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Transformação digital é a chave para o crescimento do varejo

Painelistas da 19ª Convenção CDL instigam comerciantes a aproveitar a tecnologia

Créditos: Cristiano Duarte, Julian Kober
- Lidiane Mallmann

LAJEADO | Mais de 700 pessoas lotaram o Clube Tiro e Caça para participar da 19ª Convenção da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). Nesta edição o evento se propôs a debater o tema "Talento e transformação digital - o que faz a diferença?". Para abordar o assunto, a entidade trouxe palestrantes renomados no país. Quem participou dos painéis teve a oportunidade de conferir por mais de quatro horas o cenário e a influência do marketing digital e da tecnologia no mercado varejista.

Para o presidente da CDL, Heinz Rockenbach, a chave para o desenvolvimento do comércio está na transformação digital. "Sabemos quais as nossas deficiências na área. E aqui temos quatro palestrantes de diferentes áreas, mas voltados para o tema do congresso, para que possamos agregar conhecimento e aprimorar nosso negócio."

 

Proporcionar experiências

"O Novo Varejo: Inovações na Prática" foi o tema da primeira palestra da convenção, ministrada pelo coordenador do Sebrae, Fabiano Zórtea. Responsável por desenvolver estratégias para o varejo, o curador de conteúdo da National Retail Federation - considerada uma das maiores associações comerciais do mundo - falou sobre a importância de criar experiências para os consumidores.

Segundo Zórtea, 71% dos consumidores dizem que é mais provável comprar de uma marca que ofereça uma experiência de compra personalizada. Cita o exemplo da Cadile Calçados, de Ijuí, que instalou grama sintética no interior da loja para os clientes experimentarem as chuteiras. Também colocaram uma esteira para testar os tênis de corrida. "Não faz sentido testar uma chuteira ou tênis de corrida no piso frio. A experimentação está ligada à conversão. Virou um ponto turístico da cidade", relata.

Outro exemplo é o Starbucks, onde os funcionários interagem com os clientes enquanto preparam o café, contam a história da bebida e como ela é produzida. "É uma forma de envolver o consumidor."

Além de produtos, o palestrante defende que as lojas precisam apresentar elementos diferenciáveis nas lojas físicas, para que o cliente sinta-se em casa quando estiver dentro do estabelecimento. Para ofertar uma experiência mais ágil, Zórtea sugere que as empresas também criem vínculos de compras online para retirada na loja. "É um jeito diferente de fazer."

Zórtea também defende o varejo humanizado, onde o primeiro investimento deve ser nas pessoas, em especial a valorização dos funcionários. "Nada substitui o humano, digital é o apoio. O varejo nunca precisou ser tão humanizado como agora."

 

Abraçar a tecnologia

Considerada uma das principais pensadoras digitais do Brasil, a escritora Martha Gabriel abordou o tema "Transformação digital: adapte-se ou adapte-se". Com bom humor e muita interação, a profissional em marketing digital ressaltou a necessidade de abraçar a tecnologia no varejo. "Se o ritmo de mudança do lado de fora da empresa ultrapassa o ritmo da mudança do lado de dentro, o fim está próximo", disse, citando o renomado executivo Jack Welch.

Martha instiga os varejistas a integrar inovações tecnológicas que estão alinhadas à cada empreendimento, que contribuam com o desenvolvimento e o crescimento econômico.

"Hoje existe tecnologia e soluções de startups para tudo. Comece pensando em tecnologias para melhorar o atendimento ao cliente, para melhorar o custo. É um passo por vez. Com isso você começa a ter mais resultados e mais estrutura para investir", destaca.

Conforme a especialista, o varejo precisa ir além das redes sociais e utilizar melhor as ferramentas à disposição. Ressalta que 41% das empresas não possuem estratégias claras de relacionamento com clientes no meio digital. Além disso, não utilizam cadastro de dados sobre os consumidores para pensar em novas ações para implementar nos negócios. "Você pode estar muito bem no analógico. Mas do dia para noite pode vir uma disrupção, que foi o que aconteceu com o Motorola quando chegou o iPhone. Se você começa a entender as tendências e se preparar para elas, vai gradativamente chegando ao futuro. Se não entender e não estiver preparado, na hora que chegar na sua cidade você vai fechar as portas. Por isso é importante se preparar."

 

Do online para o offline

O fluxo nas lojas físicas decai 10% nos estabelecimentos comerciais a cada ano. Na outra ponta, o e-commerce, o comércio digital, cresce 14%.

No entanto, para o palestrante Tiago Mello, especialista em e-commerce e marketing digital, 90% do mercado ainda é físico. Ele palestrou sobre o tema do evento "Talento e Transformação Digital".

"As pessoas buscam o que querem na internet, mas ainda recorrem ao espaço físico das lojas para efetuarem as compras. Por isso, é de suma importância que as empresas estejam também no meio digital - não apenas para vendas, mas para aumentarem o fluxo de pessoas em seus espaços físicos", salienta Mello.

Para o terceiro palestrante do evento, o desafio para os executivos de varejo está na adaptação aos novos padrões de consumo dos clientes.

"A loja física atrai para o digital e o digital tem que atrair para a loja física".

Traduzindo este dado, o especialista em e-commerce revelou que em 2004, 13% das pessoas eram influenciados pelos sites das empresas para comprar nas lojas físicas e em 2018 o número passou para 62%. "O mundo muda e é preciso acompanharmos os processos. Quem não se adapta, não acompanha".

Dos gargalos destes novos tempos, para Mello, assim como as tecnologias aumentam a gama de possibilidades nos negócios, elas também tiram o foco das pessoas que querem empreender ou fazer a diferença num determinado segmento.

"Demoramos 20 minutos para alcançar o foco pleno e uma pessoa olha o celular em média uma vez a cada oito minutos: ou seja, desta forma nunca atingimos o foco pleno."

 

E se...

O início de uma boa ideia, por vezes, surge a partir de um "E se...". Por meio destas três letras estão incumbidas uma ou mais possibilidades para solucionar um problema. Na palestra final do evento, o comediante, mestre de cerimônias e professor de criatividade, Murilo Gun abordou o processo criativo baseando-se no tema "O segredo do fracasso".

Ao questionar as pessoas na plateia da convenção se elas acreditavam que uma criança é criativa, a grande maioria levantou o braço, acenando positivo. Já ao perguntar se um adulto é criativo, o número de pessoas que gestionaram de forma afirmativa diminuiu significativamente.

"O que muda uma criança para um adulto é o tempo. Somos doutrinados em uma série de momentos da vida a pensar as coisas de forma confortável, de não ir além para não errar e fazer as coisas num padrão em que é aceitável. Esses são os bloqueios que aprendemos na escola, na faculdade ou no trabalho", aponta o palestrante.

Para criar o novo, Gun sugere que as pessoas se atentem sempre na sede pela curiosidade, para alimentarem suas referências como gatilhos na hora em que precisarem de uma nova solução. "A curiosidade é gratuita. Ela gera repertório. Para inovar, é necessário ser um especialista em curiosidade."

À exemplo, ele citou o uso da roda pelo homem. Depois de muito observar maçãs caindo de árvores e rolando, ou coco de coqueiros, o homo sapiens viu que poderia ter uma utilidade para aquilo no seu dia a dia."As coisas todas estão postas, basta olharmos para elas de uma forma diferente. Inovação é a criatividade emitindo nota fiscal. Assim como a imaginação é a capacidade de criar imagens, a criatividade é a capacidade de inovar soluções para problemas."

 

 

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