Geral

Polêmicas no plenário

Em uma sessão sem votações, reportagem sobre falta de manutenção em praças, privatizações e atraso na votação de projetos geraram debates acalorados

Créditos: Julian Kober
Waldir Blau (MDB) cobra agilidade da presidente do Legislativo, Neca Dalmoro (PDT), na votação da Lei Orgânica - Julian Kober

LAJEADO | Sem projetos na ordem do dia, sessão da Câmara de ontem foi marcada por polêmicas e discussões acaloradas entre os vereadores. Um dos principais assuntos foi a reportagem de O Informativo do Vale sobre os problemas nos parques municipais. A justificativa dada pelo prefeito Marcelo Caumo, ao alegar que os procedimentos legais atrapalham - e atribui a demora aos entraves burocráticos -, não agradou alguns representantes do Legislativo.

"Mas que burocracia? Esta prefeitura se caracterizou por várias obras com dispensa de licitação e aqui vai dizer que é preciso muito cuidado", comenta o petista Sérgio Kniphoff depois de ler a resposta do prefeito.

A presidente da Câmara, Neca Dalmoro, lamenta a situação dos três cartões postais da cidade. "Imaginem como estão as praças dos nossos bairros. Tenho passado por algumas e é lamentável o descaso", ressalta. Critica a falta de segurança nos parques e praças e acredita que, além de resolver os problemas de iluminação, é necessário investir em segurança. "Não entendo a dificuldade de colocar um vigia no Parque dos Dick. Penso que uma administração com superávit de R$ 12 milhões no primeiro ano e R$ 14 milhões no segundo, não prioriza pela segurança, o Pacto pela Paz vai ficar complicado", avalia.

O líder do governo na Câmara, vereador Mozart Lopes (PP), rebateu as críticas dos colegas. Em relação à falta de luz no Parque dos Dick, afirmou que foi uma falha da RGE e não do município, e que a empresa deverá se manifestar ainda hoje sobre a situação. Ressaltou que há um projeto de iluminação para o espaço e que os órgãos integrantes no Pacto pela Paz realizam rondas diárias lá. Em relação às praças, afirmou que em várias - desde a da Matriz e dos bairros Morro 25, Jardim do Cedro, Moinhos, Universitário, Florestal, Campestre, entre outros - houve reforma.

Ressalta, contudo, que a manutenção do Parque do Engenho "deixou a desejar", mas afirma que várias atitudes estão sendo tomadas. "A gente entende que houve talvez uma falha na comunicação das palavras do prefeito de que não há prazo para acontecer as reformas. Foram chamadas todas as pessoas responsáveis e há prazo sim, os projetos estão andando e todas vão ser revitalizadas."

 

Privatizações em debate

A votação da privatização da CEEE na Assembleia Gaúcha também foi bastante discutida. No entender de Mariela Portz (PSDB), é uma das mais importantes da história do Estado e uma oportunidade no que diz respeito ao crescimento econômico. "É a oportunidade de a gente reescrever a história do Rio Grande do Sul, colocando a iniciativa privada como protagonista do desenvolvimento econômico."

Acredita que anos atrás fazia sentido o Estado administrar, mas este tempo já passou. "O Estado é lento, burocrático, precisa realizar muitas vezes licitações para coisas que não têm necessidade. Pois para tudo que tem que ser feito licitação, porque parte para o pressuposto de que todo mundo é corrupto."

Sérgio Kniphoff (PT) e Carlos Ranzi (MDB) comentaram o fato do governador Eduardo Leite (PSDB) ter nomeado quase 90 CC's dias antes da votação. "É uma curiosidade um tanto irônica. Parece ser o novo jeito de fazer política. Precisa de 39 votos, pelo jeito vai ser fácil de conseguir", disse o petista. Ranzi também comentou as nomeações. "É de se envergonhar, de cair serragem no rosto. Seria o equivalente, por exemplo, que o prefeito contratasse pessoas de PMDB em troca de voto."

Ao mesmo tempo em que a privatização era discutida na Câmara em Lajeado, os debutados aprovaram a venda da estatal por 40 votos a 14.

 

Demora para votação da Lei Orgânica gera críticas

A ausência de projetos de lei na ordem do dia não agradou ao vereador Ernani Teixeira (PDT). Para ele, foi uma oportunidade perdida para analisar, discutir e votar propostas. "Não estamos aproveitando o verdadeiro objetivo da reunião, que é analisar projetos", afirma. Cita, por exemplo, a Lei Orgânica do município. "Fazem quase oito meses que a gente não vê nada sobre. Gostaria de deixar um apelo que a gente merecia um esclarecimento ao menos de porque está parado e de porque não veio ao plenário."

Ao citar a Lei Orgânica, Ildo Paulo Salvi (REDE) disse que apresentaria até quinta-feira sugestões ao projeto, pois afirma que há equívocos nele. "Foi muito bom o trabalho, mas acho que nós podemos melhorá-lo", afirmou.

Waldir Blau (MDB) cobrou a presidente Neca Dalmoro (PDT) que o projeto seja colocado em votação. Critica o fato de estarem apresentando emendas na última hora, pois foram dados prazos para isso e não darão mais. "Estão brincando conosco. Isso é uma falta de respeito com os colegas. Querem ser a última bolachinha do pacote."

 Em entrevista a O Informativo do Vale, Salvi rebateu as críticas dos colegas, afirmando que recebeu o projeto na sexta-feira passada (28).

 

Reportagem do jornal O Informativo do Vale sobre falta de manutenção em parques repercutiu na Câmara de Vereadores (Julian Kober)

Comments

SEE ALSO ...