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Uma profissão para mudar o mundo

O advogado é indispensável à administração da justiça. Além de dominar a técnica, necessita ser corajoso e persistente perante um mercado seletivo e nem sempre justo

Créditos: Gigliola Casagrande
Coordenador do Curso de Direito da Univates, Júnior R. Willig - Lidiane Mallmann

Às vésperas de celebrar mais um Dia do Advogado, cabe a pergunta: "Por que seguir esta profissão?". Simples: para mudar o mundo ao seu redor. O professor e coordenador do Curso de Direito Universidade do Vale do Taquari - Univates, Júnior R. Willig, comenta que, entre colegas, brincam que este, normalmente, é o desejo de todo o calouro. Mas, para ele, também é o sentimento de quem, ao final da faculdade, se identifica com a advocacia. "Ver, ainda na graduação, durante a prática real, a possibilidade de mudar o mundo, a vida de outra pessoa é um sentimento indescritível. Ser advogado é viver a luta pelos direitos de seu cliente. A advocacia é, sem dúvida, uma das mais belas e notáveis profissões na sociedade." 
Não por acaso. Como refere a Constituição, o advogado é indispensável à administração da justiça. É o defensor nato do Estado Democrático de Direito, da cidadania e da moralidade púbica. "Acredito que, atualmente, vivendo num cenário de crise econômica e política - que desemboca numa vulnerabilidade dos direitos civis e políticos - , cabe à advocacia, pelos profissionais e pela Ordem dos Advogados, a defesa da Constituição, da ordem jurídica, do Estado Democrático de Direito, dos direitos humanos e da justiça social, e pleitear a boa aplicação das leis, a rápida administração da justiça e o aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas", destaca o professor.
Para obter êxito, é preciso talento. Willig observa que há advogados que conseguem otimizar ao máximo as habilidades necessárias para a profissão e, assim, naturalmente, se destacam. "Neste aspecto, por suas habilidades, o profissional da advocacia deve ter a competência de atuar no campo jurídico, de maneira individual e coletiva, preservando um viés humanístico e interdisciplinar, sempre em consonância com os preceitos éticos", comenta. Precisa interpretar e aplicar normas jurídicas, elaborar textos técnico-jurídicos, saber tomar de decisão no âmbito do Direito, propor soluções, comunicar-se de maneira precisa, primando pelo diálogo e, cada vez mais, por meios consensuais para a prevenção e a resolução de conflitos. "Por fim, lembro da necessidade de conseguirmos manejar as tecnologias e métodos para permanente compreensão e aplicação do Direito. Muitas destas competências desenvolvemos ainda ao longo da nossa formação e vamos aperfeiçoando no nosso dia a dia profissional."
Willig estuda os riscos da inovação tecnológica. Ao longo dos anos, o mercado de trabalho sempre foi atingido quando da implementação destas novidades, especialmente nas revoluções industriais. Na 4.0, não será diferente. "Não vejo que somente a advocacia seja afetada, mas sim toda a estrutura jurídica. No entanto, ao contrário do que muitos especialistas alertam, sou otimista e vejo que as novas tecnologias, como a inteligência artificial, o Blockchain, a robótica, podem trazer um novo Direito, que consiga atender a complexidade das atuais relações que estabelecemos na sociedade global", projeta. O coordenador do curso da Univates lembra os resultados do uso da internet, algo muito recente, do final da década de 1990. As notas de expediente dispensaram o uso do correio, os profissionais não precisavam mais viajar horas para ver processos e a pesquisa de jurisprudência ficou disponível em repositórios eletrônicos. "Foi um impacto, mas extremamente positivo." Pelo visto, o futuro, logo ali, pode dar uma mãozinha para quem quiser mudar o mundo - nem que seja o dos clientes.

Mercado reserva desafios
O mercado é exigente, seletivo - e nem sempre justo. Para o coordenador do Curso de Direito da Univates, Júnior R. Willig, entretanto, a área é um vasto campo de oportunidades e há espaço para todos. Há muitas especialidades na advocacia e as mudanças sociais criam novos ramos de atuação. "É hora de a advocacia se reinventar, enxergar as oportunidades que são apresentadas, usar a tecnologia a seu favor e ousar nesta nossa profissão tão conservadora."
Isso tudo começa em sala de aula. A formação para o exercício profissional é desafiadora. Willig explica que, em função das Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de Direito, exige-se uma significativa carga horária de prática simulada e real nos cursos de graduação. Evidente que o mercado exige uma postura diferenciada daquela do estudante, mas o coordenador entende que a academia, especialmente com suas estruturas de escritórios modelo, como o Serviço de Assistência Jurídica (Sajur), na Univates, consegue antecipar aos alunos o cenário que os aguarda logo ali na frente. A possibilidade de estágios, com grande oferta na região, permite a participação em estruturas jurídicas, a visualização de seu funcionamento e aquisição desde já da experiência profissional. "Muitas das competências necessárias para a advocacia são desenvolvidas ainda durante a graduação." 
Hoje, a Univates forma mais de 50 novos bacharéis em Direito - muitos com sonhos, desejos e aguardando ansiosamente para poder se tornar um operador jurídico. Diversos já contam com a aprovação na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e já saem advogando. Outros com o desejo de buscar diferentes carreiras. "Mas todos com a certeza de que estão preparados para atender a demanda profissional. E com a consciência de que precisam se atualizar constantemente."

Preparados para o futuro
Seja qual for a escolhida entre tantas especialidades do Direito, a carreira só começa com a aprovação do Exame de Ordem. Criado pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), na década de 1970, é exigência fundamental para o exercício da advocacia. O professor Júnior R. Willig defende as provas diante da atual discussão sobre sua extinção, reforçada pela posição contrária do governo federal. "Neste cenário, confesso que é complexo qualquer prognóstico", admite o coordenador do curso da Univates, que não vê relação entre o fim do exame de ordem e a qualidade do ensino jurídico. "Temos uma classe que nos representa - a OAB - e que defende o exame, portanto, cabe a todos o respeito pela independência e autonomia das nossas instituições." Aos bacharéis, fica o desafio - das provas, do exercício da profissão e do futuro pela frente.

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