Geral

Procuram-se alunos

Curso de inglês gratuito ofertado por moradores foi cancelado por falta de adesão

Créditos: Jean Peixoto
NO AGUARDO: José Isaías dos Santos Ferreira, Nancy Pereira dos Santos Ferreira e Recioli dos Santos esperam alunos retomar as aulas - Jean Peixoto

Lajeado - O desejo de oportunizar o aprendizado de um idioma estrangeiro à comunidade do Bairro Campestre fez com que o casal José Isaías dos Santos Ferreira (29) e Nancy Pereira dos Santos Ferreira (32) abrisse as portas da sua casa aos alunos. Em 2016, conseguiram ampliar o projeto com a ajuda da Associação dos Moradores do Bairro. No entanto, a novidade durou pouco mais de seis meses e acabou. O motivo foi a falta de interessados. "Eu sou fluente no inglês e gosto de ensinar. Nossa última tentativa de divulgar foi no ano passado, mas ninguém nos procurou", lamenta Nancy.

Natural de São Paulo, Nancy é enfermeira e já esteve em alguns países da África. "Em minha última viagem, passei uma semana no Quênia e 45 dias na África do Sul, onde aprendi muito", comenta. Além do inglês, Nancy é fluente em francês, mas segundo ela, não se sente segura para ensinar o idioma. José é servidor público, nascido em Porto Alegre, onde residiu até conhecer Nancy em um encontro da congregação da qual participam. "Foi em um retiro em Foz do Iguaçu, no Paraná. Nos conhecemos e logo nos casamos", lembra. Há sete anos, o casal decidiu migrar da Capital para o Vale do Taquari. A primeira pausa foi em Estrela, onde começaram a dar aulas de inglês em casa para uma turma de seis alunos. Há quatro anos, se mudaram para o Campestre, em Lajeado, onde residem desde então.

Sonho remanescente

Entre 2016 e 2017, Recioli dos Santos (74), presidente da Associação dos Moradores do Bairro Campestre, começou a frequentar a residência do casal. Contagiado pelo desejo de aprender a falar inglês, ofertou o espaço da Associação para ampliar o acesso às aulas. "Cada um ajudou um pouquinho. O inglês que a Nancy estava ensinando é aquele que as pessoas usam no dia a dia quando viajam", recorda. A turma iniciou-se com cerca de 15 inscritos. O primeiro aluno, como não poderia ser diferente, foi Recioli.

"Sempre tive o sonho de aprender a falar inglês. Na adolescência, estudei alemão gramatical, mas o inglês segue sendo um objetivo. Agora que sou aposentado, gostaria de conhecer os Estados Unidos e o Canadá com a minha esposa, mas infelizmente, as aulas acabaram", ressalta. Professor de teatro, Recioli aponta que, um dia, ainda pretende encenar uma peça totalmente em inglês com seus alunos. Relembra sua surpresa ao descobrir o significado de algumas canções ao traduzi-las pela primeira vez como a clássica I Will Always Love You, de Whitney Houston. "Minha filha disse que usaria essa música em um casamento. Quando eu traduzi, vi que se tratava de uma música de despedida ou traição. Não tinha a ver", comenta.

José Isaías dos Santos Ferreira salienta que o objetivo das aulas é a utilização na prática. "Queremos que a pessoa que aprende o inglês o utilize na comunidade, se tornando um agente de transformação social. Queremos que a pessoa tenha um aprendizado dinâmico", enaltece.

Bookafé

Com título composto pelo prefixo "Book", que significa livro, em inglês, e sufixo "Fé", o Bookafé é uma iniciativa do Instituto Vida para Todos (IVPT), idealizado pelo profeta chinês Dong Yu Lan (irmão Dong). A proposta é a construção de cafeterias que sirvam como local para tratar da religiosidade sob a perspectiva da doutrina ensinada pelo profeta, trocar aprendizados e experiências. Há unidades espalhadas por diversos locais do mundo. José e Nancy trabalharam na filial existente em Porto Alegre, enquanto moraram na Capital. Quando se mudaram para o Vale do Taquari, decidiram utilizar os livros e materiais fornecidos pelo Bookafé para ministrar as aulas de inglês. No entanto, o presidente da Associação de Moradores do Campestre estabeleceu um requisito. "A condição era que não fossem feitos cultos religiosos, apenas aulas." E assim foi, durante as noites de terça-feira, entre março e novembro de 2017, até que os demais alunos desistiram das aulas, restando apenas Recioli e o seu desejo de continuar aprendendo.

Saiba Mais

Conforme estudo publicado em 2018 pela organização internacional British Council, apenas 5% da população brasileira sabe falar inglês. Destes, apenas 1% apresenta algum nível de fluência. Em grande parte, o baixo índice se deve à qualidade deficitária do Ensino Público. Em um ranking de 70 países, o Brasil ocupa o 41º lugar, abaixo de outros países latino-americanos como Peru, Chile, Equador, e México.

Serviço

Os interessados em participar das aulas de inglês podem entrar em contato pelos telefones (51) 98330-5664 ou (51) 98140-8905, de segunda a sexta-feira, a partir das 18h.

Comments

SEE ALSO ...