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Professores paralisam aulas e reivindicam aumento salarial

Sem reajuste há cinco anos, educadores de 13 das 89 escolas estaduais da região também exigem o fim dos parcelamentos

Créditos: Cristiano Duarte
- Juremir Versetti/Chinelagem Press/divulgação

Lajeado - Foi com a vontade de mudar o mundo com o poder dos livros que a professora de literatura Marciane Rempel (48) adentrou pela primeira vez numa sala de aula do Colégio Estadual Presidente Castelo Branco há 19 anos.
Porém, a frustração com os parcelamentos salariais pelo 41º mês consecutivo e a falta de reajuste no piso há cinco anos, tem feito sentir-se desvalorizada. "Nossa categoria vive um estado de miserabilidade. Têm alunos no 3º ano do Ensino Médio que ganham mais do que eu que tenho mestrado. Não existe alternativa para nós a não ser a paralisação", diz. 


Ainda segundo ela, independente dos partidos que administraram o governo do Estado, todos têm colocado a educação apenas no discurso e não na prática.
"Nosso dia a dia é caótico. Existe dinheiro no governo para coisas menos importantes, mas os professores não são valorizados como deveriam".
Contrária à paralisação, a professora de Português, Lenira Almeida, acredita que os mais prejudicados com o manifesto são os alunos.


"O que dá para esperar de um estado que está quebrado? Como poderão fazer pagamentos se eles não têm dinheiro?", questiona. Para a educadora os parcelamentos não afetam sua rotina, pois, segundo ela, já adaptou-se a receber o pagamento até o dia 13 de cada mês. "Não entendo o porquê da paralisação. Estamos recebendo nossos pagamentos, apenas mudaram as datas de depósito do dia 30 para a metade do mês".


Diretor do Castelo Branco, Marcos Dal Cin, aponta que a reivindicação dos professores ocorre devido à falta de atenção do governo a questões que constantemente têm sido solicitadas pelos educadores e até então não foram atendidas, desde Sartori.


"O sindicato dos professores está em campanha pelo reajuste de 28% de reposição no salário que não houve nos últimos quatro anos", diz. Além disso, Dal Cin critica algumas alterações impostas pelo Governo Leite que têm feito com que o ano letivo tenha sido prejudicado aos alunos e professores.
"Várias escolas estão com bibliotecas fechadas parcialmente em função da falta de profissionais que não foram contratados. Os contratos temporários também estão retirando direitos e ânimos dos professores dentro das salas de aulas".

Teutônia

 

Os 12 professores da Escola Estadual de Ensino Fundamental Tancredo Neves também aderiram a greve. Cartazes com frases "Estamos literalmente no limite" e "Queremos a educação como prioridade!" foram espalhados pelo portões de entrada do educandário.


Segundo a professora Márcia Spezia, os educadores criticam a falta de reajustes nos salários por parte do governo que não acompanharam as altas de inflação.
"Nossa escola é muito privilegiada de não estar faltando professores, pois muitas outras enfrentam déficit no quadro de educadores. As escolas do Estado enfrentam carência e nenhuma previsão de melhorias".

O outro lado

A 3ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) afirma que as paralisações são um direito dos professores e não há como posicionar-se contra ou a favor desta medida.
"Enquanto 3ª CRE, somos governo", diz a coordenadora Cássia Benini.
Em nota, a Secretaria Estadual de Educação informa que os esforços do governo estão voltados ao diálogo com os professores na busca da construção de uma educação de qualidade que priorize o aluno.

 

Braços cruzados

Pelo menos 13 das 89 escolas estaduais da região aderiram à paralisação. Em cinco delas, nenhum professor deu aula. São os casos das escolas Farrapos e Monsenhor Scalabrini de Encantado; Tancredo Neves, de Teutônia; Presidente Castelo Branco (Castelinho), de Lajeado e Júlio de Castilhos, de Taquari.


Nas outras escolas houve apenas paralisações parciais. No Santo Antônio (antigo Ciep), de Lajeado, quatro professores trabalharam e outros oito funcionários aderiram à paralisação. Em Tabaí, na Escola Pedro Rosa, as atividades foram paralisadas das 10h às 12h. Na Escola Barão de Ibicuí, em Taquari, alguns professores participaram da greve. Na Gomes Freire, em Teutônia, dos 50 profissionais, 12 paralisaram. As paralisações também ocorreram nas escolas de Capitão; Agostinho Coste e Jardim do Trabalhador de Encantado e em Doutor Ricardo.

 

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