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Patram questiona colocação de peixes para Rio Taquari

Secretaria do Meio Ambiente enviou parecer técnico à Polícia Civil e ao Ministério Público, que vai analisar expediente


- Prefeitura de Lajeado/divulgação

LAJEADO | Tramita no Ministério Público (MP) o relatório enviado pela Patrulha Ambiental (Patram) da Brigada Militar a respeito da retirada de peixes do lago do Parque Municipal Professor Theobaldo Dick e transferência para o Rio Taquari. O fato se deu em dezembro do ano passado, quando espécies como cascudos e tilápias foram levados para outros locais. A notificação ambiental foi feita porque, de acordo com a Patram, as tilápias são do tipo exótica e podem colocar em risco os outros animais que vivem no rio, podendo saturar e destruir as espécies nativas.

No início de dezembro, os peixes foram levados para o Arroio do Engenho e para uma lagoa do Bairro Olarias. Cerca de dez dias depois, os animais foram transferidos para o Rio Taquari. Segundo o coordenador do Departamento de Agricultura da Prefeitura de Lajeado, Carlos Kayser, que na época acompanhou a retirada dos peixes, a transferência foi realizada por haver superlotação no lago do Parque dos Dick. No entanto, ele alega que, diferente do que foi divulgado, as tilápias não foram levadas ao Rio Taquari. "No Parque dos Dick há três espécies de peixes: a tilápia, que é a maioria, os cascudos e até algumas carpas. Mas a gente levou as tilápias para o Arroio do Engenho e para uma lagoa no Bairro Olarias", explica.

A notificação chegou ao MP pela Promotoria de Justiça Especializada de Lajeado, sob responsabilidade de Sérgio da Fonseca Diefenbach. O expediente ainda será analisado pelo promotor de Justiça.

Espécie exótica

O presidente da Rede de Proteção Ambiental e Animais (Reprass), Vladimir da Silva, explica que a tilápia é uma espécie exótica que serve para fins comerciais e não deve ser introduzida nos rios naturais, pois não possui predador. Ainda de acordo com Silva, quando é colocada em um ambiente natural como o Rio Taquari, ela começa a competir com as espécies naturais. "No rio ela não vai ter um predador e acaba tomando conta. Além disso, a partir do momento que se tira ela do lago e se coloca no rio, há uma grande possibilidade da espécie não sobreviver devido às temperaturas do lago e do rio, que não são iguais", completa.

Posição da Sema

Em parecer enviado pela bióloga da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), Daiana Paula Chini, à Polícia Civil, os técnicos da pasta afirmam não ter sido informados sobre a realocação dos animais. "A ação de retirada dos peixes sem o conhecimento dos técnicos da Secretaria do Meio Ambiente, bem como sem a devida autorização ambiental, foi baseada no princípio da precaução, ou seja, uma medida que buscou de certa forma evitar a mortandade de peixes do lago situado no Parque Professor Theobaldo Dick, local usufruído por diversas pessoas todos os dias", diz o documento enviado no dia 10 de maio. Ainda de acordo com o parecer técnico, um dos riscos da soltura de peixes em rios é a inserção de espécies exóticas na bacia hidrográfica, podendo gerar danos tanto na esfera ambiental quanto econômica e cultural.

Em 6 de junho, a Sema enviou um parecer ao Ministério Público (MP) com as mesmas afirmações. "Informa-se que não foi efetuada abertura de expediente junto à Sema, tampouco a Equipe Técnica foi cientificada acerca da retirada de peixes do lago do Parque Professor Theobaldo Dick", diz o documento enviado ao MP.

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