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Prédio da antiga Polar pode dar lugar a uma nova sede do Fórum

Parte de complexo de cervejaria desativada poderá ser demolido para a construção de novo foro

Créditos: Julian Kober
HISTÓRIA ABAIXO: para a doação do terreno, antiga fábrica de cerveja deverá ser demolida - Lidiane Mallmann

Estrela - Um pedaço da história de Estrela pode dar lugar ao novo prédio para o Fórum. A prefeitura pretende doar área com 2.178 metros quadrados dos 8.875,34 metros quadrados do complexo onde ficava a antiga Cervejaria Polar. Para construir as novas instalações, o Estado precisa do terreno limpo, sem o prédio de alvenaria. O projeto de lei do Executivo causou polêmica na Câmara de Vereadores, esta semana. Foi retirado da pauta a pedido de João Braun (PP), que defende a doação de outro espaço. "Não concordo com a doação daquele prédio ao governo do Estado. A comunidade tem se posicionado contrária porque a cervejaria faz parte da nossa história e do nosso legado." Também criticou o fato de a Administração Municipal ter de arcar com os custos de demolição e limpeza. "Vamos gastar mais de R$ 300 mil em uma construção que nem sabemos quando vai ser feita, sendo que não há uma cláusula de reversibilidade no projeto. Não tem prazo para conclusão da obra. Daqui a 15 anos, podem simplesmente vender o terreno."

Definição em 2015

A Administração Municipal afirma que a área foi escolhida em 2015, quando o então presidente do Tribunal de Justiça do Estado esteve em Estrela. Na época, estava sendo pleiteada a implantação da 3ª Vara de Justiça. Uma vez que o atual prédio do Fórum está no limite de sua capacidade, o Judiciário solicitou um local para construção de novas instalações, em condições de abrigar mais uma vara. Assim, o município decidiu realizar uma visita ao terreno onde fica a fábrica. O local foi aprovado pelo Judiciário, e o município iniciou os trâmites para oficializar a doação. A prefeitura não tem uma previsão de quanto gastará para demolir o prédio e limpar o terreno.

Necessidade de nova sede

A diretora do foro da Comarca de Estrela, juíza Caren Letícia Castro Pereira, explica que a escolha do terreno foi feita pela prefeitura. Diante da oferta, o Judiciário enviou um engenheiro para visitar o local escolhido e atestou que seria viável a construção do novo Fórum, desde que o município fizesse a unificação das matrículas e a averbação da demolição do prédio.

A magistrada afirma que há uma necessidade de se construir uma nova sede, uma vez que o prédio foi erguido há mais de 30 anos e não possui a estrutura adequada para comportar a atual demanda de trabalho. "Quando o edifício foi construído, na década de 1980, a realidade era outra. Falta espaço para criar uma terceira vara, por exemplo. Também há uma questão de segurança, uma vez que não há uma entrada exclusiva para os presos. Com um novo edifício, podemos ter mais serviços e oferecer mais segurança a todos que o frequentam", destaca.

Para a juíza, é importante que o Legislativo continue a debater a doação do terreno e leve os seus questionamentos para a prefeitura. "Temos que continuar essa conversa e ver então um outro lugar, quem sabe sem nenhuma construção e que seja acessível."

Silêncio do Estado

A reportagem procurou o governo do Estado a respeito de outros imóveis de sua propriedade em Estrela e a negociação da área da antiga Polar com a prefeitura. Até o fechamento desta edição, a Secretaria de Modernização Administrativa e Recursos Humanos não havia retornado os questionamentos feitos ainda na quarta-feira.

História da fábrica

A fábrica Polar iniciou suas atividades em Estrela em 1912, com o nome Sociedade em Comandita Júlio Diehl & Cia. Uma de suas primeiras marcas foi a cerveja Aurora. A empresa chegou a empregar em torno de 800 cervejeiros na década de 1970, quando foi comprado pelo Grupo Antarctica Paulista. Começou a encolher em 2001, até ser desativada, em abril de 2006, pela Ambev, que havia adquirido o grupo nacional. No ano seguinte, a prefeitura comprou os imóveis pertencentes à multinacional, por R$ 1,4 milhão, em 36 parcelas.

"Esse prédio não pode ser demolido porque faz parte da história de Estrela. E para que ceder o terreno ao governo do Estado, que já possui várias áreas aqui? Lembro da época em que a Polar funcionava, dos funcionários saindo da fábrica. Como podem querer acabar com esse marco histórico? Precisamos conservá-lo. É inaceitável que o governo municipal pense dessa forma." José Carlos Fagundes, taxista

 

"É um prédio tão lindo e importante para a cidade. Não vejo por que demolir. Poderiam reformar e aproveitar a estrutura. É um ponto turístico que poderia ser usado para abrir um restaurante panorâmico ou uma área de lazer. Penso que seria mais viável do que demolir e ceder para o Estado."  Adriana Ordovas, doceira

"O prédio precisa ser preservado. É um patrimônio histórico. Ainda mais que os gastos com a demolição poderiam ser melhor utilizados em outro setor. O município deveria doar outro imóvel." Willian Braun, empresário

"O prédio deveria ser restaurado pela prefeitura. Talvez pudesse ser utilizado para a instalação de uma secretaria ou até para lazer para que a população pudesse aproveitar. Mas eu sou contra demolir." Tuana Caroline dos Santos, auxiliar de escritório

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