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É preciso acreditar

Gilberto Jasper Jornalista


Ouço que a temperatura vai disparar até o final de semana, coisas de 35/36°C. Depois de vários dias de instabilidade, o tempo limpou na segunda-feira, o sol brilhou e foi possível encher o varal. O calor já tinha marcado presença antes mesmo da primavera e ali já notou um fenômeno que ocorre sempre que o termômetro sobe: o encolhimento das roupas de verão que permanecem no armário.

Trata-se de algo fantástico que ainda não foi explicado pela indústria de móveis ou por especialistas do segmento. Roupas que até março/abril serviam com folga se tornaram uma espécie de camisa de força, dificultando os movimentos, causando desconforto, deixando à mostra o "excesso de músculos".

O veranico de primavera também acarreta uma corrida às academias. Nota-se uma busca frenética no mercado por personal trainers que se veem obrigados a desdobrar a agenda para acomodar todos os potenciais clientes. Praças e parques subitamente são invadidos por legiões de atletas que, na maioria dos casos, sequer passaram por uma avaliação médica. Os riscos são grandes, mas a vaidade (e a pressa) fala mais alto.

Os atletas de verão também são vistos com frequência nas praias. Correr à beira mar, fazer exercícios puxados, acordar cedo, caminhar, adotar uma dieta mais regrada. Vale tudo para entrar em forma ou resgatar os conceitos de vida saudável. Na volta à rotina, no entanto, poucos perseveram. Os costumes consolidados engolem os objetivos de mudança. Alterar o dia a dia é muito mais complicado que parece.

Apesar dos óbices do cotidiano, muita gente tem mudado seu dia a dia à mesa. Alguns cortaram a carne vermelha. Outras acrescentam frutas, verduras e legumes. E tem aqueles que apenas reduzem as porções na hora das refeições. São atitudes que podem se tornar definitivas, superando as tradicionais promessas de Ano-Novo quando somos invadidos pelo espírito renovador que em poucos dias se esvai.

A chegada da primavera não traz consigo flores, perfumes e alergias. Para muita gente carrega ventos de mudanças saudáveis que devem sempre ser apoiados. Traz, ainda, esperanças de saúde para os enfermos e de novidades alvissareiras para os mais de 13 milhões de desempregados. Acordar todos os dias sem perspectiva de atender as expectativas dos familiares é uma dor pungente. A frustração das entrevistas sem retorno, dos currículos entregues sem a esperada ligação telefônica e a mesmice do orçamento apertado são rotina de inúmeros chefes de famílias.

A primavera, com seus tons coloridos, pode ocasionar mudanças espontâneos ou golpes de sorte do destino. Entesar de que é possível transformar a rotina está na raiz da sobrevivência, combustível da manutenção da esperança. Acredite, sempre!

 


Gilberto Jasper

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