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Seis anos de luta contra o alcoolismo na adolescência

Programa Vida + Viva, sem álcool (-) 18 anos comemora aniversário e assina repasse do Estado

Créditos: Jean Peixoto
Equipe do programa Vida + Viva e voluntários durante o 4º Concurso Cultural - Eduardo Stramari

Lajeado - O alcoolismo na adolescência é uma questão delicada, que necessita de um olhar atento e sensível. Para dialogar com a comunidade sobre o tema, em 6 de dezembro de 2012, teve início o Programa Vida + Viva, sem álcool (-) 18 anos. "Nosso objetivo é disseminar o conhecimento e as boas práticas junto aos adolescentes, educadores e os pais", salienta a secretária-executiva do programa, Gilmara Scapini. Na data em que celebrou seus seis anos, o programa recebeu um repasse de R$ 34.393,42 do governo do Estado, no Palácio Piratini. O valor foi concedido por meio de edital do Fundo Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Feca), fruto da parceria entre a Secretaria de Desenvolvimento Social, Trabalho, Justiça e Direitos Humanos (SDSTJDH) e organizações da sociedade civil. Também participaram da cerimônia de assinatura o governador José Ivo Sartori; a primeira-dama Maria Helena Sartori; o presidente da Associação Lajeadense Pró-Segurança Pública (Alsepro), Antônio Scussel; secretária-executiva Maiticia Hamester; e o coordenador do programa Vida + Viva, Neidemar Fachinetto, esta semana.
Gilmara comenta que, ao longo dos últimos seis anos, o programa vem buscando ampliar a visão da comunidade quanto à questão do consumo e venda de bebidas alcoólicas para adolescentes. "No início, visitamos cerca de 200 estabelecimentos comerciais da região. Nosso objetivo foi divulgar o programa e levar informação aos comerciantes, para que não comercializassem bebidas para menores de idade, conforme previsto na legislação federal e municipal", comenta. No entanto, Gilmara frisa que a fiscalização não é tarefa do programa. "Nosso compromisso é alertar a comunidade sobre o tema. Fiscalizar cabe aos órgãos competentes."

 

Concurso cultural

Uma das iniciativas que integram o Vida + Viva é o Concurso Cultural, realizado
anualmente desde 2015, que abrange escolas da rede pública e privada. A atividade é dividida em quatro categorias: dança, vídeo, teatro e música. Todos as produções visam discutir a questão do alcoolismo na adolescência de forma lúdica. Na última edição, a atividade foi reformulada. Além das escolas, o Concurso Cultural passou a contar com adolescentes atendidos por órgãos públicos como o Centro de Referência de Assistência Social (Cras), o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) e o Centro de Atenção Psicossocial Infantil (Caps-i). Entre 2015 e 2018, o volume de alunos envolvidos cresceu mais que o dobro. Na primeira edição, foram 12 escolas com 16 projetos inscritos. Este ano, foram 23 escolas e instituições com 28 projetos. Gilmara aponta que, inicialmente focado em Lajeado, hoje abrange escolas de diversos municípios vinculados à 3ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE).

 

Seminário temático

Para ir além dos adolescentes e discutir o tema com pais e profissionais das áreas de educação, saúde e jurídica, o Vida + Viva promove, a cada dois anos, um seminário temático. Gilmara Scapini comenta que a atividade conta com palestrantes de nome renomado no assunto. "Com o público adulto, precisamos ter uma abordagem diferente, então promovemos discussões mais técnicas", ressalta. Em setembro de 2017, a convidada foi a presidente da Fundação Thiago Gonzaga, Diza Gonzaga, do Vida Urgente, que palestrou sobre os impactos sociais do consumo de álcool e o aumento da violência no trânsito. Para 2019, Gilmara prevê mudanças. "Sempre buscamos inovações para cada edição. Estamos pensando em um novo formato para o próximo seminário. Queremos alcançar mais pessoas", destaca.

 

Estudo em andamento

O coordenador do Vida + Viva, Neidemar Fachinetto, destaca a importância do estudo que será lançado ainda neste mês sobre o tema. Realizada pelo professor Luis César de Castro, a pesquisa fez um mapeamento do consumo de álcool entre adolescentes no município. Fachinetto salienta a gravidade e urgência da discussão deste tema. "A sociedade precisa se dar conta do quão prejudicial é essa exposição abusiva ao álcool, pela qual passam os adolescentes." Um dos dados mais alarmantes é o crescimento do consumo entre jovens de 12 a 17 anos que saltou de 28% para 52% entre 2012 e 2017. Ele ressalta que o consumo de outras drogas, muitas vezes, inicia-se pelo abuso alcoólico. "O uso recreativo de alguns psicoativos começa pelo uso abusivo do álcool. Esse problema já começa pela disponibilização de bebidas para menores de idade", frisa.

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