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Parque Professor Theolbaldo Dick sofre com falta de iluminação, no Parque Histórico, o abandono das casas, e no Parque do Engenho a falta de manutenção

Créditos: Cristiano Duarte
Falta de manutenção no parque do Engenho causa perigos aos visitantes. Sem previsão de melhorias, local fica a mercê de usuários de drogas - Lidiane Mallmann

De praxe, no início da tarde, o expedidor Pedro Pozzebom (54) sai de sua cada e caminha por duas quadras até o Parque do Engenho para conferir a situação de um dos seus locais favoritos na cidade. Rotina que cumpre quase todos os dias há 25 anos tem sido constantemente impactada pelo cenário de descaso. A roda do engenho sem girar há pelo menos quatro anos, o lixo na água, a lagoa turva e até os patos sem alimentação.

"A gente que mora perto costuma vir trazer milho e grãos para os patinhos. Dá pena dos bichinhos. Pagamos impostos e ninguém faz nada neste parque. O prefeito não quer nem saber", protesta Pozzebom.

Segundo ele, as tradicionais rezas de terças-feiras feitas há cinco anos pelas senhoras que frequentavam a capelinha do Engenho para fortalecer a fé hoje dão espaço a usuários de drogas. "Não se tem hora para ver o absurdo no Engenho. É lamentável a situação. Antes vinham crianças de escolas e turistas. Agora, me diz, o que o pessoal vai ter para ver neste parque?" esbraveja.

Atônito pela falta de segurança no Engenho, o aposentado João Sergio (58) passeava com seu cachorrinho Jacinto. Vindo da Capital faz três meses, ele recorre ao parque para caminhar com seu mascote longe do trânsito. "A gente fica receoso. Deveria ter câmera de segurança. A gente não vê polícia por aqui. Volta e meia tem alguém fumando maconha. Não dá para se sentir seguro", lamenta João.

Tamanha poluição nas águas do Engenho, um peixe muçum foi visto morto pela reportagem de O Informativo do Vale. Num dos dutos, parte do concreto está quebrado, deixando um grande buraco que oferece risco aos visitantes. Além disso, diversos locais estão sem proteção, apenas com fitas de alerta.

"Esses locais já estão interditados há mais de cinco anos", conta Pozzebom.

Defensora do Parque do Engenho, para a jornalista Laura Peixoto o descaso no local é reflexo do desinteresse político pela manutenção dos espaços públicos. "Mudam apenas os partidos dos governos que administram, os problemas sempre se mantém. Isso ocorre porque nosso políticos estão todos atrelados à construção civil. Estão apenas interessados em concretar a cidade".

 

Filme de terror

Cenário do filme "A paixão de Jacobina", em 2002, que conta a história de uma filha de imigrantes alemães que se torna líder de uma seita depois de ter uma visão na qual falou com Jesus e acredita na cura do corpo pela da limpeza da alma, hoje parece mais a locação de um filme de terror.

As casas em estilo enxaimel do Parque Histórico, algumas centenárias, encontram-se em completo abandono. A maioria com piso cedido, sem uso, com gambás, ratos e emaranhados de teias de aranha.

No Centro de Cultura Afro-Brasileira, o piso cedeu e não há mais assoalho. O abandono foi tamanho, que o presidente da entidade, Recioli dos Santos (75), decidiu desistir da ideia de manter a instituição no Parque Histórico. "Eu larguei este pessoal da prefeitura de mão. Cansei de ir atrás e tentar resolver. Uma luta de quase dez anos. Eles não têm interesse político por isso, aí fica nesta situação de abandono", conta Recioli.

Com a ajuda do vereador Ildo Salvi (REDE), o Centro de Cultura Afro-Brasileira conseguiu uma sede no Bairro Igrejinha. "Eram de umas irmãs. Estava sem uso devido a distância. Deus olhou por nós, agora teremos espaço para fazer nossas oficinas de cultura negra", celebra Recioli.

No espaço do Clube do Fusca não é diferente. O piso envergado pelo peso e desuso, móveis e sujeira causadas pelo abandono. Além disso, a pinguela está interditada, e a roda do engenho não existe mais.


Breu nos Dick

Assolados pela escuridão causada pela falta de iluminação nos postes, aqueles que recorrem ao Parque Professor Theobaldo Dick ao fim do dia para a pratica de esporte, como caminhada ou corrida, por exemplo, enfrentam o perigo da falta de segurança.

"Já ouvi falar que aqui tem muito assalto. Eu procuro praticar algum esporte mais pro fim do dia, que é quando a gente pode. Mas dá medo. Qualquer um que se aproxime no escuro a gente já fica ressabiado", conta a dona de casa Elenir Andara (42).

A caminhada da babá Natalia Soares começa por volta das 17h30min pelo Parque dos Dick. Com a chegada do inverno, o anoitecer vem mais cedo e com ele a insegurança da falta de iluminação no local. "Estava caminhando na pista de atletismo. Percebi que são raros os postes com luz, então preferi caminhar pela calçada nas imediações do Parque. Pelo menos aqui o fluxo de carros é maior", aponta.

Dando as últimas voltas na caminhada pela pista de atletismo, o aposentado Paulo Isam (59) passou também a se preocupar com as moças fazendo esporte aquela hora da noite. "É um perigo. Já reclamei na prefeitura. Parece que a empresa já veio três vezes aqui, mas até agora não resolveu nada. Quem só tem tempo para praticar esporte a esta hora, corre risco aqui nos Dick", conta o aposentado.

 
A culpa é da burocracia

O prefeito Marcelo Caumo afirma que não há previsão de melhorias em nenhum dos três parques citados na reportagem para os próximos meses. Segundo ele, infelizmente, os entraves burocráticos demoram para dar as respostas que a sociedade espera. "Os procedimentos legais atrapalham tanto o particular quanto o público. As intervenções precisam de licitação".

Sobre a escuridão no Parque dos Dick, Caumo afirma que iniciou um processo para elaborar um orçamento de modernização da iluminação pública do local. Nos próximos dias, deve ocorrer nova licitação para o tema.

Em relação, ao Parque Histórico, o prefeito conta que a legislação que permite adoção das casas proíbe a exploração comercial. "Temos o intuito de flexibilizar isso para que a manutenção seja facilitada", conta Caumo.

 

 

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