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Um olhar atento em prol da vida

Matriciamento é uma das estratégias para a manutenção da saúde mental

Créditos: Rita de Cássia
Matriciamento: profissionais dos três Caps que levam informações às unidades básicas - Lidiane Mallmann

Lajeado - Todo dia é dia de alerta para a saúde mental nos três Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e também nas unidades de saúde básica. Um dos grandes aliados para isso é o matriciamento - uma estratégia do Ministério da Saúde para reduzir os agravos causados pelo adoecimento mental da população. Em Lajeado, o serviço é oferecido a partir de um suporte de profissionais de saúde mental dos três Caps em oito Estratégias de Saúde da Família (ESF) - Conservas, Conventos, Jardim do Cedro, Moinhos, Olarias I e II, Santo André, Santo Antônio e São Bento. São profissionais de diversas áreas especializadas, com o intuito de ampliar o campo de atuação e qualificar as ações. Ou seja, o matriciamento é um novo modo de produzir saúde em que as equipes, em um processo de construção compartilhada, criam uma proposta de intervenção pedagógica-terapêutica. Entre os processos, estão a redução da lógica encaminhativa, atenuação dos efeitos burocráticos, ampliação da atenção clínica, atendimento ou intervenção conjunta. Como resultado, o grupo de matriciadoras tem observado maior vínculo entre profissionais dos diferentes serviços e usuários da rede de saúde, construção de planos terapêuticos a partir do território das pessoas e da corresponsabilização dos serviços envolvidos com a ampliação do olhar de diferentes saberes e profissões.

 

Olhar atento

Conforme a coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Adulto de Lajeado, Tatiane Marques de Castro, quem iniciou o processo de matriciamento foi o médico psiquiatra do Caps Adulto, Gustavo Grazziotin, a partir de um levantamento das unidades básicas de saúde que mais encaminhavam casos. "A maioria das pessoas é atendida primeiramente na unidade básica, que é a porta de entrada para o início de um acompanhamento. E o matriciamento é esse auxílio dos profissionais do Caps para dar um apoio aos que recebem essa demanda inicial. Em reunião semanal são organizados os atendimentos e informações a ser apresentadas nas unidades básicas pelas especialistas dos três Centros de Atenção Psicossocial (Caps). Caps Infância e Adolescência: enfermeira, Patrícia Ana Müller e psicóloga, Vanessa Brandão; Caps Adulto: psicóloga, Ane Schardong e psicóloga, Andiely Dreyer; Caps Álcool e Drogas: psiquiatra, Carla Felin; psicóloga, Graciela Pasa e assistente social, Leila Sehnem; e a residente do Hospital Bruno Born (HBB), Ruana Rigo.

 

Atendimento

A coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Adulto de Lajeado, Tatiane Marques de Castro, explica que qualquer indivíduo que chegar na recepção e falar que precisa de algum auxílio é recebido pelos profissionais da acolhida - das 8h às 18h. As equipes verificam o motivo da busca pelo serviço. "É feita uma avaliação para saber se ele continuará sendo assistido pelo Caps - que atende transtornos mentais e persistentes como a depressão com ideação ou tentativa de suicídio, a esquizofrenia, transtornos de ansidade ou tudo aquilo que causa riscos, tanto para o paciente, quanto para terceiros, e que sejam graves. Os casos de depressão leve ou transtornos de ansiedade ainda no início, são encaminhados para outro atendimento."

 

Alerta

O três Caps atuam na promoção da vida, seja nos atendimentos das próprias unidades ou com as atividades realizadas junto das equipes da saúde básica. Por isso é tão importante os profissionais estarem atentos aos diferentes tipos de sinais - seja nos casos mais graves e complexos, seja nas manifestações mais leves e de fácil resolução. Conforme a coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Adulto de Lajeado, Tatiane Marques de Castro, houve um dia do mês de setembro que chamou a atenção da equipe. Num mesmo dia foram atendidos sete casos de acolhimento a pessoas com pensamentos e ideias de morte, ou até com tentativas já realizadas contra a própria vida. "Isso é muito grave e, por isso, o trabalho dos profissionais especializados é tão importante", destaca. O que também se destacou nesse dia específico é que praticamente todos estavam procurando ajuda pela primeira vez.

 

Motivação

Há quatro meses, a enfermeira Tatiane Marques de Castro assumiu como coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Adulto de Lajeado - contratada pela Univates. Mas a experiência é de 13 anos na área, em Caxias do Sul. Segundo ela, muitos dos problemas apresentados por quem procura o serviço estão relacionados à baixa tolerância à frustração. "É um conjunto de fatores como perda do emprego, crise e relacionamentos familiares conturbados. Além de transtornos mentais hereditários. Talvez algo que seja facilmente resolvido para alguns, para quem já tem esse tipo de carência acaba não conseguindo resolver e vai acumulando. O estresse, a rotina, o trabalho em excesso e poucas atividades de lazer, também influenciam no adoecimento. As pessoas não têm muito cuidado com a própria saúde, principalmente, a saúde mental", afirma.

 

Saiba Mais

As pessoas não estão felizes o tempo todo, mas alguns sinais podem demonstrar a necessidade de procurar ajuda. Se você ou alguém que você conhece apresentar constante desânimo, irritabilidade, tristeza, agressividade, choro frequente, descuido com a higiene, alterações na fome, baixa autoestima, alterações no sono, isolamento social e desinteresse pela vida, é preciso buscar acompanhamento especializado.

Centro de Valorização da Vida (CVV): fone 188
Caps Infância e Adolescência: (51) 3982-1122
Caps Adulto: (51) 3982-1125
Caps Álcool e Drogas: (51) 3982-1416

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