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Quando a maternidade e a Medicina andam juntas

No Dia das Mães, Ana Lúcia, Helena e Paola contam como conciliam duas realizações na mesma etapa da vida

Créditos: Fernanda Mallmann
- Lidiane Mallmann

Lajeado - Ana Lúcia Abujamra (38), Helena Oliveira Ederich (36) e Paola Veiga (32) são mulheres com objetivos em comum: elas pretendiam ser mães e também querem ser médicas. Quis o destino que a maternidade viesse enquanto cursam a faculdade - que exige disponibilidade para estudar manhã e tarde, além de ocupar algumas noites também. Neste Dia das Mães, elas são o símbolo da mulher moderna, que busca a sua realização profissional sem deixar de lado o sonho de ver nascer do seu ventre uma nova vida.

Mas assumir essa tarefa dupla não é tarefa fácil. Para as estudantes de Medicina da Universidade do Vale do Taquari (Univates), a palavra de ordem precisa ser organização. Todas elas deixam os bebês em escolinhas no período que estão em aula. Em casa, sobra pouco tempo. O jeito é estudar à noite ou acordar de madrugada para dar conta das leituras, quando necessário. Se o sacrifício vale a pena? Elas não têm dúvida. A maternidade foi escolha e presente.

 

Ana Lúcia Abujamra

38 anos, biomédica, acadêmica do 7semestre de Medicina. Mãe de David (1 ano e 4 meses) e de Olívia (2 meses).

Num espaço curto de tempo, Ana Lúcia foi mãe duas vezes. Ela lembra que, nas aulas de Cirurgia, muitas vezes a barriga pesava na gestação, pois são muitas horas de pé. "O mercado é ingrato com as mulheres. Pensei em ser mãe agora porque acho que seria ainda mais difícil na residência", avalia.

Com a família morando em São Paulo, Ana Lúcia divide as tarefas com o marido e uma babá. "Exige organização e disciplina, mas tenho um bom desempenho. Nenhuma de nós quer que facilitem a nossa vida como estudantes porque somos mães", observa.

O tempo na Univates é aproveitado para estudar o máximo possível, porque em casa... "Eu nunca sei como vai ser. Eu já aprendei que em casa eu não estudo, eu cuido deles. Isso me deixou menos ansiosa. Quero ser ótima mãe e ótima aluna. Tenho essa cobrança, mas estou aprendendo a me perdoar mais também", diz a mãe de David e de Olívia.

 

Helena Oliveira Ederich

36 anos, formada em Marketing com MBA em Negócios, acadêmica do 8o semestre de Medicina. Mãe de Milena (19 anos) e de Sofia (10 meses).

Enquanto Helena amamenta Sofia, ela também almoça e aproveita para estudar. Dividir-se em várias faz parte do dia a dia desde que a pequena chegou. "Foi uma gravidez planejada. Como quero fazer residência, depois que eu me formar, acho que vou precisar dar um gás maior ainda. Então, foi melhor ter mais um filho agora", diz.

Se a rotina é cansativa e corrida - com saídas da Univates para amamentar a caçula - ver que objetivos estão se realizando enche Helena de orgulho. "Era um sonho ser mãe, mas não o único. Tenho o sonho de ser médica também", destaca.

Passar por uma segunda gestação ajudou Helena a melhorar como pessoa e como futura profissional da Medicina. "A minha primeira gravidez foi muito mais tranquila, a segunda já pesou mais. A forma de abordar o paciente muda depois que passamos por certas experiências", avalia a mãe de Milena e Sofia.

 

 

Paola Veiga

32 anos, enfermeira, acadêmica do 6semestre de Medicina. Mãe de Martina (9 anos), Aurora (3 anos) e de Bibiana (1 ano e 7 meses).

Toda vez que um novo semestre começa, é um quebra-cabeça para Paola organizar a rotina dela com a das três filhas que vão para a escola e para creche. É preciso levar, buscar, auxiliar na lição das meninas. "Eu sei que quando na escolinha pede uma foto, por exemplo, eu sou aquela mãe que envia nos 45 minutos do segundo tempo", brinca. "A gente aprende a ser mais flexível também", analisa.

As duas filhas mais novas de Paola nasceram durante o curso. Uma preocupação era como amamentar as meninas. "Havia dificuldade para armazenar o leite aqui na Univates. Fui indo em busca dessas coisas." Para Paola, as universidades de uma forma geral deveriam dar mais atenção à essa questão: "A maioria das mulheres que está na universidade, está na idade fértil ou tem filhos. Elas precisariam ser amparadas", acredita.

Uma das ideias de Paola é ter uma creche dentro da instituição, especialmente no turno da noite, quando o número de alunas é maior no Ensino Superior. "Nem tudo são flores quando se trata de estrutura para a mulher que é acadêmica e mãe. Precisamos falar sobre isso, ter mais sensibilidade para isso", ressalta a mãe de Martina, Aurora e Bibiana.

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