Geral

O Marxismo cultural

Artigo de Marcos Frank

Créditos: Marcos Frank

"O estado totalitário realmente eficiente seria aquele onde o todo-poderoso executivo dos chefes políticos e o seu exército de gestores controlariam uma população de escravos que não precisariam de ser coagidos porque eles amariam a sua servidão" - Aldous Huxley

Nascido na obscuridade na ilha de Sardenha em 1891, Gramsci estudou Filosofia e História na Universidade de Turim, e rapidamente se tornou num marxista aplicado, alistando-se no Partido Socialista Italiano. Imediatamente após a Primeira Grande Guerra, ele estabeleceu o seu próprio jornal radical, A Nova Ordem, e pouco depois ajudou a fundar o Partido Comunista Italiano.
Um marxista fanático no que toca às teorias políticas, econômicas e históricas, Gramsci ficou profundamente desiludido pelo fato da vida na Rússia comunista exibir poucas evidências de amor profundo por parte da classe operária pelo "paraíso" que Lenin havia construído para eles. Havia uma ligação ainda menor com conceitos tais como "revolução do proletariado" ou "ditadura do proletariado", para além da retórica obrigatória.
Pelo contrário, era óbvio para Gramsci que o "paraíso" da classe operária mantinha o seu domínio sobre os trabalhadores e sobre os camponeses apenas e só por meio do terror, dos assassinatos em escala gigantesca, e por meio do medo das visitas noturnas e do trabalho forçado na Sibéria. Também crucial para o poder de Lenin era a constante difusão de propaganda, de slogans e de mentiras. Tudo isto era uma desilusão imensa para Gramsci.
Com o fim dos seus dias na Rússia stalinista, Gramsci decidiu regressar à casa para tomar parte na luta contra Mussolini. Visto como uma ameaça séria para a segurança do regime fascista e um provável agente russo, Gramsci foi preso e condenado à prisão. Foi lá que ele dedicou os 9 anos de vida que lhe restavam à escrita.
"O camarada Lenin nos ensinou que [... ] na guerra dos exércitos, não se pode atingir o objetivo estratégico, que é a destruição do inimigo e a ocupação de seu território, sem ter antes atingido uma série de objetivos táticos, visando a desagregar o inimigo antes de enfrentá-lo em campo aberto." 
O pensamento de Gramsci libertou o projeto marxista da prisão do dogma econômico, e foi fundamental para subverter o pensamento e a sociedade cristã ocidental. 
Antes de Gramsci, se levássemos a sério os anúncios ideológicos de Marx e de Lenin, seríamos levados a acreditar que a revolta dos operários era inevitável, e que tudo o que era necessário era a mobilização das classes inferiores por meio da propaganda dando início a uma revolução universal.
Essa sempre foi uma diferença fundamental para entender o Brasil recente e para separar petistas de comunistas.
Gramsci deduziu que o mundo civilizado havia sido saturado com o Cristianismo por 2000 anos e que o Cristianismo era a filosofia dominante e o sistema moral na Europa e na América do Norte. O Cristianismo tinha se tornado tão integrado na vida diária de quase todos e era tão universal, que formava quase uma barreira impenetrável para a nova civilização revolucionária que os marxistas queriam criar.
As tentativas de demolição de tal barreira revelaram-se improdutivas uma vez que só geraram reações ou forças contrarrevolucionárias no jargão marxista, poderosas, consolidando-as e tornando-as potencialmente mortíferas. 
Devido a isto, em vez de um ataque frontal, seria muito mais vantajoso e menos perigoso atacar a sociedade do inimigo sutilmente com o propósito de transformar a mente coletiva da sociedade gradualmente durante um período de algumas gerações - da precedente visão do mundo Cristã para uma mais de acordo com o Marxismo.
Nem é preciso controlar toda a informação se for possível obter o controle das mentes que assimilam essa informação. De fato, os homens irão "amar a sua servidão" e nem se aperceberão que isso é servidão como bem escreveu Aldous Huxley.
A primeira fase para se obter a "hegemonia cultural" de uma nação é a debilitação dos elementos da cultura tradicional: As igrejas são transformadas em clubes politicamente motivados, que colocam ênfase na "justiça social" e no igualitarismo, e onde as doutrinas milenares e os ensinamentos morais são "modernizados" ou reduzidos até ao ponto da irrelevância; A educação tradicional é substituída por currículos escolares "emburrecidos" e "politicamente corretos", e os padrões de qualidade são reduzidos de um modo dramático; Os órgãos de informação como revistas, jornais e canais de televisão são moldados de modo a serem instrumentos de manipulação em massa, e instrumentos de assédio e descrédito das instituições tradicionais e dos seus porta-vozes;  A moralidade, a decência, e as virtudes do passado são ridicularizadas incessantemente; Os membros tradicionais e conservadores do clero são caracterizados como falsos e os homens e mulheres virtuosos são classificados de hipócritas, convencidos e ignorantes.
Isso é o marxismo cultural do qual tanto se fala ultimamente.

Comments

SEE ALSO ...