Ao final, o presidente eleito acabou falecendo. Seu vice, José Sarney o substituiu.
Sarney quis dominar a inflação usando fiscais e, após ele, veio Collor que queria caçar marajás. Nenhum deles conseguiu colocar a economia em ordem e Collor ainda saiu pela porta dos fundos, afastado que foi de seu cargo em meio ao mandato.
Depois deles tivemos um presidente cujo nome virou sigla, FHC: "O neoliberalismo aqui nunca teve chance. Este é um país muito pobre, e o Estado sempre terá papel importante na redução das diferenças sociais".
Apesar de ter iniciado muitos programas sociais, Lula, que viria após FHC, é que acabaria sendo reconhecido, depois de Vargas, como o novo pai dos pobres: "A luta pela justiça social é o divisor de águas do desenvolvimento brasileiro do século 21. É a campanha do petróleo da nossa geração. Agora, uma nova causa se impõe, tão desafiadora quanto a campanha dos anos 50".
De Dilma e Temer só temos o silêncio...


Marcos Frank

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