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O celular do crime

Créditos: Gilberto Jasper

Um celular é apreendido a cada 72 minutos em presídios do Rio Grande do Sul. Nos últimos dez anos foram mais de 70 mil aparelhos. Este dado permite constatar a dimensão do problema de controle das casas prisionais do nosso Estado.Um celular é apreendido a cada 72 minutos em presídios do Rio Grande do Sul. Nos últimos dez anos foram mais de 70 mil aparelhos. Este dado permite constatar a dimensão do problema de controle das casas prisionais do nosso Estado.

Os presídios e as facilidade de acesso através das fronteiras do Brasil constituem desafios insolúveis. É pelas brechas nos extremos do país que entram armas, munições, carros roubados (que entram e saem), além de agrotóxicos de uso proibidos, bem como o tráfico de pessoas.

Apesar de se tratar de fato notório parece impossível criar um antídoto. O uso de scanners na entrada dos presídios é raridade. O uso de telefones celulares por presos é de conhecimento público. A dificuldade de milhares de usuários com o sinal emitido pelas torres das operadoras não é empecilho para traficantes e bandidos de todo tipo.

A comunicação é fundamental para fomentar o crime, assim como é o uso de veículos. Sem estes dois vetores a bandidagem fica imobilizada, mas são desafios recorrentes. Parece impossível abortar as operações comandadas de dentro dos presídios por facções que controlam todo o Rio Grande do Sul e diversos Estados.

Conheço muitas autoridades cujo trabalho é sério, técnico e dedicado, resultando em experiências exitosas. Mas como eles mesmo dizem, trata-se de "enxugar gelo", expressão que resume o esforço diário, mas sem a contrapartida de quem administra orçamentos ou deveria estimular práticas eficientes.

São quase 17 mil quilômetros de fronteira entre o Brasil e outros dez países na América do Sul. O contrabando corre solto, comprometendo a segurança dos dois lados da linha divisória. A imagem romântica do entrosamento com os "hermanos" da Argentina e Uruguai, com quem nós, gaúchos, convivemos pacificamente, não pode servir de exemplo.

Muitas mazelas da violência cruzam as fronteiras e transita pelos presídios. Misturam-se pequenos infratores com traficantes perigosos, comprometendo o processo de reintegração social.

Os celulares que transitam pelas casas fazem a violência proliferar. O perigo do lado de fora é fomentada por apenados que operam sem dificuldades. O Estado _ com ente público nas três esferas - falha duplamente: primeiro em não oferecer a segurança e pela incompetência em bloquear os celulares que interligam os agentes do crime.

Resta a nós, pessoas decentes e tomadas pelo medo, a opção de rezar pela integridade física de nossos familiares e amigos. Pedimos, sempre, para sair e voltar para casa incólumes. É difícil não ficar revoltado.


Gilberto Jasper

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