Geral

Primavera chega neste sábado

Estação das flores será mais chuvosa, com temporais, ventania e granizo

Créditos: Rita de Cássia
Ipês começam a pintar de amarelo ruas como a Tiradentes - Lidiane Mallmann

Lajeado - A estação mais colorida e alegre do ano chega oficialmente neste sábado, às 22h54min, e encerra-se em 21 de dezembro. Mas já vem dando o ar da graça, em especial nas tardes de temperaturas agradáveis - afinal, o clima não respeita o calendário. Conforme o Núcleo de Informações Hidrometeorológicas (NIH) da Univates, a estação marca a passagem das características do inverno para o verão, e por isso, é considerada de transição. Segundo a coordenadora do NIH, Carolina Heinen, na primavera de 2017 foi confirmado o fenômeno La Niña. Já este ano poderá ter a confirmação de El Niño entre o fim da primavera e início do verão. Isto irá diferenciar a primavera do ano passado para este. "Podemos adiantar que a primavera deste ano será mais chuvosa que no ano passado", explica. Outra característica da primavera é o aumento da ocorrência de eventos extremos de temporais com ventania, raios e granizo no Estado. "Isto ocorre devido às temperaturas mais elevadas associadas a circulação de umidade, que formam nuvens com amplo desenvolvimento vertical e com potencial para gerar temporais, também chamadas de nuvens convectivas", afirma. Ainda conforme o NIH, neste sábado, quando o inverno terminar, o sol emitirá a mesma quantidade de energia que os dois hemisférios, principalmente nas regiões próximas à linha do Equador. Desta forma, dia e noite terão a mesma duração - 12 horas de dia e 12 horas de noite.

 

Tendência

De acordo com divulgações de Institutos Mundiais e Nacionais de Climatologia, nos últimos meses, tem-se observado uma situação de neutralidade climática quanto ao fenômeno ENOS, ou seja, não há atuação de El Niño nem La Niña. No momento, observa-se um gradativo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, sendo assim, é possível que entre o fim da primavera e início do verão se confirme a atuação do fenômeno El Niño - ressalta-se que este aquecimento está ocorrendo lentamente, então, a probabilidade da confirmação de El Niño ser somente no verão é maior do que na primavera. Segundo estes institutos de climatologia, a tendência é de que a precipitação fique acima da normalidade na Região Sul do Brasil ao longo da primavera. Por conta deste prognóstico, não se descarta a possibilidade de cheias/inundações no Vale do Taquari. Além disso, temporais também devem ocorrer, uma vez que são típicos da estação.

 

Ipês

Quando o calorzinho da primavera começa, os ipês deixam ruas e residências com aquele clima da nova estação. Mas, segundo a doutora em botânica Elisete Freitas, infelizmente na região predominam as espécies exóticas. É o caso do ligustro (Ligustrum lucidum), da uva-japonesa (Hovenia dulcis), extremosa (Lagerstroemia indica), fícus (Ficus benjamina), palmeira real (Archontophoenix cunninghamiana), pata-de-vaca (Bauhinia variegata), jacarandá mimoso (Jacaranda mimosifolia), goiabeira (Psidium guajava), pau-ferro (Caesalpinia ferrea), sibipiruna (Caesalpinia pluviosa), os ciprestes  (Cupressus spp.), entre outras tantas. "Mais recentemente temos visto o aumento acentuado e preocupante do uso da figueira-chilena (Ficus auriculata). É preocupante porque não temos ideia do seu comportamento ao ser inserida em um novo ambiente onde não existem 'predadores ou competidores naturais' e não favorecem a presença, por exemplo, das aves que tanto embelezam nossas ruas, praças e parques. Por esse e outros motivos, precisamos mudar nossas atitudes em relação à escolha das plantas que usamos. É preciso entender que existem espécies nativas que são tão lindas ou muito mais que as exóticas que normalmente são plantadas". Ainda conforme Elisete, é mais difícil de lembrar quais são as espécies nativas presentes nas ruas das cidades. "Temos bastante, mas a lista é bem menor. O que precisamos mudar além de não plantarmos mais espécies exóticas é a diversificação. Não plantar uma única espécie nas ruas. Assim teremos flores e frutos em diferentes épocas do ano."


Nativas nas ruas

A doutora em botânica, Elisete Freitas, destaca que os ipês - o roxo (Handroanthus heptaphyllus) e o amarelo (Handroanthus pulcherrimus) - são importantes exemplos (e lindos) e estão no topo da lista. São encontradas na maioria das cidades. O ipê-roxo, da família Bignoniaceae, ocorre naturalmente em vários estados brasileiros, inclusive o RS: nas matas da floresta do Alto Uruguai e na Depressão Central - ou seja, é nativa em nossa região. Ela floresce de agosto a outubro. Encontra-se na lista das espécies ameaçadas do Brasil, na categoria Pouco Preocupante. Já o nome popular ipê-amarelo é usado para três espécies que ocorrem no RS. Pelas características, a espécie plantada nas ruas de Lajeado é Handroanthus pulcherrimus. Trata-se de uma espécie nativa do RS, mas que, diferente do ipê-roxo, não é nativo de nossa região. Sua distribuição natural no Estado é a Planície Costeira e a Floresta do Alto Uruguai. Além do RS, também ocorre em Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Não existem informações quanto ao seu grau de ameaça. O período de floração é o mesmo do ipê-roxo. "Outras espécies nativas também ocorrem em nossas ruas. Temos o araçá (Psidium cattleianum), a goiabinha-serrana (Acca sellowiana), a pitangueira (Eugenia uniflora) e o ingá (Inga marginata). Cada um com sua beleza e importância", explica Elisete. Ela destaca também que é preciso mudar comportamentos. Isso é urgente. "As secretarias de Meio Ambiente dos municípios precisam passar a cuidar disso. Exigir o plantio de nativas. E cada um precisa se conscientizar de que somos natureza, que não podemos nos afastar dela. E uma forma de fazer isso é através do plantio de árvores nativas."

 

 

Comments

SEE ALSO ...