Geral

O caminho é a intermodalidade

Utilização da estrutura ferroviária passa pela ligação com rodovias e porto, para logística e turismo

Créditos: Alício de Assunção
Ramal ferroviário para o porto de Estrela não é mais utilizado - Alício de Assunção

Vale do Taquari - A região precisa de um outro olhar para a logística. De acordo com a presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), o Brasil investiu muito em ferrovias até a década de 1970, depois priorizando as rodovias. "O Codevat defende a intermodalidade com ferrovia, rodovia, portos, além de aeroportos, e entende que isso tem que ser visto de forma integrada. Logística é fundamental para qualquer área. O Vale do Taquari já tentou se integrar ao projeto da Ferrovia Norte Sul, mas por falta de força politica acabamos não conseguindo um dos troncos que viria para a região. Essa ligação com o porto de Rio Grande seria fundamental para a região", comenta Cíntia Agostini. Quanto às ferrovias que passam pela região, ela diz que dependem de novos investimentos para redução de custos e atendimentos das necessidades. "Para o turismo regional seria muito estratégico investimentos nessa área, aproveitando as ferrovias que já temos, sempre lembrando que tudo tem que ser pensado e planejado em conjunto e, para isso, o Codevat está aí."

Mobilização regional
O Vale do Taquari tem uma forte ligação com a ferrovia e o trem, isso ficou comprovado na mobilização das pessoas para contemplar a passagem da Maria Fumaça pelos nossos municípios. Para o presidente da Associação dos Municípios de Turismo da Região dos Vales (Amturvales), Rafael Fontana, houve um passo à frente no passeio técnico, realizado com a Rumo Logística e Associação Brasileira de Preservação Ferroviária. "Conseguimos avançar em análises iniciais sobre o trem de passageiros e demonstrar o potencial turístico desse trecho e da região. Fortalecemos a parceria entre os municípios e as instituições que são fundamentais para a implementação desse projeto. Precisamos deixar claro que existe um caminho complexo, mas estamos avançando e pretendemos, no segundo semestre de 2019, ter passeios destinados ao público. Precisamos da compreensão, parceria e apoio de todos."

Preservação ferroviária
Responsável pela composição ferroviária que percorreu a região com convidados especiais, a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) é uma entidade cultural, sem fins lucrativos, voltada ao resgate, preservação e operação de material rodante ferroviário antigo, principalmente, locomotivas a vapor, oriundas de diversas ferrovias brasileiras. A finalidade principal é manter o equipamento na ativa para conhecimento das futuras gerações. Com sede nacional em Campinas (SP), possui várias regionais no país, operando trens turísticos em cidades como Rio Negrinho e Piratuba (SC). As composições ferroviárias são operadas pelos sócios voluntários da entidade.

O presidente da entidade, Ralf Ilg, e o vice-presidente, Marlon Ilg, conduziram o trem que recentemente percorreu parte do Vale do Taquari. Segundo eles, os trajetos da região estão entre os mais belos do país e a possibilidade de trens turísticos circularem com mais frequência dependerá de tratativas entre as prefeituras e a Rumo Logística, empresa que opera com trens de cargas no trecho. O próximo passeio experimental será nesta quarta-feira, entre Colinas e Muçum.

Impressionado
Registrando o passeio pela Ferrovia do Trigo, por meio de imagens para um canal que mantém no youtube, o representante comercial aposentado, Cesar Hartmann, morador de Blumenau (SC), disse estar impressionado com a possibilidade das viagens serem mais frequentes. " A abertura da Ferrovia do Trigo para o turismo será uma oportunidade para que todas as pessoas possam usufruir de cenários maravilhosos e apreciar essa belíssima e fantástica obra ferroviária construída pelo Exército. "

 

Ramal abandonado
Hoje sem uso, o terminal rodo-hidro-ferroviário de Estrela em nada lembra os tempos áureos da inauguração. A parte do porto hoje serve apenas para o transporte de areia. Construído pela Rede Ferroviária Federal e o 1º Batalhão Ferroviário, o ramal de 15 quilômetros entre Colinas e o Porto de Estrela foi inaugurado em 1969, juntamente com a estação ferroviária. Estiveram lá o então vice-presidente da República, Adalberto Pereira dos Santos; ministro dos Transportes, Dyrceu Nogueira; comandante-interino do III Exército, general Antonio Carlos de Andrada Serp; o presidente da Portobrás, Arno Markus, e o governador Sinval Guazzell. A intenção era que funcionasse como entroncamento rodo-hidro-ferroviário. A primeira carga foi embarcada no porto de Estrela somente em 1978. Na época, a RFFSA divulgava que o complexo de Estrela era o mais moderno da América do Sul, constituindo-se num entroncamento fundamental para o escoamento das grandes safras agrícolas.

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