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Prefeitura e Brigada apreendem mercadorias de ambulantes

Ação, na manhã de ontem na Rua Júlio de Castilhos, é de rotina e visa recolhimento de materiais

Créditos: Jean Peixoto
Apreensão: agentes da Prefeitura de Lajeado e da Brigada Militar apreendem produtos comercializados irregularmente - Rita de Cássia

Lajeado - Óculos de sol, caixas de som, capas de celulares, cintos e fones de ouvido foram alguns dos objetos apreendidos pela prefeitura na manhã de ontem, durante operação de combate ao comércio irregular, realizada em frente à agência da Caixa Econômica Federal, na Rua Júlio de Castilhos. A ação, que teve apoio da Brigada Militar, deteve dois ambulantes, sendo um senegalês e um paraibano.

Conforme o secretário de Planejamento e Urbanismo, Rafael Zanatta, a operação é rotineira, mas não tem uma frequência predefinida. "Esporadicamente montamos ações neste estilo para que possamos, de fato, realizar o recolhimento", explica. Zanatta comenta que o apoio da polícia é importante, inclusive como meio de garantir a segurança dos ambulantes, que poderiam fugir e acabar detidos. "O paraibano vendia cintos e equipamentos eletrônicos. O senegalês, óculos. Ele já foi pego várias vezes", relata. Segundo o secretário, mais dois ambulantes transitavam pela rua, mas ao avistarem a viatura, recolheram os materiais e abandonaram o local.
Morador do Centro, Nelson Kuhn passava em frente à Caixa no momento da apreensão. "Eu entendo que é preciso ser legalizado, mas os caras são honestos e estão apenas trabalhando", comenta. Ele relata que, algumas vezes, fica difícil de transitar pela calçada devido aos ambulantes, mas questiona quanto à não existência de um espaço adequado para que possam vender os seus produtos.

 

As flores invisíveis

"O senhor trabalha aqui todos os dias?", questiona uma cliente. "Sim, de segunda a sábado", responde o vendedor de flores que atua na mesma calçada que os senegaleses e o paraibano, em frente à agência da Caixa, no cruzamento com a Rua Saldanha Marinho. O ambulante, que preferiu não se identificar, comenta que estava no local quando ocorreu a operação. No entanto, ao contrário dos demais, ele não foi interpelado pela prefeitura. Questionado sobre o fato, Rafael Zanatta afirma que não viu o vendedor de flores. "Essa é uma discussão que existe. Como ele está dentro do território particular da Caixa, em teoria, quem deveria questionar a permanência dele ali seria o banco." Contudo, Zanatta reitera que ele também está irregular e que já recolheu suas flores em outra ocasião.

 

Locais proibidos

O comércio ambulante não pode ser realizado em toda a extensão das ruas Júlio de Castilhos e Bento Gonçalves, na Avenida Benjamim Constant, no Centro, e nas respectivas vias transversais. Os produtos apreendidos só podem ser retirados mediante pagamento de multa e apresentação de nota fiscal comprovando sua origem. Segundo o secretário, os materiais ficarão armazenados na prefeitura e tudo o que não puder ser reutilizado ou que tiver procedência duvidosa será destruído. Itens que possam ter uso seguro, como meias e roupas, serão doados a instituições como a Sociedade Lajeadense de Auxílio aos Necessitados (Slan).

 

Camelódromo

Rafael Zanatta ressalta que o comércio ambulante não é proibido, mas deve ser feito em lugares específicos, permitidos por lei e necessita de licença expedida pela prefeitura. "Toda vez que é feita uma apreensão surge essa discussão sobre um possível camelódromo", lembra. O secretário explica que, a exemplo do que ocorre em Porto Alegre, a construção não seria o suficiente para neutralizar a atuação dos ambulantes irregulares. Segundo ele, há, inclusive, um terreno próximo à Praça da Matriz que poderia servir de abrigo ao futuro centro comercial, mas duvida que eles se limitassem àquele espaço, pois procuram ambientes movimentados. "Eles não querem apenas um local para ficar. Sábado mesmo eu estava andando na frente do Imec e tinha quatro ambulantes lá. Seria desperdício de verba pública." Ele lembra também que há espaços onde a prática seria permitida. "Nos Dick (Parque Professor Theobaldo Dick) pode. Por que eles não vão para lá?", questiona.

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