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Uma profissão, diferentes missões

No Dia dos Professores, conheça três histórias de quem escolheu transformar o mundo por meio da educação

Créditos: Bárbara Corrêa
- Lidiane Mallmann

Lajeado - Neste sábado (15), dia em que se comemora o Dia do Professor, apresentamos três histórias de profissionais que foram cativadas pela missão de auxiliar o próximo, enxergando o ensino como ferramenta para uma sociedade melhor. Conheça as trajetórias das professoras Soraya Abichequer Beer, Suzana das Graças Amaro e Claudete Dall Oglio.


Pedagogia para resgatar a autoestima
Soraya Abichequer Beer atou como professora da rede estadual por 28 anos. Atualmente, leciona no Colégio Madre Bárbara e desempenha uma de suas principais funções como pessoa: o voluntariado.

Há 23 anos, Soraya é professora voluntária da Fundação Reabilitação Deformidades Crânio-Faciais (FundeF), em Lajeado, com objetivo de resgatar a autoestima dos usuários, reforçar a alfabetização e minimizar a vergonha na hora de se expressar.

"Na sala de aula o professor é condutor da alfabetização. Na Fundef, além de alfabetizar, resgatamos a autoestima, reforçamos os conteúdos estudados na escola regular. É preciso utilizar um pouco da psicologia que a pedagogia traz e encarar cada paciente de forma individual", conta.

Quando sua filha alcançou a idade escolar, Soraya entendeu que esse seria o momento de fazer mais, assistindo outras crianças. "Eu sempre quis fazer algo para as outras crianças. Decidi me voluntariar na FundeF e comecei realizando a Hora do Conto."

Com adereços coloridos, a professora encara o personagem para conquistar o sorriso dos pequenos. Na hora da alfabetização, os jogos entram em cena e funcionam como recurso para fortalecer o que a escola ensina.

Neste sábado, Soraya só tem a comemorar. Segundo ela, ser professora é ter a esperança de contribuir na formação de um adulto, capaz de trazer seu melhor para a sociedade. "O professor tem a tarefa didática, mas nunca podemos esquecer de trabalhar os valores humanos."


Educação inclusiva além da deficiência
Quebrar ovos, misturar a farinha e separar todos os ingredientes para preparar um bolo pode ser uma tarefa simples, mas exige aprendizado. Atividades como essa fazem parte do cronograma de aulas na disciplina de Atividades da Vida Diária (AVD), na Associação de Pais, Amigos e de Pessoas com Deficiência Visual (Apadev), ministradas pela professora Suzana das Graças Amaro (32). Com ela, os alunos aprendem receitas, a lavar, a dobrar e a passar roupas, além de outras funções da vida doméstica.

Suzana é deficiente visual, graduada em Pedagogia e cursa pós-graduação em Educação Inclusiva. A deficiência nunca foi empecílio para realizar seu sonho: ensinar e auxiliar aqueles que também não enxergam. Na Apadev, ministra aulas de Braile, Informática, AVD e Prática Inclusiva, onde ensaiam peças de teatro. "Quem tem deficiência precisa encontrar sua independência, acreditar em si e buscar seus sonhos. As aulas são para isso. São trocas de experiências."

Professora de cerca de 50 alunos, ela ensina sobre a necessidade de estimular o tato, um processo que exige paciência e dedicação. "Já que não enxergamos, o tato nos ajuda a ter noções básicas. O Braile, por exemplo, é uma combinação de seis pontos e só aprendemos a ler através do contato com os pontos. Ensinar é praticar o que aprendi, encorajando os outros", menciona.

Para Suzana, o Dia dos Professores vem para lembrar como as pessoas com deficiência são capazes e podem realizar o que sonham, quando desejam fazê-lo. "Mais do que ensinar, é encantador receber o carinho de cada participante da instituição. Somos uma família que compartilha cada conquista e cada desafio." As aulas na Apadev também são direcionadas para familiares e comunidade que desejam aprender sobre o cotidiano dos usuários.


Apoio e estímulo como ferramenta de aprendizagem
Encantamento é a palavra que define a profissão para Claudete Dall Oglio. Professora há 20 anos, ela decidiu se especializar em Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia e Psicopedagogia, a fim de auxiliar as crianças que encontram dificuldades no processo de aprendizagem.

Há nove anos, suas aulas são ministradas em uma sala colorida, com jogos empilhados e tapete emborrachado. A professora cuida do Laboratório de Aprendizagem e Sala de Recursos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Vida Nova e na Emef São José de Conventos.

O trabalho de Claudete se concentra em identificar as dificuldades e potencialidades dos alunos com dificuldades, somando esforços com a família, direção e professores. A maioria das aulas são realizadas no turno inverso ao da escola. "O estímulo cognitivo é feito por meio de jogos e brincadeiras. A criança precisa desenvolver o desejo de aprender e suas habilidades de raciocínio", explica.

Segundo a professora, é necessário compreender as diferenças de cada aluno e oportunizar autonomia e enfrentamento. "A experiência que tenho, como professora, é de um ambiente que expressa confiança, empatia, solidariedade e ajuda no enfrentamento de adversidades."

Para ela, a profissão necessita de resiliência e persistência para perceber a evolução das crianças. "A troca de informação entre os professores é o que nos fortalece e proporciona um ambiente alegre de trabalho, independente da desvalorização da profissão."

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