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Treiler do caos

Gilberto Jasper Jornalista


No último dia 3 aconteceu um ensaio de tragédia do mundo moderno. Instaram e WhatsApp ficaram fora do ar por várias horas, retornando com problemas de oscilações, levando várias horas para voltar ao normal. A repercussão correspondeu a um apagão, daqueles que deixa sem energia grandes metrópoles em diversas regiões, levando caos ao sistema de transporte, hospitais e bagunçando a rotina de milhões.
Apesar dos percalços, o Facebook - versão moderna do "todo-poderoso" - emitiu uma tímida nota dizendo que "o que aconteceu na tarde desta quarta-feira (3), quando seu app da rede social, o Instagram e o WhatsApp enfrentaram problemas..." Após quase um dia inteiro de instabilidade, a empresa informa que tudo foi causado por um "teste de rotina que deu errado".
Simples assim. Um teste de rotina que deu errado! A manifestação oficial dá a exata dimensão da seriedade com que determinadas empresas de abrangência mundial prestam os seus serviços. O equívoco - isto se a nota for verídica, o que duvido - trouxe muitos prejuízos para diversas pessoas em vários países.
Tenho vários amigos que trabalham com vendas que tiveram muitas dores de cabeça em consequência da impossibilidade de fechar negócios. A onipresença da tecnologia, principalmente através das redes sociais, é muito mais agressiva que parece porque já estão incorporadas às rotinas.
O caos da semana passada remeteu aos tempos de piá, na década de 1960/70 quando ocorria o "racionamento". Das 19h às 7h do dia seguinte o fornecimento de energia elétrica era suspenso. Lembro da minha família - incluindo o cachorro e os gatos - sentada em torno do rádio ligado, chimarrão rolando e muito bate-papo. No começo foi um enorme transtorno, contornado pela repetição. O dia a dia era organizado a partir da certeza do corte de luz no início da noite.
No caso das redes sociais criou-se uma dependência obsessiva que como tudo na vida tem aspectos positivos. Como companhia para pessoas solitárias ou a busca de amigos de longa data que se perderam ao longo do tempo. De forma negativa um estímulo à solidão, resultado da ilusão que "conversar" por watts ou messenger substituiria uma conversa olho no olho. Depressão e tristeza povoam as redes sociais.
O "bug" serve de alerta para os riscos que a dependência tecnológica provoca. Imaginem o mundo sem WhatsApp durante dois dias ininterruptos. O caos estaria estabelecido, lembrando filmes de ficção científica em que alienígenas invadem a Terra e destroem os sistemas de comunicação.
Na vida real, ao contrário das tramas de Spielberg, não haverá tropas americanas ou multinacionais para nos salvar. É bom não pensar muito nisso. Do contrário, mesmo com esta "friaca" não conseguiríamos dormir.


Gilberto Jasper

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